PF investiga acionistas bilionários e executivos de bancos na fraude das Americanas

A fraude contábil das Americanas resultou em uma das maiores crises corporativas da história recente do Brasil, afetando acionistas, funcionários e credores da varejista.
Determinar se acionistas e banqueiros tiveram participação ou conhecimento prévio
O objetivo central da segunda fase da Operação Disclosure é esclarecer o grau de envolvimento de cada investigado no esquema de fraude.

Quando o colapso de uma grande corporação revela camadas de cumplicidade, a justiça é obrigada a escalar — da sala de operações aos conselhos de administração e às mesas dos banqueiros. A Polícia Federal, em sua segunda fase da Operação Disclosure, voltou seus olhos para acionistas bilionários e executivos de instituições financeiras que orbitavam as Americanas, buscando entender não apenas quem executou a fraude, mas quem a conhecia e a tolerou. Com bloqueios que podem alcançar R$ 54 bilhões, o Brasil enfrenta uma das investigações corporativas mais abrangentes de sua história recente.

  • A PF ampliou radicalmente o alcance da investigação, mirando agora os donos e os financiadores da varejista — não apenas seus gestores operacionais.
  • Três acionistas de referência das Americanas e cinco executivos de Itaú, Bradesco e Santander foram colocados sob escrutínio por possível conhecimento ou participação no esquema contábil.
  • Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, sinalizando a coordenação e a seriedade da ofensiva judicial.
  • A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados — valor que espelha a dimensão estimada dos prejuízos causados pela fraude.
  • A força-tarefa entre PF e Ministério Público Federal segue em curso, com novas medidas não descartadas enquanto se tenta separar os participantes ativos dos que apenas souberam e silenciaram.

A Polícia Federal deu um salto investigativo nesta quinta-feira ao deflagrar a segunda fase da Operação Disclosure, expandindo o foco da fraude contábil das Americanas para além dos executivos da varejista. Desta vez, os alvos são figuras que gravitavam ao redor da empresa como acionistas de referência e banqueiros de grandes instituições financeiras.

Entre os investigados estão Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Paulo Alberto Lemann e Eduardo Saggioro Garcia — apontado como operador direto dos sócios. A PF quer saber se essas pessoas tinham ciência das irregularidades ou se participaram ativamente delas. Vale notar que Jorge Paulo Lemann, pai de Paulo Alberto, não foi alvo das medidas desta fase.

O braço financeiro da investigação alcançou executivos do Itaú Unibanco, do Bradesco e do Santander — bancos que mantinham relações comerciais com a Americanas. As autoridades investigam se esses profissionais tinham conhecimento das operações que geraram as inconsistências contábeis que abalaram a companhia.

Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio autorizou o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 54 bilhões — montante estimado como equivalente aos prejuízos da fraude. A investigação segue aberta, e novas medidas não estão descartadas enquanto a força-tarefa tenta mapear com precisão o grau de responsabilidade de cada investigado.

A Polícia Federal ampliou significativamente o escopo de suas investigações sobre a fraude contábil das Americanas nesta quinta-feira, deflagrando a segunda fase da Operação Disclosure com o objetivo de determinar se acionistas bilionários e executivos de grandes bancos tiveram conhecimento ou participação no esquema que levou a uma das maiores crises corporativas do Brasil recente.

Os investigadores colocaram na mira três acionistas de referência da varejista: Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Paulo Alberto Lemann e Eduardo Saggioro Garcia, este último identificado como operador direto dos sócios. A Polícia Federal busca esclarecer se essas pessoas estavam cientes das irregularidades ou se participaram ativamente delas. Paulo Alberto Lemann é filho do empresário Jorge Paulo Lemann, que não foi alvo das medidas cumpridas nesta quinta-feira.

A operação também alcançou executivos de três grandes instituições financeiras que mantinham relacionamento comercial com a Americanas. Do Itaú Unibanco, foram investigados José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano. Pelo Bradesco, Carlos Henrique Villela Pedras. E pelo Santander, André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo. As autoridades pretendem apurar se esses profissionais tinham algum grau de envolvimento ou conhecimento sobre as operações que resultaram nas inconsistências contábeis da companhia.

Agentes da Polícia Federal cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e São Paulo. Os materiais recolhidos deverão auxiliar no aprofundamento das investigações conduzidas pela força-tarefa formada entre a PF e o Ministério Público Federal. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados, com um montante que pode chegar a R$ 54 bilhões, valor estimado pelas autoridades como correspondente aos prejuízos relacionados às fraudes.

A investigação continua em andamento e as autoridades não descartam novas medidas. O objetivo central desta fase é determinar o grau de responsabilidade de cada um dos investigados no esquema que desencadeou a crise da varejista, separando quem participou ativamente de quem tinha conhecimento prévio das operações irregulares.

A investigação pretende esclarecer se essas pessoas tinham conhecimento ou participação nas irregularidades investigadas
— Polícia Federal
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a Polícia Federal decidiu investigar acionistas e executivos de bancos especificamente nesta segunda fase?

Model

Porque a fraude não acontece isoladamente. Se houve manipulação contábil sistemática, é preciso saber quem sabia, quem autorizou, quem financiou. Os bancos eram parceiros comerciais — eles viam os números, faziam empréstimos, tinham acesso às operações.

Inventor

E os acionistas? Eles não deveriam estar atentos ao que acontecia na empresa?

Model

Teoricamente sim. Mas há uma diferença entre ser acionista e estar envolvido no dia a dia operacional. Por isso a investigação quer saber se eles tinham conhecimento ou participação direta. Eduardo Saggioro Garcia, por exemplo, é descrito como operador direto dos sócios — isso sugere que havia intermediários.

Inventor

O bloqueio de R$ 54 bilhões é uma quantia que corresponde aos prejuízos reais?

Model

É a estimativa das autoridades sobre o tamanho do estrago causado pela fraude. Não significa que todo esse dinheiro será recuperado, mas indica a escala do que foi investigado e perdido.

Inventor

E se descobrirem que alguns desses executivos de banco não sabiam de nada?

Model

Então serão isentados. A investigação está tentando separar responsáveis de inocentes. Nem todo mundo que estava próximo à fraude participou dela.

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