PL amplia bancada em SP com Pavanato; PT e esquerda estagnados na Câmara

A esquerda estagnou enquanto a direita avançava
Apesar de Erika Hilton receber seis vezes mais votos que em 2022, o PSOL manteve as mesmas seis cadeiras que tinha em 2022.
Mark

Por que o resultado de Pavanato importa além dos números? Ele é só um deputado eleito.

Mimi

Porque em um sistema proporcional, um candidato com essa votação puxa toda uma legenda. Pavanato não chegou sozinho—levou 18 outros do PL com ele. Isso muda a composição da Câmara.

Luke

Mas é importante notar que o crescimento do PL de 17 para 19 deputados é real, mas modesto. Dois assentos a mais. O que realmente chama atenção é que a esquerda não cresceu apesar de Hilton ter recebido seis vezes mais votos que em 2022.

Mark

Como alguém pode receber um milhão e meio de votos e sua legenda não crescer?

Mimi

Porque o PSOL já tinha seis vagas em 2022 e mantém seis agora. Hilton é uma figura nacional, mas seus votos não se traduziram em cadeiras adicionais para o partido. É um fenômeno de personalidade sem expansão institucional.

Luke

Exatamente. E isso revela algo importante: o crescimento da direita não é apenas sobre candidatos carismáticos. O PSD, Republicanos e Podemos também cresceram. É um padrão mais amplo.

Mark

Qual é a diferença entre Pavanato e Hilton politicamente?

Mimi

Pavanato defende o que chama de "família tradicional" e pautas conservadoras. Hilton trabalha com direitos trans, LGBTQIA+, segurança alimentar e políticas sociais. São visões de mundo opostas.

Luke

E vale dizer: Pavanato é influenciador digital, Hilton começou no movimento estudantil. Ambos usam redes sociais, mas vêm de tradições políticas completamente diferentes.

Mark

O PT manteve 11 deputados. Isso é estagnação ou estabilidade?

Mimi

Estagnação. Quatro anos atrás, o PT elegeu 11 sozinho. Agora, PT, Partido Verde e Partido Comunista juntos elegem 11. O PT não cresceu, e seus parceiros não conseguiram vitórias.

Luke

Importante: não sabemos ainda como será a dinâmica na Câmara. Esses números são eleitorais. O que importará é como essas legendas se comportam em votações, alianças e negociações.

  • Pavanato quebrou o recorde de Eduardo Bolsonaro de 2018 por quase um milhão e meio de votos, tornando-se o segundo candidato mais votado do Brasil e transformando São Paulo em epicentro da direita bolsonarista.
  • O efeito cascata do sistema proporcional levou ao Congresso candidatos do PL com votações modestas, como Thiago Surfista e Capitão Augusto, puxados pela maré de três milhões de votos do influenciador.
  • Erika Hilton renovou seu mandato com votação seis vezes maior do que em 2022 e se tornou a mulher mais votada do Brasil, mas o PSOL e a esquerda como bloco ficaram paralisados nas mesmas seis cadeiras de quatro anos atrás.
  • O PL cresceu de 17 para 19 deputados em SP, enquanto a federação PT-PV-PCdoB manteve apenas 11 vagas — o mesmo número que o PT havia conquistado sozinho em 2022, sem os aliados.
  • Nomes como José Dirceu, Jean Wyllys, Nise Yamaguchi e Datena ficaram de fora, sinalizando uma renovação seletiva que favoreceu figuras com forte presença digital e identidade ideológica clara.

Em São Paulo, Lucas Pavanato conquistou mais de três milhões de votos e reescreveu os limites do que uma candidatura individual pode alcançar no sistema proporcional brasileiro. O feito não é apenas pessoal: arrastou correligionários, ampliou a bancada do Partido Liberal e aprofundou uma tendência que vem redesenhando o mapa político do estado mais populoso do país. Do outro lado, Erika Hilton brilhou com força própria, mas sua legenda e o campo da esquerda permaneceram estagnados — lembrando que carisma individual e força coletiva nem sempre caminham juntos.

Lucas Pavanato chegou à Câmara dos Deputados com 3.038.438 votos — o segundo maior total do país e um recorde que derrubou a marca de Eduardo Bolsonaro de 2018 por quase um milhão e meio de votos. Aos 28 anos, o deputado de Sorocaba construiu sua trajetória nas redes sociais, passando pelo Movimento Brasil Livre e pelo bolsonarismo, até se tornar um dos rostos mais reconhecidos da direita digital brasileira. Sua votação não apenas o elegeu: puxou consigo correligionários do Partido Liberal, que cresceu de 17 para 19 deputados federais em São Paulo.

O sistema proporcional amplificou esse efeito. Cada voto em Pavanato entrou na contagem geral do PL, beneficiando candidatos com votações muito menores, como Thiago Surfista e Capitão Augusto, que chegaram à Câmara carregados pela onda do influenciador. Em Minas Gerais, seu aliado Nikolas Ferreira deve se eleger como o deputado mais votado do Brasil, consolidando o PL como força dominante nas duas maiores bases eleitorais do país.

Erika Hilton, do PSOL, terminou em segundo lugar em São Paulo com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada do Brasil. Primeira travesti negra eleita à Câmara, ela renovou seu mandato com uma votação seis vezes superior à de 2022 — uma trajetória que começou no movimento estudantil da UFSCar e passou pela vereança em São Paulo. Mas o paradoxo é evidente: enquanto Hilton prospera individualmente, o PSOL e a Rede juntos mantiveram as mesmas seis cadeiras de quatro anos atrás, e a federação PT-PV-PCdoB conquistou apenas 11 vagas — o mesmo número que o PT havia alcançado sozinho em 2022.

Alguns nomes conhecidos ficaram de fora. José Dirceu, Jean Wyllys e Rui Falcão não se reelegeram pelo PT. Pelo PL, Nise Yamaguchi, Rita Zambelli e Padre Kelmon também não conseguiram assento. Datena, pelo PSB, recebeu pouco mais de 51 mil votos e não se elegeu. Entre os que garantiram cadeira estão Baleia Rossi, Jilmar Tatto, Celso Russomanno e o pastor Marco Feliciano. O pleito confirmou uma tendência: em São Paulo, a direita não apenas vence — ela se expande.

Lucas Pavanato chegou à Câmara dos Deputados pelo caminho mais direto possível: com mais votos do que qualquer outro candidato em São Paulo e o segundo maior do país. Os 3.038.438 votos que recebeu não apenas o elegeram; puxaram consigo uma onda de correligionários do Partido Liberal, ampliando ainda mais o peso da direita na bancada paulista que já vinha crescendo há anos.

O feito de Pavanato supera um recorde que durava oito anos. Em 2018, Eduardo Bolsonaro havia conquistado 1.843.735 votos pelo mesmo estado, um número que parecia intocável. Agora, Pavanato o deixa para trás por quase um milhão e meio de votos. Ele não está sozinho no topo: seu aliado Nikolas Ferreira, pelo Partido Liberal em Minas Gerais, deve se eleger como o deputado mais votado em todo o Brasil, consolidando a força da legenda em duas das maiores bases eleitorais do país.

Erika Hilton, do PSOL, terminou em segundo lugar em São Paulo com 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada do Brasil. Primeira travesti negra a ocupar uma cadeira na Câmara, ela renovou seu mandato com uma votação seis vezes superior à que havia recebido em 2022. Apesar dessa performance pessoal impressionante, o resultado geral revela um paradoxo: enquanto Hilton prospera individualmente, sua legenda e o campo da esquerda como um todo estagnam.

Os números da bancada paulista contam essa história com clareza. O Partido Liberal cresceu de 17 para 19 deputados federais eleitos. A federação que reúne PT, Partido Verde e Partido Comunista do Brasil conquistou 11 vagas—o mesmo número que o PT havia alcançado sozinho quatro anos antes, sem vitórias dos seus parceiros. O PSOL e a Rede, juntos, conseguiram seis cadeiras, o mesmo que em 2022, evidenciando uma paralisia da esquerda diante do avanço da direita. O PSD cresceu de três para seis representantes, Republicanos de um para quatro, e Podemos dobrou sua presença, passando de três para seis deputados.

O sistema eleitoral proporcional amplificou o efeito Pavanato. Cada voto em um candidato específico entra na contagem geral da legenda, beneficiando correligionários menos populares. Assim, enquanto Pavanato recebia mais de três milhões de votos, outros candidatos do PL com votações muito menores—como Thiago Surfista, com 161.971 votos, ou Capitão Augusto, com 153.745—também chegavam à Câmara puxados pela força do influenciador.

Pavanato, aos 28 anos, natural de Sorocaba, construiu sua trajetória política na internet. Começou ligado ao Movimento Brasil Livre, trabalhou como estagiário e assessor de Fernando Holiday, e depois se aproximou do bolsonarismo. Sua atuação se concentra em pautas conservadoras, particularmente na defesa do que chama de "família tradicional"—configurações que se opõem a arranjos familiares diferentes do casamento entre homem e mulher. Em 2022, se candidatou a deputado estadual e terminou como suplente com 36 mil votos. Dois anos depois, já com projeção nacional, se candidatou a vereador e foi eleito com mais de 160 mil votos.

Erika Hilton seguiu um caminho radicalmente diferente. Começou na política pelo movimento estudantil na Universidade Federal de São Carlos, onde em 2015 conseguiu mais de seis mil assinaturas em um abaixo-assinado online para o reconhecimento de seu nome social em um cartão de transporte escolar. O PSOL a identificou e a apoiou. Ela se tornou codeputada estadual pela Bancada Ativista na Assembleia Legislativa, depois deixou o cargo para concorrer à Câmara Municipal, onde foi a primeira pessoa trans a ocupar um cargo. Suas pautas giram em torno da violência contra pessoas trans e travestis, direitos LGBTQIA+, segurança alimentar, saúde pública e políticas sociais—temas aos quais Pavanato se opõe veementemente.

O pleito deixou alguns nomes conhecidos fora da Câmara. O apresentador Datena, pelo PSB, recebeu pouco mais de 51 mil votos e ficou em terceiro lugar em sua legenda, que elegeu apenas dois representantes. Do PT, José Dirceu, ex-presidente nacional e ex-ministro da Casa Civil, não conseguiu se reeleger, assim como Jean Wyllys e Rui Falcão. Pelo PL, ficaram de fora Nise Yamaguchi, alvo de críticas pela defesa da hidroxicloroquina durante a pandemia, Rita Zambelli, mãe da ex-deputada Carla Zambelli, e Padre Kelmon, que se candidatou à presidência em 2022. Entre os que conseguiram assegurar assento estão Baleia Rossi pelo MDB, Jilmar Tatto pelo PT, Celso Russomanno pelos Republicanos e o pastor Marco Feliciano pelo PL.

Pavanato defende a chamada 'família tradicional', que se opõe a configurações familiares diferentes do casamento entre homem e mulher
— Descrição de posicionamento político de Lucas Pavanato
Erika Hilton mantém em sua atuação como deputada federal pautas ligadas à violência contra pessoas trans e travestis, direitos LGBTQIA+, segurança alimentar, saúde pública e políticas sociais
— Descrição de posicionamento político de Erika Hilton
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