Em um dos maiores esquemas de fraude bancária da história recente do Brasil, a Polícia Federal concluiu que cerca de R$ 17 bilhões foram movimentados em operações fictícias entre o Banco Master e o Banco de Brasília — um banco estatal convertido em instrumento de transferência de riqueza para uma instituição privada em colapso. O mecanismo, sofisticado e deliberado, envolveu documentos falsificados, dados manipulados e uma empresa de fachada, com a cumplicidade ativa da cúpula do BRB. O que resta é um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado, e a pergunta que toda crise de confiança
PF conclui que fraudes Master-BRB somaram R$ 17 bi com produção massiva de documentos falsos
Suprimiu controles. Flexibilizou limites. Tudo para favorecer o Banco Master.
Como exatamente a Tirreno funcionava nesse esquema? Era uma empresa de verdade ou apenas um nome no papel?
Segundo a investigação, a Tirreno era uma empresa de fachada — aberta especificamente para servir como veículo de emissão e circulação desses ativos fictícios. Ela recebia créditos e os repassava ao Master, que vendia para o BRB. Era um intermediário sem substância.
Mas a PF não detalha se havia pessoas físicas por trás da Tirreno, se ela tinha funcionários reais, se havia alguma operação legítima acontecendo. Sabemos que era fachada, mas não sabemos exatamente como ela funcionava no dia a dia.
E por que o BRB continuou comprando essas carteiras mesmo com alertas técnicos e jurídicos?
A PF diz que a diretoria do BRB suprimiu controles de governança e flexibilizou limites prudenciais. Havia pressão para favorecer o Master, e os alertas foram ignorados.
Mas a investigação não explica por que a diretoria faria isso. Havia benefício pessoal? Pressão política? Vorcaro tinha influência sobre Paulo Henrique Costa? Isso fica em aberto.
Quanto do prejuízo de R$ 20 bilhões já foi recuperado?
Nenhuma quantia foi recuperada até agora. O BRB herdou o prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.
E isso significa que depositantes do BRB estão arcando com a perda? Ou o governo federal vai cobrir? A PF não responde isso, e é uma pergunta importante.
O que acontece agora com Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro?
A PF concluiu a investigação e apontou corrupção explícita de Paulo Henrique Costa. Mas a defesa de Vorcaro não se manifestou, e não há informação sobre próximos passos legais.
Exatamente — a investigação terminou, mas não sabemos se há denúncia, se há processo, se há prisão preventiva. A PF concluiu, mas a Justiça ainda não agiu.
Le Pouls
- A PF concluiu que R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB eram fictícias — sustentadas por documentos falsos, dados manipulados e uma empresa de fachada chamada Tirreno.
- O Banco Master, sem capacidade real de gerar crédito consignado em escala bilionária, vendia carteiras inexistentes ao BRB, que as comprava com aprovações aceleradas e sem os controles exigidos pela própria governança interna.
- O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é apontado pela PF como responsável por 'prática de corrupção explícita', enquanto a diretoria do banco suprimiu alertas técnicos e pareceres jurídicos para viabilizar as aquisições.
- O Banco Central rejeitou a tentativa do BRB de comprar o Master em 2025; o Master foi liquidado e o BRB herdou um rombo bilionário que ainda não foi totalmente mensurado.
- Os prejuízos recaem sobre um banco público com depositantes e responsabilidades coletivas — e as defesas dos principais envolvidos não responderam às perguntas da imprensa até o fechamento da reportagem.
Em um dos maiores esquemas de fraude bancária da história recente do Brasil, a Polícia Federal concluiu que cerca de R$ 17 bilhões foram movimentados em operações fictícias entre o Banco Master e o Banco de Brasília — um banco estatal convertido em instrumento de transferência de riqueza para uma instituição privada em colapso. O mecanismo, sofisticado e deliberado, envolveu documentos falsificados, dados manipulados e uma empresa de fachada, com a cumplicidade ativa da cúpula do BRB. O que resta é um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado, e a pergunta que toda crise de confiança institucional carrega: quem, afinal, guardava os guardiões?
A Polícia Federal encerrou sua investigação sobre o esquema envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília com uma conclusão que expõe a magnitude da operação: cerca de R$ 17 bilhões foram movimentados em transações que nunca tiveram existência real. O mecanismo era deliberado — documentos falsificados em massa, manipulação de dados internos e uma empresa de fachada chamada Tirreno atuando como intermediária, tudo com a participação ativa da cúpula do BRB, especialmente seu então presidente Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, apontado pela PF como responsável por corrupção explícita.
O esquema tinha uma lógica clara: o Master, em crise de liquidez desde 2024, vendia ao BRB carteiras de crédito consignado que não tinham fundamento real. A Tirreno recebia créditos fictícios e os repassava ao Master, que os comercializava adiante como se fossem ativos legítimos. O objetivo era criar aparência de lastro financeiro para operações materialmente insubsistentes. Na ponta receptora, a diretoria do BRB aprovava as compras em ritmo acelerado, contornando pareceres jurídicos e suprimindo controles de governança — mesmo diante de alertas técnicos explícitos e impedimentos identificados por auditoria.
O desfecho foi amargo para o banco estatal. Em 2025, o Banco Central rejeitou a tentativa do BRB de adquirir o Master para consolidar o negócio. O Master foi liquidado. O BRB ficou com um prejuízo que a PF estima em R$ 20 bilhões em transferências incompatíveis com a saúde da instituição — valor ainda não totalmente calculado nem coberto. Um banco público, com depositantes e responsabilidades coletivas, foi usado como instrumento para drenar recursos em direção a uma instituição privada em colapso. Os custos dessa operação ainda estão sendo contabilizados.
A Polícia Federal fechou sua investigação sobre um dos maiores esquemas de fraude bancária do país com uma conclusão devastadora: entre o Banco Master e o Banco de Brasília, foram movimentados cerca de R$ 17 bilhões em operações que nunca existiram de verdade. O mecanismo era sofisticado e deliberado — documentos falsificados em massa, dados internos manipulados, uma empresa de fachada chamada Tirreno funcionando como intermediária — tudo orquestrado com a participação ativa da cúpula administrativa do BRB, especialmente seu então presidente Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.
O esquema funcionava assim: o Banco Master, que enfrentava problemas graves de liquidez a partir de 2024, começou a vender carteiras de crédito para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Mas essas carteiras não tinham fundamento real. O Master não possuía histórico nem capacidade operacional para gerar volumes de crédito consignado nos patamares bilionários que estava comercializando. A Tirreno entrava como intermediária, recebendo créditos fictícios e repassando-os ao Master, que os vendia adiante. O objetivo era simples: criar a aparência de lastro financeiro para operações que eram materialmente insubsistentes.
Na ponta receptora, a diretoria do BRB aprovava essas compras com "trâmite frequentemente acelerado", contornando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao Conselho de Administração. A Polícia Federal documentou que mesmo diante de alertas técnicos explícitos, de impedimentos identificados por auditoria e da ausência clara de fundamento financeiro, o BRB persistiu nas aquisições. Suprimiu controles de governança. Flexibilizou limites prudenciais. Tudo para favorecer o Banco Master.
O custo dessa operação recaiu inteiramente sobre o BRB. Em 2025, quando o banco estatal tentou comprar o Master para consolidar o negócio, o Banco Central rejeitou a operação. O Master foi liquidado. E o BRB ficou com um prejuízo bilionário que ainda não foi totalmente calculado nem coberto. A Polícia Federal quantificou em R$ 20 bilhões o total de transferências que saíram do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a saúde da instituição. Paulo Henrique Costa, o ex-presidente, foi apontado pela PF como responsável por "prática de corrupção explícita".
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não se manifestou sobre as conclusões. O Estadão tentou contato com os advogados do ex-presidente do BRB, sem resposta até o fechamento desta reportagem. O que fica claro é que um banco estatal, com depositantes e responsabilidades públicas, foi usado como instrumento para transferir recursos a uma instituição privada através de operações que nunca tiveram existência real. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados.
Citations marquantes
Operações fictícias ou materialmente insubsistentes foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com conivência da alta administração do BRB— Polícia Federal, em conclusão de investigação
Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança— Relatórios da Polícia Federal