Gripe é causada por vírus, não por temperatura
A cada inverno, mitos antigos ressurgem junto com as gripes e resfriados, confundindo causa e consequência. O pneumologista Gabriel Domingues dos Santos, da Universidade de Mogi das Cruzes, lembra que não é o frio em si que adoece as pessoas, mas os vírus que circulam com mais intensidade nessa estação — favorecidos pelo comportamento humano em ambientes fechados e pela baixa adesão à vacinação. Compreender essa distinção é, em si, um ato de cuidado coletivo.
- Com a chegada oficial do inverno brasileiro, a circulação de vírus como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório acelera, pressionando sistemas de saúde e famílias.
- Mitos persistentes — como a crença de que a vacina causa gripe ou que andar descalço provoca resfriado — continuam a desviar a atenção das causas reais e a reduzir a adesão a medidas eficazes.
- O ar seco e frio compromete as defesas naturais das vias respiratórias, enquanto ambientes fechados, pouca hidratação e roupas guardadas com ácaros criam um cenário de risco amplificado.
- A vacinação contra Influenza e Covid-19 permanece a ferramenta mais robusta para evitar formas graves e hospitalizações, mas ainda enfrenta resistência baseada em desinformação.
- Medidas simples — lavagem nasal com soro, ventilação dos ambientes, higiene das mãos e sono de qualidade — formam uma linha de defesa acessível e comprovada para atravessar o inverno com saúde.
O inverno chegou ao Brasil trazendo, junto ao frio, a temporada de infecções respiratórias. Para separar fato de ficção, o pneumologista Gabriel Domingues dos Santos, professor na Universidade de Mogi das Cruzes, oferece uma leitura baseada em evidências científicas sobre o que realmente adoece as pessoas nessa época.
O ar frio e seco prejudica as células que revestem as vias respiratórias, tornando mais lenta a eliminação natural de germes e poluentes. Esse mecanismo enfraquecido abre caminho para infecções e agrava condições crônicas como asma e DPOC. Ao mesmo tempo, vírus como Influenza e Covid-19 circulam com maior intensidade no frio — e o comportamento humano amplifica o problema: menos água ingerida, mais tempo em ambientes fechados e contatos mais próximos favorecem a transmissão. Roupas e cobertores guardados por meses acumulam ácaros e alérgenos, contribuindo para rinite e sinusite.
Entre os mitos mais comuns está a ideia de que a vacina contra gripe causa a própria doença. Domingues esclarece que eventuais efeitos adversos leves são passageiros e não se comparam ao benefício real: redução significativa do risco de formas graves e hospitalizações. Outro equívoco difundido é que andar descalço ou tomar vento gelado provoca resfriado — na prática, gripe é causada por vírus, não por temperatura.
As medidas que realmente funcionam são acessíveis: lavagem nasal com soro fisiológico, ambientes ventilados com entrada de luz solar, capas antiácaro em colchões, higiene frequente das mãos, atividade física e sono de qualidade. Uma ressalva: umidificadores mal higienizados podem dispersar fungos e ácaros, piorando o quadro. Para quem já apresenta sintomas, o uso de máscara ajuda a proteger os demais. Sinais como falta de ar crescente, febre persistente ou prostração exigem atenção médica — especialmente em crianças, idosos e portadores de doenças pulmonares crônicas.
O inverno chegou oficialmente ao Brasil em 21 de junho, e com ele vem a promessa de temperaturas mais intensas, especialmente em julho. Junto ao frio, porém, chega também a temporada de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias que marcam essa época do ano. Para entender o que realmente causa essas doenças — e o que é apenas mito — o pneumologista Gabriel Domingues dos Santos, professor de Pneumologia na Universidade de Mogi das Cruzes, oferece uma perspectiva clara baseada em evidências científicas.
O ar frio e seco do inverno afeta diretamente o funcionamento das células que revestem as vias respiratórias, tornando mais lenta a eliminação natural de germes, poluentes e partículas que inalamos. Esse mecanismo prejudicado abre caminho para infecções respiratórias e pode agravar doenças crônicas como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Além disso, vírus como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório circulam com maior intensidade durante os meses frios, criando um cenário propício para adoecimento em massa.
Mas o frio sozinho não explica tudo. Domingues aponta que nosso próprio comportamento no inverno contribui significativamente para a propagação de doenças. As pessoas tendem a beber menos água, passam mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, e mantêm contatos mais próximos — tudo isso favorece a transmissão viral. Há ainda a questão prática: roupas e cobertores guardados durante meses acumulam poeira, ácaros e outros alérgenos, criando um ambiente ideal para rinite, sinusite e outras inflamações das vias respiratórias.
Entre os mitos mais persistentes está a crença de que a vacina contra gripe causa a própria gripe. Domingues esclarece que algumas pessoas podem sentir efeitos adversos leves — dor no local da injeção, mal-estar ou febre baixa — mas esses sintomas são passageiros. O que importa é que a vacinação reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações, tanto para Influenza quanto para Covid-19. Vacinas contra o Vírus Sincicial Respiratório também devem ser consideradas para grupos com indicação médica.
Outro mito amplamente difundido é que andar descalço no chão frio ou tomar vento gelado causa doenças respiratórias. A realidade é simples: gripe é causada por vírus, não por temperatura. O que realmente favorece a transmissão de infecções respiratórias é permanecer em ambientes fechados e aglomerados, não higienizar adequadamente as mãos, não se hidratar e deixar a vacinação desatualizada. Andar descalço, beber água gelada ou comer sorvete não têm relação com o desenvolvimento dessas doenças.
Quanto às medidas preventivas que funcionam de verdade, Domingues recomenda a lavagem nasal com soro fisiológico como uma prática simples e segura que ajuda na higiene das vias aéreas e na remoção de secreções. Manter os ambientes ventilados, permitir a entrada de luz solar, usar capas antiácaro em colchões e travesseiros, e fazer limpeza adequada da casa também fazem diferença. Lavagem frequente das mãos, atividade física regular e sono de qualidade impactam positivamente a saúde respiratória. Uma ressalva importante: umidificadores que não são higienizados corretamente podem favorecer o acúmulo e dispersão de fungos, poeira e ácaros, piorando a situação.
Para quem já apresenta sintomas respiratórios, o uso de máscara é recomendado para reduzir a transmissão. Atenção especial deve ser dada a sinais de alerta como aumento importante da secreção respiratória associado à piora da falta de ar, aumento do esforço para respirar, febre persistente ou prostração — sintomas que exigem cuidado especial em crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares crônicas. Para quem tem asma, bronquite crônica ou enfisema, o inverno exige redobrada atenção ao uso correto das medicações prescritas.
Notable Quotes
O ar frio e seco prejudica o funcionamento normal das células que revestem as vias respiratórias, tornando mais lenta a eliminação de germes e favorecendo infecções— Gabriel Domingues dos Santos, pneumologista da UMC
A vacinação é extremamente importante porque reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações, especialmente para Influenza e Covid-19— Gabriel Domingues dos Santos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o inverno parece ser tão crítico para as doenças respiratórias? É realmente o frio que causa gripe?
Não é o frio em si. O que acontece é que o ar frio e seco prejudica as células que protegem nossas vias respiratórias, deixando-as mais vulneráveis. Mas o fator principal é que os vírus circulam mais intensamente nessa época, e nosso comportamento muda — ficamos em ambientes fechados, nos tocamos mais, respiramos o ar que outras pessoas respiram.
Então o mito de que andar descalço causa gripe é completamente infundado?
Completamente. Gripe é causada por vírus específicos. O que realmente importa é higiene das mãos, vacinação em dia, hidratação adequada e evitar aglomerações em ambientes fechados. Andar descalço, beber água gelada, comer sorvete — nada disso causa infecção respiratória.
E quanto à vacina? Muitas pessoas ainda acreditam que ela causa gripe.
É um dos maiores mitos. A vacina pode causar efeitos leves e passageiros como dor no braço ou febre baixa, mas não causa gripe. O que ela faz é reduzir drasticamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações. Para Influenza e Covid-19, a diferença é enorme.
Quais são as medidas preventivas que realmente funcionam?
Coisas simples: lavar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados, se hidratar bem, dormir adequadamente e fazer atividade física. Lavar o nariz com soro fisiológico ajuda a remover secreções e germes. E claro, manter a vacinação em dia.
Umidificadores ajudam ou prejudicam?
Ajudam se forem mantidos limpos. Mas se não forem higienizados corretamente, podem piorar as coisas ao dispersar fungos, poeira e ácaros. É preciso cuidado com a manutenção.
Quem precisa de atenção especial durante o inverno?
Crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares crônicas como asma, bronquite ou enfisema. Eles devem estar particularmente atentos ao uso correto das medicações e procurar ajuda médica se apresentarem sintomas como falta de ar persistente, febre que não passa ou prostração.