Planalto vê vantagens em disputa com Flávio Bolsonaro e aposta em eleitor de centro e motoristas de aplicativo

Ninguém acha que chegará a outubro com larga vantagem
Carla Araújo resume a expectativa de uma eleição acirrada em 2026, com margem apertada.
Mark

Por que o Planalto fala tanto em motoristas de aplicativo?

Mimi

Porque é uma categoria que o governo vê como eleitor não cristalizado no bolsonarismo. Lula mandou procurar esse pessoal, e o governo tenta levar ao Congresso pautas previdenciárias e leis para o setor.

Mark

E por que um cenário sem Tarcísio importa?

Mimi

Nas pesquisas, sem ele Flávio ganha um pouco, inclusive entre a direita moderada. É esse eleitor que o entorno de Lula acha que ainda dá para disputar.

Luke

Vale separar as coisas: isso é a leitura de uma colunista sobre o que o governo pensa, não um plano oficial divulgado. A orientação de Lula vem de uma conversa com um ministro, sem nome citado.

Mark

E a candidatura de Flávio, está firme?

Mimi

Está se consolidando. A equipe espera fechar um time de governo no Carnaval, segundo a colunista.

Luke

Isso é expectativa da equipe, não fato consumado. E a professora Isabela Kalil diz que só pesquisa mostrará se há fôlego.

Mark

O governo está confiante, então?

Mimi

Não exatamente. Sabe que será difícil e espera ver o adversário definido para fechar a estratégia.

Luke

Também não sabemos o peso real dessa pauta entre os motoristas. A torcida por uma direita pulverizada é visão de alguns aliados, não previsão.

  • O Planalto acredita que a ausência de Tarcísio de Freitas nas pesquisas abre espaço para Flávio Bolsonaro avançar sobre a direita moderada.
  • Lula orienta sua equipe a disputar motoristas de aplicativo e taxistas, tratando-os como eleitores ainda não cristalizados no bolsonarismo.
  • Projetos previdenciários e negociações com o Congresso surgem como ferramenta para ganhar terreno antes que o adversário esteja definido.
  • A equipe de Flávio deve fechar o time de governo no Carnaval, enquanto o governo aguarda as próximas pesquisas para calibrar sua estratégia.

Num momento em que a eleição de 2026 começa a ganhar contornos de um confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Planalto observa o tabuleiro com paciência e cálculo. A pergunta que atravessa os corredores do governo é se o eleitor de centro e da direita moderada ainda pode ser alcançado, e a resposta parece depender menos de grandes discursos do que de gestos concretos dirigidos a categorias de trabalhadores. Trata-se de uma disputa que, como tantas outras na vida democrática, se decide nas margens, onde a incerteza ainda é a regra.

Em uma conversa com um ministro do Planalto, o presidente Lula deu uma orientação direta: buscar o eleitor onde ele está. A colunista Carla Araújo, do UOL, relata que o entorno do presidente começa a desenhar a campanha de 2026 diante de uma hipótese cada vez mais concreta, um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O governo enxerga vantagens nesse cenário. Quando as pesquisas são feitas sem o governador Tarcísio de Freitas, Flávio cresce além do bolsonarismo raiz e passa a atrair parte da direita moderada. É esse eleitor que, na avaliação do Planalto, ainda oferece margem de disputa, sobretudo em categorias profissionais específicas, como motoristas de aplicativo e taxistas.

A aposta é trabalhar projetos de lei e questões previdenciárias ligadas a esses trabalhadores junto ao Congresso. Para a colunista, o centro será a parcela mais disputada e a que deverá decidir a eleição. Do outro lado, a candidatura de Flávio ganha corpo: vista com desconfiança até pouco tempo, agora sua equipe planeja fechar o time de governo no Carnaval.

O otimismo do Planalto, porém, é cauteloso. O governo não subestima o adversário e sabe que a disputa será difícil. Carla Araújo lembra que tudo pode mudar com detalhes, operações policiais ou eventos inesperados, e que ninguém deve chegar a outubro em larga vantagem. Os próximos passos são a formação da equipe de Flávio e as novas pesquisas.

Numa conversa com um ministro do Planalto, o presidente Lula deu uma orientação direta: olhar para motoristas de aplicativo e taxistas e buscar o eleitor onde ele está, do lado do governo. O relato é da colunista do UOL Carla Araújo, e ajuda a entender como o entorno do presidente começa a desenhar a campanha de 2026 diante de uma hipótese cada vez mais concreta: um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Segundo Carla Araújo, o governo enxerga vantagens nesse cenário. Quando as pesquisas mostram um quadro sem o governador Tarcísio de Freitas, Flávio cresce um pouco além do bolsonarismo raiz e passa a atrair parte da direita moderada. É justamente esse eleitor, avalia o entorno de Lula, que ainda oferece margem de disputa, em especial em categorias profissionais específicas.

É aí que entram os motoristas de aplicativo e os taxistas. O governo tenta trabalhar com o Congresso projetos de lei e questões previdenciárias ligadas a esses trabalhadores, uma pauta em que o Planalto vê potencial eleitoral. A ideia é alcançar um eleitor que não está cristalizado no bolsonarismo. Para a colunista, o centro será a parcela mais disputada e a que acabará decidindo a eleição.

Do outro lado, a candidatura de Flávio se fortalece. Até pouco tempo, ela era vista com desconfiança, inclusive dentro da direita, e muita gente dizia que não era para valer. Agora, segundo Carla Araújo, a equipe dele espera concluir no Carnaval a montagem de um time de governo, sinal de que o projeto se consolida.

A professora e antropóloga Isabela Kalil, ouvida na mesma cobertura, avalia que fica cada vez mais possível uma reedição de Lula contra um Bolsonaro, agora não Jair, mas Flávio. Para ela, o que mostrará se a candidatura tem fôlego é a pesquisa de intenção de voto. Kalil comentou ainda que Flávio se mostrou viável na primeira pesquisa realizada sem Tarcísio.

O otimismo do Planalto, porém, é cauteloso. Segundo a colunista, o governo não desdenha do adversário, sabe que a eleição será difícil e está começando a montar a estratégia, o que fica mais claro quando o rival estiver definido. Alguns aliados de Lula ainda torcem para que a direita se pulverize mais, o que, na visão deles, poderia favorecer o presidente.

Carla Araújo lembra que o cenário pode mudar por qualquer detalhe, com margem apertada e fatores imprevistos, como operações policiais ou eventos de grande impacto. Em sua avaliação, ninguém, de um lado ou de outro, acha que chegará a outubro com alguém em larga vantagem.

O que observar daqui em diante: a definição da equipe de Flávio depois do Carnaval e as próximas pesquisas, que dirão se a candidatura se sustenta e ajudarão o governo a calibrar a disputa pelo centro.

Há uma parcela de centro que será a mais disputada e acabará decidindo a eleição.
— Carla Araújo, colunista do UOL
O que mostrará se essa candidatura tem fôlego ou não é a pesquisa de opinião de voto.
— Isabela Kalil, professora e antropóloga
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