No Rio de Janeiro, a Polícia Federal aprofundou sua investigação sobre um esquema que revela como estruturas do Estado podem ser convertidas em instrumentos de benefício privado. A segunda fase da Operação Sem Refino mirou o ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi e outros agentes públicos suspeitos de conceder licenças ambientais irregulares à Refinaria de Manguinhos em troca de contrapartidas ilícitas. O caso lembra que a corrupção raramente é um ato solitário — ela exige arquitetura, cumplicidade e a paciência de quem constrói sistemas para durar.
PF deflagra segunda fase contra ex-secretário do Rio em operação sobre fraudes ambientais
Licenças concedidas à revelia das diretrizes técnicas
Por que a Polícia Federal decidiu intensificar a investigação agora, meses depois da primeira fase?
O Supremo Tribunal Federal havia fixado diretrizes para que a PF investigasse conexões entre grupos criminosos e agentes públicos no Rio. A primeira fase prendeu o empresário Ricardo Magro em maio, mas a investigação precisava aprofundar como o governo estadual inteiro estava envolvido no esquema.
Mas Magro está em Miami. Como a investigação avança contra alguém que não está no Brasil?
A investigação não depende apenas dele. O foco agora é desmantelar a estrutura dentro do governo que permitia as fraudes. Rossi, Castro e outros servidores públicos estão no Brasil.
Quantas pessoas estão sendo investigadas nesta segunda fase?
Os mandados foram expedidos para 16 endereços. Não há um número exato de investigados divulgado, mas a teia envolve pessoas em múltiplos órgãos estaduais.
Espera — a investigação aponta que órgãos como a Procuradoria-Geral do Estado e o Tribunal de Justiça estavam envolvidos? Como se prova isso?
A Polícia Federal suspeita que servidores recebiam contrapartidas indevidas. Mas você está certo em questionar: a investigação ainda está em fase de apuração. Não há condenações ainda.
Qual é o crime mais grave que eles podem enfrentar?
Lavagem de capitais é provavelmente o mais sério. Mas também há gestão fraudulenta, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica.
E a Refit? A refinaria continua operando?
A fonte não especifica. Mas o ponto é que as licenças ambientais eram concedidas irregularmente para permitir que ela continuasse funcionando.
Isso afeta outras investigações no Rio?
Sim. A ADPF das Favelas abriu caminho para a PF investigar conexões entre crime organizado e agentes públicos. Esta operação é parte dessa estratégia maior.
Le Pouls
- Dezesseis mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente no Rio, sinalizando que a investigação atingiu um novo patamar de abrangência e urgência.
- O esquema envolvia múltiplos órgãos estaduais — Fazenda, Procuradoria-Geral, Instituto Estadual do Ambiente e até membros do Tribunal de Justiça — revelando uma teia institucional difícil de desmontar.
- Ricardo Magro, dono da Refit e considerado foragido desde maio, permanece em Miami enquanto a Justiça brasileira tenta alcançá-lo, deixando o núcleo empresarial do esquema ainda fora do alcance imediato.
- A operação decorre de determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que transferiu à PF a condução de investigações sobre grupos criminosos organizados e suas conexões com o poder público fluminense.
- Os investigados enfrentam uma lista extensa de acusações — lavagem de capitais, sonegação, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica — indicando que o desfecho jurídico pode ser longo e complexo.
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal aprofundou sua investigação sobre um esquema que revela como estruturas do Estado podem ser convertidas em instrumentos de benefício privado. A segunda fase da Operação Sem Refino mirou o ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi e outros agentes públicos suspeitos de conceder licenças ambientais irregulares à Refinaria de Manguinhos em troca de contrapartidas ilícitas. O caso lembra que a corrupção raramente é um ato solitário — ela exige arquitetura, cumplicidade e a paciência de quem constrói sistemas para durar.
Na manhã de 14 de agosto, agentes da Polícia Federal cumpriram 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro na segunda fase da Operação Sem Refino. Entre os alvos estava Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente, investigado por fraudes na concessão de licenças ambientais à antiga Refinaria de Manguinhos, a Refit. Um endereço ligado ao ex-governador Cláudio Castro também foi alvo das buscas.
O esquema apurado era estrutural: licenças ambientais concedidas de forma arbitrária, ignorando os órgãos técnicos competentes, permitiam que a refinaria operasse enquanto capitais ilícitos eram ocultados dentro do sistema. Servidores e gestores públicos teriam recebido contrapartidas indevidas para manter a engrenagem funcionando. A investigação identificou conexões com a Secretaria de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente e membros do Tribunal de Justiça.
No centro da trama estava Ricardo Magro, proprietário da Refit, que desde maio — quando o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva na primeira fase da operação — reside em Miami e é considerado foragido da Justiça brasileira. A segunda fase buscava desarticular o sistema que tornava possíveis as concessões irregulares, indo além dos indivíduos para atacar a estrutura que os sustentava.
Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica no setor de combustíveis. A operação tem origem em diretrizes do STF fixadas no julgamento da ADPF 635 — a ADPF das Favelas —, que determinou à PF a condução de investigações sobre grupos criminosos organizados no Rio e suas conexões com agentes públicos.
Na manhã de sexta-feira, 14 de agosto, agentes da Polícia Federal saíram às ruas do Rio de Janeiro com 16 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estava Bernardo Rossi, ex-secretário estadual do Ambiente, investigado por um esquema que atravessava as estruturas do governo fluminense. A operação, segunda fase da chamada Operação Sem Refino, apurava fraudes na concessão de licenças ambientais e crimes de lavagem de dinheiro ligados à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
O núcleo da investigação era simples em sua corrupção: licenças ambientais sendo concedidas de forma arbitrária, ignorando completamente as diretrizes dos órgãos técnicos competentes. Essas autorizações irregulares permitiam que a refinaria de petroquímicos continuasse operando enquanto capitais ilícitos eram ocultados dentro do sistema. A Polícia Federal apontava que servidores e gestores públicos recebiam contrapartidas indevidas para manter a máquina funcionando fora dos marcos legais. O ex-governador Cláudio Castro também teve um de seus endereços alvo de buscas nesta segunda fase.
A investigação revelava uma teia que se estendia por múltiplos órgãos estaduais. A Secretaria Estadual de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente — órgão que havia sido comandado por Rossi — e membros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro todos apareciam nas apurações como parte de uma estrutura deliberadamente utilizada para beneficiar o grupo empresarial. Ricardo Magro, proprietário da Refit, era o empresário no centro da trama, embora residisse em Miami e fosse considerado foragido da Justiça brasileira desde sua prisão preventiva decretada em maio.
A primeira fase da operação havia começado em 15 de maio, quando o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva de Magro. Naquela ocasião, Castro já havia sido alvo de buscas, e os investigadores já apontavam como a estrutura governamental fluminense vinha sendo instrumentalizada para favorecer os negócios do empresário. Agora, com a segunda fase, a investigação se aprofundava, buscando desarticular o sistema que permitia as concessões irregulares.
Os investigados — incluindo Rossi e os demais envolvidos — poderiam responder por uma lista extensa de crimes: gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica do setor de comercialização de combustíveis. A Operação Sem Refino 2 decorria de diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como a ADPF das Favelas, que havia determinado que a Polícia Federal assumisse a condução de investigações sobre operações de grupos criminosos organizados no Rio e suas conexões estruturais com agentes públicos locais.
O que emergia das apurações era um padrão: não se tratava de atos isolados de corrupção, mas de um esquema onde o governo estadual funcionava como engrenagem para a continuidade das atividades da empresa e para a ocultação de capitais ilícitos. Cada licença concedida irregularmente era um passo a mais na consolidação de uma estrutura que permitia que uma refinaria operasse à margem das exigências legais, enquanto recursos ilícitos circulavam pelo sistema.
Citations marquantes
A estrutura do governo fluminense vinha sendo utilizada deliberadamente para beneficiar o grupo empresarial controlado por Magro— Polícia Federal