PF acompanhou o dia todo o jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA, sem poder impedir a decolagem

A PF via o avião parado, mas não podia fazer nada
A Polícia Federal monitorou o jato em Puerto Iguazú, sem jurisdição em território argentino.
Mark

O que mais chama atenção nessa história? A PF sabia de tudo e mesmo assim não agiu.

Mimi

Sabia, e acompanhou o jato por horas em Puerto Iguazú. Mas a PF não tem jurisdição na Argentina. Ela via o avião parado, e só.

Luke

Vale separar o que está confirmado do que é atribuído. A informação de que a PF monitorou o jato vem da coluna de Malu Gaspar, a partir de fontes e investigadores não identificados.

Mark

E a ordem do Moraes? Qual era o prazo?

Mimi

Flávio foi intimado na segunda (26) a entregar os passaportes até a manhã de terça (27). Não entregou. Segundo a coluna, tinha dito a interlocutores que entregaria à equipe jurídica.

Luke

E a PF havia pedido a medida às 21h16 de domingo, logo após a confirmação da reeleição de Lula. Moraes citou risco concreto de fuga e estruturas no exterior.

Mark

Onde entra o governo Milei?

Mimi

Fontes da PF dizem que a Argentina não colaborou, por medo de retaliação. Milei é próximo dos Bolsonaro.

Luke

Isso é a versão de fontes da PF, não uma declaração do governo argentino. A reportagem não traz resposta de Buenos Aires.

Mark

E o que ainda não se sabe?

Luke

Se Flávio já chegou aos EUA, o que o STF fará e o que há de concreto na investigação por lavagem de dinheiro. A reportagem aponta a apuração, não conclusões.

  • A Polícia Federal acompanhou a distância um Gulfstream parado na pista, sabendo que o passageiro esperado era o senador, mas sem qualquer poder para detê-lo em solo argentino.
  • Uma ordem do ministro Alexandre de Moraes para entrega de passaportes venceu na manhã de terça sem cumprimento, enquanto o senador teria prometido à equipe jurídica uma entrega que nunca aconteceu.
  • O plano de voo direto a Miami foi cancelado pela companhia Baires Fly, que não apresentou a lista de passageiros, e a rota foi redesenhada com escala em Guayaquil, no Equador.
  • A cooperação entre polícias encontrou resistência silenciosa: integrantes do governo de Javier Milei teriam evitado colaborar com os investigadores brasileiros, temendo retaliações.
  • O Supremo precisa decidir como responder ao descumprimento, e Buenos Aires terá de definir se abraça ou se distancia a figura que procura abrigo em território argentino.

Na terça-feira, 27 de outubro, um jato parado na pista de Puerto Iguazú, na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, revelou os limites do alcance da justiça brasileira. O senador Flávio Bolsonaro, que havia perdido a disputa presidencial, deixou o país sem entregar os passaportes que o Supremo lhe exigira, num gesto que coloca frente a frente a autoridade de um tribunal e a fluidez das fronteiras em um mundo de aviões particulares. Enquanto a Polícia Federal observava sem poder agir, a história se desenrola entre a sombra de uma investigação por lavagem de dinheiro e a aliança política que liga o senador a um governo estrangeiro.

Na terça-feira, 27 de outubro, um jato executivo Gulfstream G400 permaneceu parado durante horas na pista do Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú. Dentro da estrutura de vigilância, agentes da Polícia Federal brasileira acompanhavam tudo a distância, cientes de que o passageiro esperado era o senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência. Nada podiam fazer, porque a jurisdição brasileira termina na fronteira.

A ordem que ele descumpriu partiu de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Intimado na segunda-feira, o senador tinha até a manhã de terça para entregar os passaportes. Segundo a coluna de Malu Gaspar, ele dissera a interlocutores que faria a entrega naquela manhã, mas não fez. O ministro havia apontado risco concreto de fuga, citando estruturas já montadas no exterior e uma declaração pública do irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, sobre o senador deixar o país caso perdesse a eleição.

A viagem fazia parte de uma investigação da PF sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Um voo direto a Miami foi cancelado porque a companhia não apresentou a lista de passageiros, e a rota passou a incluir Guayaquil, no Equador. Na madrugada de quarta, a imigração argentina confirmou que ele cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves.

Nos bastidores, fontes da PF relataram que integrantes do governo de Javier Milei não colaboraram com os investigadores brasileiros, por receio de retaliações. Milei, próximo da família Bolsonaro, ainda não havia reconhecido a derrota do candidato. Agora, a pergunta que permanece é como o Supremo responderá ao descumprimento e qual será a postura de Buenos Aires diante de um caso que testa os limites da cooperação internacional.

Durante toda a terça-feira (27), um jato executivo ficou parado na pista do Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú, na Argentina. Era um Gulfstream G400, prefixo LV-JQW. Agentes da Polícia Federal brasileira o acompanhavam à distância, cientes de que o passageiro esperado era o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência. Não podiam fazer nada: a PF não tem jurisdição em território argentino. As informações são da coluna de Malu Gaspar, em O Globo, publicada nesta quarta-feira (28).

A PF já sabia que o senador pretendia sair do Brasil pela fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná, e seguir viagem a partir do país vizinho. A coluna obteve uma fotografia que mostra a aeronave estacionada durante a tarde, depois do cancelamento de um plano de voo direto para os Estados Unidos. Segundo investigadores ouvidos pelo jornal, esse voo era destinado a levar Flávio, mas a programação foi alterada e a rota passou a incluir uma escala no Equador.

A saída ocorreu depois de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que o senador entregasse seus passaportes à PF. Flávio foi intimado na segunda-feira (26) e tinha até a manhã de terça para cumprir a determinação. Não cumpriu. De acordo com a coluna, ele havia dito a interlocutores que entregaria o passaporte à equipe jurídica naquela manhã, o que não aconteceu.

Moraes havia apontado "risco concreto" de fuga. A decisão partiu de uma representação da PF protocolada às 21h16 de domingo, pouco depois de confirmada a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro também citou a "existência de estruturas já estabelecidas no exterior, aptas a viabilizar permanência prolongada". Outro elemento considerado foi uma fala pública do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde 2025. Em um podcast, na semana anterior, ele disse: "Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país".

O papel do governo argentino também entrou na apuração. Fontes da PF ouvidas pela coluna afirmam que integrantes do governo de Javier Milei não colaboraram com os investigadores brasileiros, por receio de retaliações. Milei é próximo da família Bolsonaro, participou da campanha de Flávio e critica o governo Lula. Até o momento descrito na reportagem, ele não havia reconhecido publicamente a derrota do candidato do PL, ao contrário de outros líderes internacionais, inclusive de governos de direita.

A sequência das informações começou na manhã de terça, quando o portal argentino Infobae noticiou que o parlamentar teria cruzado a fronteira rumo a Puerto Iguazú. Depois, o Clarín informou que o LV-JQW tinha decolagem prevista para as 2h30, com destino a Miami. O voo foi cancelado porque a empresa responsável, a Baires Fly, não apresentou a lista de passageiros. Segundo o serviço de imigração argentino, citado por O Globo, o novo itinerário passou a incluir Guayaquil, no Equador, antes da chegada aos Estados Unidos.

A confirmação oficial da entrada de Flávio na Argentina só veio na madrugada desta quarta-feira. O serviço de imigração informou que ele atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú.

A viagem se deu em meio a uma investigação da PF sobre a suposta participação de Flávio e do advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de dinheiro. As medidas cautelares do STF, entre elas a entrega dos passaportes, fazem parte desse contexto. O destino final informado é os Estados Unidos, onde Eduardo vive em autoexílio. Resta saber como o Supremo reagirá ao descumprimento e qual será a postura do governo argentino.

Se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país
— Eduardo Bolsonaro, em podcast
Havia risco concreto de fuga e estruturas no exterior aptas a viabilizar permanência prolongada
— Alexandre de Moraes, em decisão (paráfrase)
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