Raphael Sampaio foi encontrado morto e carbonizado em veículo incendiado no bairro Ancuri, na região metropolitana de Fortaleza, em 11 de agosto. Júlia Natália, colega de batalhão, e seu marido Antoneudo foram presos; ela inicialmente alegou sequestro, mas vídeos refutaram sua versão de estar amarrada.
PM e marido presos por morte de soldado carbonizado; relação extraconjugal sob investigação
Houve sim uma relação extraconjugal, mas ninguém merecia a morte
Por que uma colega de batalhão teria envolvimento na morte de um companheiro?
A investigação aponta para um relacionamento extraconjugal entre Raphael e Júlia. Mas há também o contexto de que Júlia e seu marido estavam envolvidos em um esquema criminoso de fraude em aplicativos de transporte — talvez haja mais camadas nessa história do que apenas ciúmes.
Como a polícia descobriu que ela estava mentindo sobre o sequestro?
Vídeos. Ela foi filmada na oficina do marido no horário em que dizia estar amarrada. Outro vídeo a mostrou deixando a filha na escola quando alegava estar no porta-malas de um carro. As imagens não mentem.
E o advogado? Por que ele foi preso?
Tentou entregar um celular para ela na prisão. Ele diz que foi um acidente — que esqueceu o próprio telefone e ela o pegou. A polícia viu como facilitação de comunicação não autorizada. Mas há algo estranho: um advogado experiente, que defendeu casos importantes, cometendo um erro tão óbvio?
Qual é a teoria sobre o que realmente aconteceu?
A polícia ainda não divulgou. Sabemos que Raphael foi baleado e o carro foi incendiado. Sabemos que Júlia e Antoneudo estão presos. Mas os detalhes de quem fez o quê — isso continua fechado.
A família dele acredita que foi crime passional?
A mãe de Raphael reconheceu o relacionamento extraconjugal, mas recusou a ideia de que alguém merecia morrer por isso. Ela estava falando sobre a complexidade — não é simples culpar uma pessoa quando há traição, ciúmes, e agora morte envolvidos.
O que vem agora?
A polícia apreendeu um carro suspeito de ser usado no crime. As investigações continuam para esclarecer exatamente o papel de cada um. Mas até agora, a polícia não explicou publicamente como Júlia e Antoneudo participaram do homicídio.
Der Puls
- Raphael Sampaio da Silva, 27 anos, encontrado carbonizado em carro incendiado no bairro Ancuri em 11 de agosto
- Júlia Natália, colega de batalhão, e seu marido Antoneudo presos; vídeos refutaram alegação dela de sequestro
- Júlia e Antoneudo envolvidos em esquema de fraude em aplicativos de transporte; Antoneudo havia sido preso em setembro de 2025
- Relacionamento extraconjugal entre Raphael e Júlia apontado como possível motivação pela família
- Polícia apreendeu veículo suspeito de ser usado no crime; investigações continuam para esclarecer participação dos suspeitos
Raphael Sampaio foi encontrado morto e carbonizado em veículo incendiado no bairro Ancuri, na região metropolitana de Fortaleza, em 11 de agosto. Júlia Natália, colega de batalhão, e seu marido Antoneudo foram presos; ela inicialmente alegou sequestro, mas vídeos refutaram sua versão de estar amarrada.
Policial militar de 27 anos foi encontrado carbonizado em carro incendiado no Ceará. Uma colega PM e seu marido foram presos por suspeita de envolvimento; investigação aponta relacionamento extraconjugal como possível motivação.
Na manhã de terça-feira, 11 de agosto, um carro em chamas foi avistado no bairro Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga. Quando o Corpo de Bombeiros apagou o incêndio, encontrou dentro do veículo o corpo carbonizado de Raphael Sampaio da Silva, policial militar de 27 anos. Segundo a perícia inicial, ele havia sido baleado antes de o carro ser incendiado — um crime que, em menos de uma semana, desdobrou-se em prisões que incluíram não apenas uma colega de batalhão, mas também seu marido e até o advogado dela.
Raphael havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar. A policial militar Júlia Natália, suspeita de envolvimento no homicídio, trabalhava na mesma unidade. Ela havia entrado na corporação por concurso público em 2021 e foi convocada em 2022. Além de ser investigada pela morte de Raphael, Júlia responde por estelionato, lavagem de bens e integração em organização criminosa — ela fazia parte de um esquema que vendia contas falsas para motoristas em aplicativos de transporte. Seu marido, Antoneudo Ribeiro, era apontado como o articulador da fraude. Ele havia sido capturado em setembro de 2025 por vender os perfis falsos e passou cinco meses preso antes de ser solto. Responde por estelionato, falsa identidade, lavagem de bens, integração em organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo.
A motivação do crime permanece oficialmente não esclarecida, mas a família de Raphael revelou que o soldado mantinha um relacionamento extraconjugal com Júlia Natália. A mãe de Raphael, Rosilane, lamentou a situação em termos que sugerem a complexidade emocional envolvida: reconheceu que houve sim um envolvimento entre os dois, mas argumentou que ninguém merecia morrer por isso — nem Raphael, nem Júlia, nem a esposa do soldado caso descobrisse a traição.
Quando a Polícia Civil começou a investigar, Júlia não foi encontrada em casa nem respondeu ao telefone. Dias depois, chegou a informação de que ela havia sido localizada em um distrito no município de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, saindo de um matagal e pedindo socorro a moradores. Inicialmente, ela foi tratada como vítima de sequestro. Em seu depoimento, contou que havia saído do expediente na madrugada de terça-feira de carona com Raphael. Em um local que não conseguia lembrar, afirmou que os dois foram abordados por criminosos que mataram o soldado e a arrancaram do carro pelos cabelos. Disse que foi amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo.
Mas a história desmoronou quando Júlia prestou novo depoimento. Recusou-se a responder várias perguntas, alegou não lembrar de fatos importantes, insistiu em falar apenas na presença de advogado e invocou o direito ao silêncio. A polícia, porém, havia encontrado imagens que contradiziam completamente sua versão. Vídeos a mostraram na oficina do marido na manhã de terça-feira, no mesmo horário em que afirmava estar amarrada. Outro vídeo capturou o casal deixando a filha na escola no momento em que ela alegava estar presa no matagal. Júlia passou de vítima de sequestro a primeira suspeita presa pela morte de Raphael Sampaio.
Seu marido, Antoneudo, também foi preso. A prisão em flagrante dele foi relaxada em audiência de custódia, mas o juiz acatou o pedido dos investigadores e decretou prisão temporária com prazo determinado. Para Júlia, o juiz do 7º Núcleo de Custódia e Garantias de Maracanaú decretou prisão preventiva sem prazo definido.
O advogado Walmir Medeiros, que representava Júlia, foi detido na manhã de sexta-feira, 14 de agosto, após tentar entregar um aparelho celular para a cliente presa. Walmir negou ter levado intencionalmente um celular, alegando que havia esquecido o seu próprio em cima de uma mesa durante uma conversa com Júlia e que ela aproveitou para ligar para a sogra, perguntando como estava a filha e se poderia trocar a menina de colégio. Ele disse que voltou oito minutos depois e encontrou Júlia ao telefone. Walmir foi detido em flagrante, conduzido à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência. Coronel da reserva do Exército Brasileiro, ele havia atuado em casos de repercussão, incluindo a defesa de policiais acusados na Chacina do Curió, que resultou na morte de 11 pessoas em 2015.
Na tarde de sexta-feira, a polícia apreendeu um carro suspeito de ter sido utilizado no assassinato, localizado próximo à Avenida Washington Soares, no bairro Messejana. O veículo foi periciado e recolhido, mas a polícia não esclareceu quem era o proprietário nem em que circunstância foi usado no crime. A morte de Raphael é investigada pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública. Apesar das prisões de Júlia e Antoneudo, a polícia ainda não divulgou publicamente as participações específicas de cada um no homicídio. As investigações continuam no intuito de aprofundar e colher mais informações sobre o envolvimento de ambos.
Bemerkenswerte Zitate
Houve sim uma relação extraconjugal, mas não quer dizer que merecia a morte. Nem ela merecia a morte; o marido matá-la, ou a mulher do soldado descobrir e ir lá matá-la— Rosilane, mãe de Raphael Sampaio
Eu falei para a cliente: 'o que você fez? Ligou para quem?'. Ela falou: 'eu liguei para minha sogra. Perguntei como estava minha filha, para trocar minha filha de colégio'— Walmir Medeiros, advogado de Júlia Natália, explicando como ela teria usado seu celular