PF apreende no Paraguai avião de Vorcaro que voava após prisão

O avião continuou voando enquanto seu dono negociava delação na prisão
A aeronave realizou 16 voos internacionais em cinco meses, passando por Nova York, Mônaco e Dubai, apesar de estar sob bloqueio judicial.
Mark

Como um avião bloqueado judicialmente consegue continuar voando por cinco meses?

Mimi

Essa é a pergunta central. Havia duas ordens judiciais de bloqueio registradas, mas aparentemente ninguém estava monitorando o avião ou impedindo sua operação. Vorcaro estava preso negociando delação, mas alguém tinha acesso às chaves, aos documentos de voo, aos pilotos.

Mark

E ninguém sabia quem estava usando o jato?

Mimi

Não há registros públicos de passageiros. A defesa dele não explicou nada. O avião saía de Assunção, ia para Dubai, Nova York, Mônaco, voltava para Assunção. Sempre o Paraguai como ponto de partida ou chegada. Nunca Brasil.

Mark

Por que nunca Brasil?

Mimi

Provavelmente porque aqui haveria mais risco de detecção. No Paraguai, aparentemente, era possível operar com mais liberdade. A holding dele, a Viking, tinha registros formais, mas ninguém estava fiscalizando o que realmente acontecia.

Mark

Quanto custou esse avião?

Mimi

Cento e vinte milhões de reais. Era o mais caro da frota. Vorcaro o comprou em 2023, dois anos antes de ser preso. Usava para seus próprios deslocamentos ou emprestava a terceiros.

Mark

E agora?

Mimi

Agora está em Brasília, apreendido. O juiz vai decidir se vende, se usa para algum órgão público, ou se mantém apreendido. Mas a questão que fica é: como isso foi permitido acontecer?

  • Um jato de 120 milhões de reais realizou 16 voos internacionais em cinco meses enquanto seu dono estava preso — passando por Nova York, Mônaco e Dubai sem jamais tocar solo brasileiro.
  • A aeronave operava sob duas ordens judiciais de bloqueio que, na prática, não impediram nenhum de seus deslocamentos, expondo uma lacuna grave na fiscalização de bens de alto valor.
  • Ninguém explicou quem estava a bordo: a defesa de Vorcaro não se pronunciou publicamente, e não há registros de passageiros nem de sublocação da aeronave a terceiros.
  • A PF localizou o jato em Assunção — cidade que aparecia consistentemente como ponto de partida ou chegada de cada viagem — e o transferiu para Brasília no domingo 16 de agosto.
  • O caso agora aguarda o juízo responsável, que decidirá entre alienação antecipada, destinação a órgãos públicos ou manutenção da apreensão.

Enquanto Daniel Vorcaro, fundador do banco Master, negociava os termos de uma delação premiada atrás das grades, seu jato particular continuava cruzando fronteiras entre continentes — uma contradição que a Polícia Federal encerrou no último fim de semana com a apreensão da aeronave em Assunção, no Paraguai. O episódio coloca em evidência uma questão mais ampla sobre a efetividade dos instrumentos judiciais de bloqueio patrimonial: ordens existem no papel, mas bens continuam em movimento. A destinação final do Gulfstream, avaliado em cerca de 120 milhões de reais, aguarda decisão judicial.

Na manhã de sábado, 15 de agosto, agentes da Polícia Federal chegaram a Assunção com um objetivo preciso: localizar e imobilizar o Gulfstream GV-SP de prefixo PR-PSE, a aeronave mais valiosa da frota pessoal de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro, fundador do banco Master, está preso desde 4 de março deste ano e vinha negociando os termos de uma delação premiada. Seu jato, no entanto, não parou.

Adquirido em junho de 2023 por cerca de 120 milhões de reais e registrado em nome da Viking, holding patrimonial de Vorcaro, o avião acumulou dezesseis voos internacionais ao longo dos cinco meses seguintes à prisão do dono. O roteiro percorreu Nova York, Mônaco, Dubai e múltiplos destinos na América do Sul, Europa e Oriente Médio — sem pousar uma única vez em território brasileiro. Assunção aparecia de forma consistente como ponto de origem ou destino final de cada trajeto.

O que torna o caso juridicamente delicado é que a matrícula da aeronave estava sujeita a duas ordens distintas de bloqueio judicial, que proibiam sua venda ou transferência. Ainda assim, o jato operou livremente. A defesa de Vorcaro não ofereceu explicações públicas sobre quem utilizava a aeronave ou com qual finalidade, e não há registros de sublocação a terceiros no Registro Aeronáutico Brasileiro.

No domingo 16, o Gulfstream foi transferido de Assunção para Brasília, onde passará por inspeção técnica e pelos trâmites judiciais cabíveis. Caberá ao juízo responsável definir o destino final do bem: alienação antecipada, destinação a órgãos públicos ou manutenção da apreensão. O episódio deixa no ar uma pergunta incômoda sobre até que ponto bloqueios judiciais são capazes de conter, na prática, a movimentação de patrimônios de grande valor.

No sábado 15 de agosto, agentes da Polícia Federal localizaram e apreenderam um avião em Assunção, no Paraguai. A aeronave pertencia a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro que fundou o banco Master e que se encontra preso desde março deste ano. O que torna o caso particularmente intrigante é que o jato continuou operando internacionalmente durante todo o período em que seu proprietário estava detido negociando os termos de uma delação premiada.

O Gulfstream modelo GV-SP, prefixo PR-PSE, foi adquirido por Vorcaro em junho de 2023 por aproximadamente 120 milhões de reais e estava registrado em nome da Viking, sua holding patrimonial. Tratava-se da aeronave mais valiosa de sua frota, que contava com três jatos no total. Desde sua prisão em 4 de março, a aeronave realizou dezesseis voos internacionais ao longo de cinco meses, percorrendo uma rota que incluía Nova York, Mônaco, Dubai e diversos outros destinos espalhados pela América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio. Curiosamente, em nenhum momento o avião pousou em território brasileiro.

Os registros de localização da aeronave mostram que Assunção funcionava consistentemente como ponto de origem ou destino final de cada jornada. A defesa de Vorcaro não forneceu explicações públicas sobre quem estava utilizando o avião durante esse período ou qual era o propósito de seus deslocamentos. Não existem registros acessíveis sobre a identidade dos passageiros que viajaram a bordo. Também não há documentação no Registro Aeronáutico Brasileiro indicando que a aeronave tivesse sido sublocada a terceiros durante esses meses.

O caso apresenta uma complicação legal adicional: a matrícula da aeronave estava sujeita a duas ordens judiciais distintas determinando seu bloqueio, o que significa que ela não poderia ser vendida, transferida ou, teoricamente, utilizada de forma irregular. Apesar dessas restrições formais, o jato continuou operando livremente. A aeronave foi transportada de Assunção para Brasília no domingo 16 de agosto e será submetida a inspeção técnica e aos procedimentos judiciais apropriados.

A decisão sobre o destino final do avião caberá ao juízo responsável pelo caso. As opções incluem uma alienação antecipada, a destinação para uso específico por órgãos públicos, ou simplesmente manter a aeronave apreendida. O episódio levanta questões sobre a efetividade dos bloqueios judiciais de bens e sobre como uma aeronave de alto valor conseguiu continuar operando internacionalmente enquanto seu proprietário estava sob custódia negociando um acordo com a justiça.

A defesa de Vorcaro não explica os motivos para o uso do avião, e não há registros públicos dos passageiros
— Polícia Federal
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