Phil Collins, aposentado por problemas de saúde na coluna, é homenageado em documentário que reúne depoimentos de bateristas renomados sobre sua influência nos anos 1980. O filme destaca como Collins modernizou o Genesis ao assumir vocais após Peter Gabriel e criou grooves emblemáticos que definiram a era, incluindo o icônico 'In The Air Tonight'.
Phil Collins volta à bateria em documentário que reconhece seu legado histórico
Ele usava o instrumento para servir à canção, não para exibir virtuosismo.
Por que um documentário sobre Phil Collins agora, quando ele está aposentado e frágil? Parece um pouco tardio.
Talvez seja exatamente por isso. Collins passou décadas sendo visto como o vocalista do Genesis ou como artista solo de baladas pop. Ninguém falava sobre sua bateria como a coisa mais importante que ele fez.
Mas o documentário consegue provar isso? Ou é só bateristas dizendo que Collins foi importante?
Há exemplos concretos. "In The Air Tonight", aquele fill de bateria que toda pessoa reconhece — foi criado espontaneamente. E em "Duke", ele modernizou o Genesis inteiro com sua abordagem rítmica.
E Collins mesmo, o que ele diz sobre tudo isso?
Ele é honesto de uma forma que surpreende. Diz que não é nem o maior fã do Genesis. Há coisas que ele gosta, outras que não apreciam. É uma confissão estranha vindo de alguém que ajudou a definir a banda.
Espera — ele realmente toca bateria no documentário? Porque a matéria diz que ele mal consegue segurar uma baqueta.
Sim, ele volta ao kit e toca algumas batidas. Não é uma performance completa, é mais um adeus. Seu filho Nic está lá, entrevistando-o em um château suíço, e você vê a fragilidade — voz arrastada, andar lento, bengala.
Isso deve ser emocionante de assistir.
É. Mas também há um detalhe físico importante: a posição da bateria que Phil usava por décadas exigia uma postura inclinada e prejudicial. Pode ter contribuído para os problemas de coluna que o forçaram a se aposentar.
Então o documentário está dizendo que a forma como ele tocava bateria o machucou?
Não exatamente. Está apontando que a ergonomia era ruim. Mas Collins escolheu servir à música, não ao conforto. Isso era quem ele era como músico.
O Pulso
- Phil Collins, 73 anos, aposentado por problemas na coluna vertebral
- Documentário 'Drummer First' lançado gratuitamente no YouTube
- Collins tocou em álbuns seminais do Genesis: 'Selling England by the Pound' (1973) e 'The Lamb Lies Down On Broadway' (1974)
- Seu filho Nic Collins herdou as baquetas em 2017 durante a turnê 'Not Dead Yet'
- O fill de bateria em 'In The Air Tonight' (1981) foi criado espontaneamente
Phil Collins, aposentado por problemas de saúde na coluna, é homenageado em documentário que reúne depoimentos de bateristas renomados sobre sua influência nos anos 1980. O filme destaca como Collins modernizou o Genesis ao assumir vocais após Peter Gabriel e criou grooves emblemáticos que definiram a era, incluindo o icônico 'In The Air Tonight'.
Documentário 'Drummer First' celebra a influência de Phil Collins na música pop e rock progressivo, mostrando o baterista frágil aos 73 anos retornando ao instrumento para relembrar sua carreira.
Phil Collins aos 73 anos mal consegue segurar uma baqueta. Cirurgias na coluna vertebral o deixaram frágil, a mobilidade comprometida, e há alguns anos ele se viu forçado a se afastar dos palcos — uma aposentadoria que contrasta com a vitalidade de Paul McCartney, que aos 82 ainda toca, ou Mick Jagger, aos 81, ainda em turnê. Mas agora, em um documentário lançado gratuitamente no YouTube chamado "Drummer First", Collins volta ao instrumento uma última vez, e o filme que o rodeia funciona como uma correção de contas histórica: reconhecimento tardio de um músico cuja influência na música pop e no rock progressivo foi tão profunda quanto frequentemente subestimada.
O documentário reúne depoimentos de bateristas de peso — Chad Smith do Red Hot Chili Peppers, Mike Portnoy do Dream Theater, Jonathan Moffett que tocou com Michael Jackson, e o brasileiro Eloy Casagrande do Slipknot, entre outros — todos explicando como Collins moldou o som dos anos 1980 com um groove corpulento que se tornou marca registrada da década. Mas sua importância vai além do timbre. Collins foi o baterista do Genesis durante seus anos mais decisivos: tocou em álbuns seminais como "Selling England by the Pound" (1973) e "The Lamb Lies Down On Broadway" (1974), discos que definiram o rock progressivo dos anos 1970. Quando Peter Gabriel saiu da banda em 1975, Collins enfrentou um desafio que poderia ter destruído sua carreira — assumir os vocais de um grupo liderado por um frontman teatral, bizarro, impossível de substituir. Tímido e de baixa estatura, ele não tinha o carisma óbvio de Gabriel. Mesmo assim, não apenas sobreviveu à transição como a transformou. Em "Duke" (1980), Collins modernizou completamente o som do Genesis, pivotando a banda para o pop sem perder a sofisticação. Essa guinada foi central para a fase mais bem-sucedida e comercialmente vitoriosa do grupo.
O que torna o documentário particularmente revelador é a honestidade de Collins sobre seu próprio legado. Em uma entrevista gravada em 2022 em um château suíço, ele admite não ser o maior fã do Genesis. "Não sou o maior fã do Genesis, sabe? Há coisas que eu gosto, outras das quais tenho orgulho, mas também algumas que não aprecio", diz. Há canções que ele gosta de revisitar, outras que preferiria deixar no passado. É uma confissão que humaniza o mito — Collins não é um homem preso ao próprio legado, mas alguém que o examina com distância crítica.
Seu filho caçula, Nic Collins, conduz grande parte do documentário com o papel duplo de entrevistador e fã. Nic herdou as baquetas do pai em 2017, quando integrou a turnê de despedida "Not Dead Yet", que trouxe shows memoráveis para São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Enquanto Nic passa pela discografia de seu pai com minúcia, o documentário intercala seus depoimentos com imagens do próprio Phil — e aqui a fragilidade é inescapável. Sua voz é arrastada, seu andar lento, ele se apoia em uma bengala. Mas seu humor irônico permanece intacto, afiado, tornando a conversa divertida apesar da deterioração física.
Em um momento particularmente tocante, Nic aponta um detalhe que pode ter contribuído para os problemas de saúde de seu pai: a posição da bateria que Phil usava exigia uma postura inclinada e prejudicial. Décadas de sessões de gravação e turnês nessa posição errada deixaram marcas. Mesmo assim, no documentário, Collins volta ao kit de bateria e toca algumas batidas, relembrado os velhos tempos. É um momento carregado de emoção — não é um retorno triunfal, mas um adeus consciente.
O filme articula uma tese central sobre o estilo de Collins como baterista: ele usava o instrumento para servir à canção, não para exibir virtuosismo. Isso o diferencia de muitos de seus contemporâneos. Seu estrelato começou com "Face Value" (1981), seu álbum de estreia solo, eternizado pela faixa "In The Air Tonight" e seu famoso fill de bateria — aquele momento que praticamente toda pessoa reconhece, criado de forma espontânea, conforme Collins revela. Nos anos 1980, havia uma sensação na indústria de que Collins era uma espécie de Rei Midas: tudo que tocava virava ouro. Ele foi chamado para produzir álbuns de Robert Plant e Eric Clapton, tocou em singles como "Woman In Chains" do Tears For Fears. Sua influência era onipresente.
"Drummer First" não é apenas um documentário sobre um músico em declínio físico. É um reconhecimento de que Collins, durante décadas, foi visto principalmente como o vocalista do Genesis ou como o artista solo de baladas pop — "You'll Be In My Heart", "Sussudio" — quando sua verdadeira genialidade residia na bateria, no groove, na forma como ele entendeu que um instrumento de percussão poderia ser tão narrativo quanto uma melodia. O documentário corrige essa injustiça histórica no momento em que Collins já não pode mais tocar. É um adeus que também é um reconhecimento tardio.
Citações Notáveis
Não sou o maior fã do Genesis. Há coisas que eu gosto, outras das quais tenho orgulho, mas também algumas que não aprecio.— Phil Collins, no documentário