PF aponta triangulação de R$ 6,1 mi em contrato de wi-fi de SP e indícios de lavagem de dinheiro

recursos públicos retornavam para a esfera de disponibilidade dos responsáveis
Descrição do ministro Flávio Dino sobre o padrão de movimentações financeiras que sugeria desvio de dinheiro público.
Mark

Como funciona exatamente essa triangulação que a PF descobriu?

Mimi

Dinheiro sai do Instituto Conhecer Brasil, vai para empresas terceirizadas que trabalham no contrato de wi-fi, e depois essas mesmas empresas transferem recursos para a Academia Nacional de Cultura. As duas entidades pertencem a Karina da Gama e ficam no mesmo endereço.

Luke

Mas a questão é: as empresas terceirizadas fizeram trabalho real no contrato de wi-fi? Porque se fizeram, então receber dinheiro é legítimo. O que torna isso suspeito é se o dinheiro saiu sem contrapartida de serviço.

Mimi

A PF aponta que os recursos retornavam para a esfera de disponibilidade dos responsáveis pela organização social, o que sugere desvio. Mas você está certo — a defesa da Complexsys diz que a perícia independente prova que não há relação com o filme.

Mark

E quanto ao filme Dark Horse? Por que a operação foi contra a produtora?

Luke

Esse é o ponto que ainda não está claro no relatório. A operação foi autorizada, mas a conexão entre o esquema de wi-fi e o financiamento do filme não está explicitada aqui.

Mimi

A investigação sugere que o dinheiro público do wi-fi pode ter sido desviado para financiar a produção. Mas a prefeitura nega que o filme recebeu recursos municipais.

Mark

Então temos acusações de lavagem de dinheiro, mas ainda não sabemos se o dinheiro realmente chegou ao filme?

Luke

Exatamente. Sabemos que R$ 6,1 milhões circularam de forma suspeita. Sabemos que três empresários foram proibidos de deixar o Brasil. Mas a conexão final com Dark Horse ainda é investigação em andamento.

Mimi

E a defesa de Karina diz que ela colaborou voluntariamente, entregando 20 mil laudas de documentos. Isso pode ser relevante para o julgamento.

Mark

Mas se ela estava colaborando, por que a PF fez a operação com buscas e apreensões?

Luke

Boa pergunta. A defesa questiona justamente isso — ela diz que a operação pode ter violado competência. Mas o ministro Flávio Dino autorizou, então havia base legal suficiente para proceder.

  • R$ 6,1 milhões teriam saído de uma entidade de Karina da Gama, passado por empresas terceirizadas e retornado a outra entidade sua — tudo dentro de um contrato público de R$ 157 milhões.
  • O ministro Flávio Dino autorizou buscas e apreensões, descrevendo o esquema como forte indício de desvio de recursos públicos com contornos de lavagem de dinheiro.
  • Três empresários — André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira — foram alvo da operação e estão proibidos de deixar o Brasil.
  • A defesa de Karina da Gama alega colaboração voluntária e entrega de mais de 20 mil laudas de documentos, enquanto questiona a competência da operação no STF.
  • A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades no contrato e reafirma que o programa Wifi Livre segue ativo, com 3.200 pontos e mais de 760 milhões de acessos registrados.

Em São Paulo, uma investigação da Polícia Federal revela como o dinheiro público pode percorrer caminhos tortuosos antes de retornar às mãos de quem o originou. R$ 6,1 milhões teriam circulado entre entidades e empresas ligadas à empresária Karina da Gama, no âmbito de um contrato de R$ 157 milhões para o programa de wi-fi municipal — um padrão que o ministro Flávio Dino descreveu como indício de desvio e lavagem de dinheiro. A operação, deflagrada em setembro de 2026, lembra que a transparência no uso de recursos públicos não é apenas uma exigência burocrática, mas uma condição da confiança coletiva.

Na manhã de 10 de setembro de 2026, a Polícia Federal deflagrou uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mirando a produtora do filme Dark Horse e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. O gatilho foi um relatório federal que identificou uma movimentação financeira suspeita de R$ 6,1 milhões — dinheiro que, segundo a investigação, saía do Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina, era repassado a empresas terceirizadas e retornava à Academia Nacional de Cultura (ANC), também de sua propriedade. As duas organizações funcionam no mesmo endereço, nos Jardins, em São Paulo.

O contrato que originou os recursos era o do programa de wi-fi da Prefeitura de São Paulo, firmado com o ICB pelo valor de R$ 157 milhões. As empresas identificadas no circuito foram a Complexsys e a Fastfuture, do casal André e Débora Feldman, a Ultra IP, de William Silva Ferreira, e a Distribuidora LMS. Os valores repassados à ANC foram detalhados com precisão pela PF, somando R$ 6.175.273,64. Para o ministro Dino, o padrão era claro: recursos públicos pagos ao Instituto retornavam ao controle dos responsáveis pela organização, configurando potencial desvio e lavagem de dinheiro.

Os três empresários envolvidos foram alvo de buscas e apreensões e tiveram o passaporte retido. A defesa de Karina da Gama reagiu com uma nota afirmando colaboração voluntária — ela teria entregado mais de 20 mil laudas à PF na semana anterior — e ajuizou reclamação constitucional no STF questionando a competência da operação, sem contestar o mérito. A Complexsys, por sua vez, sustentou que seus recursos foram usados exclusivamente na manutenção da rede de wi-fi, sem qualquer ligação com o filme.

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes, rejeitou qualquer associação entre o contrato municipal e a produção cinematográfica, reafirmando que o Wifi Livre segue em pleno funcionamento. A Controladoria Geral do Município informou acompanhar as investigações desde as primeiras denúncias e ter instaurado procedimento formal em maio de 2026.

Na quinta-feira, 10 de setembro, a Polícia Federal executou uma operação contra a produtora do filme Dark Horse, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal. O que desencadeou a ação foi um relatório federal apontando indícios de uma movimentação financeira complexa: pelo menos R$ 6,1 milhões teriam circulado entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama de forma que sugeria desvio de recursos públicos e possível lavagem de dinheiro.

O esquema, segundo a investigação, funcionava assim: dinheiro saía do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização de propriedade de Karina da Gama, e era repassado a empresas terceirizadas contratadas para trabalhar no programa de wi-fi da Prefeitura de São Paulo. Essas mesmas empresas, em seguida, transferiam recursos para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade em nome de Karina da Gama. As duas organizações funcionam no mesmo endereço nos Jardins, no centro de São Paulo. O contrato de wi-fi entre o ICB e a prefeitura tinha valor de R$ 157 milhões.

As empresas usadas nesse circuito foram identificadas pela PF: Complexsys Soluções Integradas Ltda. e Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., ambas do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman; Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., do empresário William Silva Ferreira; e Distribuidora de Produtos LMS Ltda. Os números são específicos. A Complexsys repassou R$ 2.626.949,69 e R$ 1.308.986,33 para a ANC. A Ultra IP transferiu R$ 1.336.201,50. A Fastfuture, R$ 603.136,12. A Distribuidora LMS, R$ 300 mil. O total chegou a R$ 6.175.273,64.

No documento que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino descreveu o padrão observado: a ANC aparecia repetidamente como destinatária de recursos provenientes de diferentes empresas financiadas pelo ICB. As movimentações, segundo sua análise, apresentavam fortes indícios de que recursos públicos pagos ao Instituto retornavam para a esfera de disponibilidade dos responsáveis pela organização social de cultura, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro.

Três empresários foram alvo de buscas e apreensão naquela quinta-feira: André Feldman, sua esposa Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira. Todos foram proibidos de deixar o Brasil. A defesa de Karina da Gama respondeu por meio de nota, afirmando que ela estava colaborando voluntariamente com a investigação. A nota mencionava que Karina havia entregue mais de 20 mil laudas de documentos à Polícia Federal na sexta anterior, o que, segundo seus advogados, comprovava sua boa-fé. A defesa também informou que havia ajuizado uma reclamação constitucional perante a Presidência do STF, questionando a competência da operação mas não discutindo o mérito da investigação.

A Complexsys, por sua vez, emitiu nota afirmando que os recursos recebidos pela empresa foram usados exclusivamente na manutenção da rede de wi-fi de São Paulo, sem qualquer vínculo com o financiamento do filme. A empresa também mencionou uma perícia independente já anexada aos inquéritos policiais que, segundo ela, comprovava não haver relação entre o contrato da empresa e a produtora Go UP.

A Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes, repudiou qualquer tentativa de criar relações entre projetos municipais e a produção cinematográfica. A administração reiterou que a obra não recebeu recursos municipais e que a assinatura e execução do termo de colaboração com o ICB não apresentavam irregularidades identificadas. A prefeitura destacou que o Programa Wifi Livre segue em funcionamento com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados, e que o custo atual de manutenção de cada ponto é de R$ 1.280,80, valor menor do que na gestão anterior. A Controladoria Geral do Município informou que acompanha as investigações desde as primeiras denúncias e instaurou procedimento em maio de 2026.

As movimentações narradas apresentam fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro
— Ministro Flávio Dino, STF
Os recursos recebidos pela empresa foram usados somente no contrato para manutenção da rede do Wi-Fi na cidade de São Paulo, sem qualquer vínculo com o financiamento para produção do filme
— Defesa da Complexsys
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