Deixar de lado qualquer coisa que tire o foco do essencial
Num Centro do Rio tomado por ferramentas digitais e símbolos de campanha, o PL transformou um seminário de comunicação numa antecâmara eleitoral — onde a Inteligência Artificial ensinava a moldar imagens e o discurso político buscava reparar fraturas internas. Flávio Bolsonaro, pressionado por um desgaste público com a madrasta Michelle, cercou-se de deputadas para reconquistar o eleitorado feminino, enquanto Nikolas Ferreira, atrasado pelo nevoeiro, chegou a tempo de lembrar a todos que o verdadeiro alvo permanece o mesmo: tirar o PT do poder em outubro.
- O vídeo de Michelle acusando Flávio de maus-tratos criou uma ferida política que o seminário tentava, discretamente, curar — com deputadas posicionadas estrategicamente ao seu lado.
- A oficina de IA revelou um partido disposto a dominar as ferramentas da persuasão digital, mas também expôs conteúdos perturbadores: vídeos gerados com referências a facções criminosas como PCC e Comando Vermelho.
- Uma grande empresa de tecnologia recusou participar do evento, considerando-o 'muito partidário' — sinal de que a linha entre treinamento técnico e mobilização eleitoral era tênue demais para alguns.
- Adesivos 'fora Lula', bonés de campanha e totens com Jair Bolsonaro transformaram o saguão num mercado de símbolos, deixando claro que o seminário era também um ritual de reafirmação identitária.
- Nikolas Ferreira chegou nos últimos minutos, atrasado pelo nevoeiro que fechou os aeroportos do Rio, mas sua fala foi precisa: nada pode desviar o foco de tirar o PT do poder em outubro.
Na última sexta-feira, o PL reuniu suas lideranças no Centro do Rio para um seminário de comunicação que funcionava, em muitos aspectos, como um laboratório de campanha. O evento oferecia uma oficina prática de Inteligência Artificial — com geração de fotos e vídeos via ChatGPT — e uma cabine na entrada que produzia imagens de super-heróis com a bandeira brasileira e aviadores ao estilo Top Gun. Na seção de vídeos, porém, dois dos cenários disponíveis remetiam aos símbolos do PCC e do Comando Vermelho, uma escolha que não passou despercebida.
Além da tecnologia, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro explicou o que era permitido na internet durante o período eleitoral, e um ex-funcionário da Meta orientou sobre como usar redes sociais para persuadir eleitores. Uma grande empresa de tecnologia havia desistido de participar, considerando o evento 'muito partidário'. Pelo saguão, comerciantes vendiam bonés de campanha e adesivos com a frase 'em outubro, fora Lula', enquanto apoiadores posavam com totens de Flávio e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O seminário carregava um objetivo além da estratégia digital: reaproximar Flávio do eleitorado feminino, após um vídeo da madrasta Michelle acusá-lo de maus-tratos — desgaste que o senador precisava conter. As deputadas Bia Kicis e Chris Tonietto permaneceram próximas a ele durante todo o evento, sinalizando essa estratégia.
Nikolas Ferreira chegou apenas nos minutos finais, atrasado por um nevoeiro que suspendeu operações nos dois aeroportos do Rio. Subiu ao palco ao lado de Flávio, que o chamou de 'irmão', e deixou a mensagem central da campanha no ar: 'Não podemos perder o foco. O essencial este ano é tirar o PT.' O seminário encerrou-se como aquilo que sempre foi — treinamento técnico, arrecadação, reparação de imagem e reafirmação política, tudo embalado na linguagem da campanha digital contemporânea.
O PL reuniu suas lideranças numa sexta-feira no Centro do Rio para um seminário de comunicação que funcionava, em muitos aspectos, como um laboratório de campanha. O evento oferecia aos presentes uma oficina prática de Inteligência Artificial, onde era possível gerar fotos e vídeos usando ChatGPT. Na entrada, uma "cabine de IA" produzia imagens de jogadores de futebol, super-heróis com a bandeira brasileira no uniforme, aviadores ao estilo de Top Gun. Na seção de vídeos, havia três cenários disponíveis: um jogo de futebol, o combate contra um polvo gigante destruindo uma cidade, e uma disputa entre aeronaves — duas delas remetendo aos símbolos das facções Primeiro Comando Capital e Comando Vermelho. Os participantes aprendiam a usar a ferramenta Highsfield para criar esse tipo de conteúdo.
Além da tecnologia, o partido ofereceu uma palestra com a equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro explicando o que era ou não permitido fazer na internet durante o período eleitoral. Um ex-funcionário da Meta subiu ao palco para orientar sobre como usar Facebook e Instagram para persuadir eleitores. Um interlocutor do partido confirmou que uma grande empresa de tecnologia havia desistido de participar, considerando o evento "muito partidário".
Pelo saguão circulavam comerciantes vendendo bonés de apoio à candidatura de Flávio ao Planalto por quarenta reais e adesivos com a frase "em outubro, fora Lula". Os apoiadores podiam tirar fotos com totens de Flávio e do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi mencionado repetidas vezes ao longo do encontro. O seminário tinha um objetivo claro além da estratégia digital: tentar aproximar Flávio do eleitorado feminino. Essa tentativa ganhava urgência depois de um vídeo publicado pela madrasta Michelle acusando-o de maltratá-la — um desgaste que o senador precisava conter.
Durante o evento, as deputadas federais Bia Kicis e Chris Tonietto, presidente do PL Mulher no Rio, permaneceram próximas a Flávio, sinalizando essa estratégia de aproximação com as mulheres. Nikolas Ferreira, deputado federal de Minas Gerais, chegou apenas nos últimos minutos do seminário. Subiu ao palco ao lado de Flávio, que o apresentou como um "irmão". A demora foi explicada por um nevoeiro que atingiu o Rio naquela sexta-feira, levando os dois aeroportos do estado a suspender operações por causa da baixa visibilidade.
Antes de partir, Nikolas reforçou a mensagem central da campanha. "Temos uma missão muito séria. A gente não pode perder nosso foco. O Flávio tem sido um exemplo nesse sentido, de deixar de lado qualquer coisa que tire o foco do que é essencial esse ano: tirar o PT", disse. O seminário, portanto, funcionava simultaneamente como treinamento técnico, evento de arrecadação, tentativa de reparação de imagem e reafirmação de propósito político — tudo embalado na linguagem e nas ferramentas da campanha digital contemporânea.
Notable Quotes
Temos uma missão muito séria. A gente não pode perder nosso foco. O Flávio tem sido um exemplo nesse sentido, de deixar de lado qualquer coisa que tire o foco do que é essencial esse ano: tirar o PT— Nikolas Ferreira, deputado federal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o PL escolheu fazer um seminário de comunicação agora, neste momento específico?
Porque Flávio está em campanha presidencial e precisa construir uma máquina de comunicação. Mas também porque há um problema imediato: o vídeo de Michelle prejudicou sua imagem junto às mulheres. O seminário resolve dois problemas ao mesmo tempo.
A oficina de IA parece um pouco teatral. Alguém realmente vai usar essas ferramentas?
Talvez não todos. Mas o ponto é mostrar que o partido está atualizado, que domina a tecnologia. É também uma forma de treinar quem trabalha na campanha. E gera conteúdo — fotos, vídeos — que podem ser usados depois.
E os adesivos "Fora Lula"? Isso não é direto demais?
É direto, sim. Mas é também o que o eleitorado deles quer ouvir. O seminário não é para convencer ninguém de fora — é para mobilizar quem já está dentro.
Por que uma big tech desistiu de participar?
Porque não quer ser associada a um partido específico. Há risco reputacional. Mas a Meta, através de um ex-funcionário, compareceu mesmo assim.
Nikolas Ferreira chegou atrasado. Isso importa?
Importa porque mostra que mesmo com nevoeiro, mesmo com dificuldade, ele veio. É um sinal de lealdade. E a forma como Flávio o apresentou — como "irmão" — reforça a unidade do grupo.
O que você acha que vai acontecer com essas imagens e vídeos gerados na oficina?
Vão circular nas redes sociais. Vão ser compartilhados por apoiadores. Vão virar conteúdo de campanha. É tudo pensado para isso.