PF encontra sala-cofre e máquina de contar cédulas em hangar de advogado ligado a Flávio Bolsonaro

A ausência de dinheiro não encerrou as suspeitas
A PF achou sala-cofre com máquina de contar cédulas no hangar em Brasília, mas sem dinheiro.
Mark

O que exatamente a PF encontrou no hangar?

Mimi

Uma sala atrás de uma estrutura de madeira, com porta metálica reforçada, uma máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura gradeada dividida em setores.

Mark

E dinheiro?

Mimi

Nenhum. A PF quer saber se algo foi retirado entre a primeira busca e o retorno, por volta das 15h.

Luke

Convém separar as coisas: o que há é a descrição de uma sala e de equipamentos. A ideia de transporte de dinheiro por aeronaves é uma hipótese dos investigadores, não um fato comprovado.

Mark

Como a sala foi descoberta?

Mimi

Por uma denúncia anônima, recebida depois que a primeira inspeção terminou. Os policiais voltaram e removeram o obstáculo de madeira.

Luke

E não sabemos quem fez a denúncia nem qual a motivação. Também é só o relatório, obtido pelo Estadão; não vimos o documento.

Mark

O que diz a defesa?

Mimi

Willer Tomaz afirma que a sala e os equipamentos servem a empresas de transporte de valores clientes dele, e chama a tese de fantasiosa e ridícula.

Luke

Essa explicação também é uma declaração dele, ainda não verificada. E nada na reportagem liga Flávio Bolsonaro a qualquer irregularidade; a investigação mira Weverton Rocha.

Mark

O que pode esclarecer o caso?

Mimi

Digitais, diários de bordo, listas de passageiros e as imagens das câmeras do rancho.

  • Uma denúncia anônima fez a PF voltar aos hangares 36 e 37 e abrir, atrás de uma estrutura de madeira, uma porta metálica reforçada.
  • Dentro da sala havia uma segunda máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura gradeada dividida em setores, mas nenhum dinheiro.
  • A defesa de Willer Tomaz chama a suspeita de 'fantasiosa e ridícula' e afirma que os equipamentos atendem empresas de transporte de valores.
  • Os investigadores querem saber se alguma quantia saiu entre a primeira diligência e o retorno, e pedem perícia de digitais, diários de bordo e imagens do rancho para identificar quem entrou.

Num hangar do Aeroporto de Brasília, onde aviões particulares costumam pousar longe dos olhos do público, a Polícia Federal descobriu que uma parede de madeira escondia uma sala de aço, com máquina de contar cédulas e malas vazias prontas para carregar grandes somas. O achado liga-se ao advogado Willer Tomaz, amigo de figuras da política nacional, e à suspeita de ocultação de patrimônio que mira um senador. Ele nega tudo e fala em atividade legítima de empresas de transporte de valores, mas o silêncio do cofre vazio deixa em aberto a pergunta que os investigadores ainda tentam responder: o que ali esteve guardado, e para onde foi.

Foi depois que a equipe da Polícia Federal já tinha deixado os hangares do Aeroporto Internacional de Brasília que chegou uma denúncia anônima: havia uma sala escondida, possivelmente usada para guardar dinheiro. Os agentes voltaram por volta das 15h de 7 de agosto e encontraram, atrás de uma estrutura de madeira, uma porta metálica reforçada.

Os hangares 36 e 37 pertencem a empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A busca foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, em investigação sobre ocultação de patrimônio em benefício do senador Weverton Rocha. Na primeira etapa, quatro aeronaves foram apreendidas e listas de passageiros e diários de bordo copiados.

Na volta, a sala apareceu: uma segunda máquina de contar cédulas, malas vazias adequadas a grandes volumes e uma estrutura gradeada. Não havia dinheiro, e a PF quer saber se alguma quantia foi retirada no intervalo. Willer Tomaz negou tudo, disse que o espaço serve a empresas de transporte de valores e chamou a tese de ridícula.

A operação também chegou a um rancho do advogado em Planaltina de Goiás, com praia artificial, lago, motos aquáticas e um túnel subterrâneo, elementos que o relatório cita como sinal de alto patrimônio. Quatro dispositivos de câmeras foram apreendidos. Agora, a perícia de digitais e as imagens devem mostrar quem esteve na sala e nas aeronaves.

Foi depois de a equipe da Polícia Federal já ter deixado os hangares do Aeroporto Internacional de Brasília que chegou a informação capaz de mudar o rumo da operação: uma denúncia anônima falava de uma sala escondida, possivelmente usada para guardar dinheiro. Os agentes voltaram ao local por volta das 15h daquele 7 de agosto e, atrás de uma estrutura de madeira, encontraram uma porta metálica reforçada, aparentemente blindada.

Os hangares 36 e 37, na área de aviação executiva, são ocupados por duas empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A busca e apreensão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, numa investigação sobre suspeita de ocultação de patrimônio em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA). As informações constam de relatório da PF obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Na primeira etapa, os policiais apreenderam quatro aeronaves: um helicóptero Robinson R66 (2012), um avião Cessna 550 Bravo (2001), um helicóptero Helibras AS 350 B2 (2007) e outra aeronave Cessna, de 2000. Os aparelhos permaneceram nos hangares, sob responsabilidade de uma funcionária de uma das empresas. Os agentes também copiaram listas de passageiros e diários de bordo dos últimos anos, para identificar quem usava as aeronaves, oferecidas comercialmente como táxi aéreo.

Na volta, os policiais notaram alterações estruturais numa área do hangar. Removido o obstáculo de madeira e aberta a segunda porta, surgiu uma sala reservada, com características de ambiente de custódia de valores. Havia uma segunda máquina de contar cédulas — outra já fora apreendida no escritório do advogado —, malas vazias consideradas adequadas ao transporte de grandes volumes de dinheiro e uma estrutura interna gradeada, dividida em setores.

Não havia dinheiro. Para os investigadores, isso não encerra a questão: eles querem apurar se alguma quantia foi retirada entre a primeira diligência e o retorno. A PF pediu perícia papiloscópica, para coletar impressões digitais e esclarecer quem tinha acesso à sala. Na avaliação do relatório, a combinação de estrutura, equipamentos de contagem e aeronaves particulares justifica aprofundar a hipótese de transporte de dinheiro em espécie.

Willer Tomaz rejeitou as suspeitas em nota. Segundo ele, a sala-cofre e os equipamentos ficam nos hangares das empresas de aviação e são essenciais para atender empresas de transporte de valores de seu portfólio. Classificou como “fantasiosa e ridícula” a tese de que o espaço serviria para contar ou guardar recursos de origem não declarada.

A mesma operação chegou a um rancho do advogado em Planaltina de Goiás, no Entorno do DF. A propriedade já havia aparecido numa foto em que Weverton Rocha surge com outros políticos do Centrão numa piscina; o vazamento da imagem também é investigado pela PF. Os agentes registraram uma praia artificial, um lago com píeres, construções à beira da água, motos aquáticas e um túnel subterrâneo ligando partes do terreno separadas por uma via pública, elementos que o relatório cita como indício de elevada capacidade patrimonial.

Na sala de monitoramento do rancho, foram apreendidos quatro dispositivos de armazenamento do sistema de câmeras, para reconstituir a movimentação de pessoas, veículos e bens. Agora, a perícia de digitais, os diários de bordo e as imagens do rancho devem indicar quem acessou a sala e as aeronaves.

É fantasiosa e ridícula a tese de que a sala seria usada para contar ou guardar recursos de origem não declarada.
— Willer Tomaz, advogado, em nota
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