PGR aceita delação de dono da Reag e envia acordo a Mendonça

Primeiro acordo de colaboração premiada na operação Compliance Zero
A PGR fecha negociação com Mansur, fundador da Reag, trazendo 17 temas sobre desvios no Banco Master.
Mark

Por que esse acordo de Mansur importa agora? Parece um movimento tático.

Mimi

É o primeiro acordo desse tipo na operação Compliance Zero. Significa que a PGR conseguiu alguém de dentro da estrutura que movimentava o dinheiro — não é um operador menor, é o fundador da gestora.

Luke

Mas a homologação ainda não aconteceu. Mendonça precisa ouvir Mansur e validar tudo. Até lá, é só um documento.

Mark

E se Mansur está oferecendo R$ 40 milhões de multa, o que ele espera ganhar com isso?

Mimi

Redução de pena, provavelmente. E proteção — uma vez que colabora, fica mais difícil processar com a mesma dureza.

Luke

Verdade, mas a gente não sabe ainda o que Mansur vai dizer sobre Vorcaro. A proposta tem 17 temas, mas ninguém viu o conteúdo.

Mark

Ele tentou negociar junto com Vorcaro antes. Por que separou?

Mimi

A PGR e a PF acharam que o que ele oferecia não era suficiente. Quando trocou de advogado, aparentemente conseguiu montar um pacote melhor.

Luke

Ou Vorcaro não quis colaborar e Mansur viu a oportunidade de se proteger primeiro.

Mark

E a Reag? A gestora vai sobreviver a isso?

Mimi

Mansur saiu da presidência em outubro de 2025. A gestora já estava se distanciando dele quando as investigações começaram a apertar.

Luke

Mas administrava R$ 341 bilhões. Clientes vão querer saber o que acontecia com seus fundos durante esse período de julho de 2023 a julho de 2024.

  • A PGR assinou o primeiro acordo de delação da operação Compliance Zero, sinalizando que as investigações sobre o Banco Master ganharam um colaborador de peso com acesso privilegiado às operações suspeitas.
  • Mansur ofereceu 17 temas sobre a atuação de Daniel Vorcaro e propôs pagar R$ 40 milhões — valores e detalhes que indicam uma negociação mais substancial do que a tentativa anterior, rejeitada pela PGR e pela Polícia Federal.
  • Investigadores apontam que a Reag administrou fundos usados para desviar recursos do Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, transformando a gestora de 'prestadora de serviços' em peça central do esquema investigado.
  • O acordo ainda depende de homologação por André Mendonça no STF, etapa que valida a legalidade do processo mas não confirma a veracidade das declarações — a palavra de Mansur ainda precisará ser confrontada com evidências.
  • A defesa de Mansur não se manifestou até o fechamento da reportagem, deixando sem resposta pública o alcance e as implicações do que o fundador da Reag está disposto a revelar.

No cruzamento entre o poder financeiro e a responsabilidade institucional, a Procuradoria Geral da República firmou seu primeiro acordo de colaboração premiada na operação Compliance Zero com João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos. O acordo, que inclui 17 temas sobre a conduta de Daniel Vorcaro no Banco Master e uma multa de R$ 40 milhões, aguarda homologação do ministro André Mendonça no STF antes de integrar formalmente as investigações. É um momento que lembra como os grandes arranjos do mercado financeiro raramente permanecem opacos para sempre — e como a colaboração, quando finalmente aceita, pode reconfigurar o mapa de uma investigação inteira.

A Procuradoria Geral da República fechou seu primeiro acordo de colaboração premiada na operação Compliance Zero com João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, que deverá avaliar se a negociação atende aos requisitos legais e se reflete vontade genuína do colaborador. Somente após essa homologação o material poderá ser incorporado formalmente às investigações — sem que a aprovação implique, por si só, a veracidade das declarações.

Mansur apresentou a proposta à PGR em 26 de agosto, trazendo pelo menos 17 temas centrados na atuação de Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Como parte do acordo, ofereceu o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões. Para os investigadores, a Reag funcionou como intermediária em operações suspeitas: administrou fundos que teriam sido usados para drenar recursos do Banco Master em direção a contas pessoais ou ao pagamento de propinas. O Banco Central identificou movimentações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust entre julho de 2023 e julho de 2024 — período em que o Master sustentava que a gestora atuava apenas como prestadora de serviços.

O caminho até esse acordo foi tortuoso. Mansur havia tentado negociar uma delação conjunta com Vorcaro, quando ambos compartilhavam o mesmo advogado. A PGR e a Polícia Federal rejeitaram as informações oferecidas naquele momento por considerá-las insuficientes. Diante da recusa, Mansur trocou de defesa e passou a negociar de forma independente — movimento que aparentemente abriu espaço para um acordo mais robusto.

Com mais de 35 anos de mercado financeiro, Mansur fundou a Reag em 2012 e presidiu seu conselho até outubro de 2025, quando a gestora administrava cerca de R$ 341,5 bilhões. Sua trajetória passa por PwC, Monsanto, Tishman Speyer e pelo setor de futebol, com passagens pelos conselhos do Palmeiras e pela negociação do Allianz Parque. Ele também foi alvo da operação Carbono Oculto, que apura fraudes no setor de combustíveis. A defesa de Mansur não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento da reportagem.

A Procuradoria Geral da República fechou seu primeiro acordo de colaboração premiada na operação Compliance Zero, desta vez com João Carlos Mansur, fundador da gestora de investimentos Reag. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que precisará validar se a negociação atende aos requisitos legais e se partiu de vontade genuína do colaborador. Apenas após essa homologação o material poderá ser incorporado formalmente às investigações — embora a aprovação de Mendonça não signifique, por si só, que tudo o que Mansur declarar seja verdadeiro.

O acordo chega carregado de detalhes. Mansur entregou a proposta à PGR no dia 26 de agosto, trazendo pelo menos 17 temas para discussão, com foco especial na atuação de Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Como parte do pacote, Mansur ofereceu o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões. Segundo os investigadores, a Reag funcionou como intermediária em operações suspeitas: administrou fundos que teriam sido usados por Vorcaro para drenar recursos do Banco Master, desviando-os para contas pessoais ou para o pagamento de propinas. O Banco Central, em sua própria investigação, identificou movimentações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust que se estenderam de julho de 2023 até julho de 2024, período em que o Master alegava que a gestora atuava apenas como prestadora de serviços.

O caminho até esse acordo não foi direto. Mansur havia tentado negociar uma delação conjunta com Vorcaro quando ambos eram representados pelo mesmo advogado, José Luís Oliveira Lima. A PGR e a Polícia Federal, porém, julgaram insuficientes as informações que Mansur oferecia naquele momento. Diante dessa rejeição, Mansur trocou de defesa e passou a negociar por conta própria, movimento que aparentemente abriu espaço para um acordo mais robusto.

Mansur é bacharel em ciências contábeis pela Faap e acumula mais de três décadas e meia de experiência no mercado financeiro. Fundou a Reag em 2012 e permaneceu como presidente do conselho de administração até outubro de 2025. Em seu auge, a gestora administrava cerca de R$ 341,5 bilhões. Sua trajetória profissional passa por nomes como PwC, Monsanto, Tishman Speyer, GetNinjas e Azevedo & Travassos. No setor de futebol, integrou conselhos do Palmeiras e participou das negociações para a construção do Allianz Parque quando trabalhava na WTorre. Ele também passou pela Trump Realty Brazil. Mansur afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento ao longo de sua carreira.

Sua trajetória recente, porém, foi marcada por investigações. Ele foi alvo tanto da operação Carbono Oculto, que apura fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, quanto da Compliance Zero, focada em suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master. A defesa de Mansur foi procurada para comentar o acordo de colaboração premiada, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. O texto será atualizado assim que houver manifestação.

A homologação permitirá que o material seja incorporado às investigações, mas não confirma, por si só, a veracidade das declarações
— Procuradoria Geral da República
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