Brent sobe 2,3% e atinge US$ 100/barril em 9 de setembro, refletindo escalada de conflitos no Oriente Médio e preocupações com bloqueios no Estreito de Ormuz. Preços de derivados como gasolina e diesel sobem globalmente; diesel nos EUA atinge recorde de US$ 5,90/galão, pressionando consumidores e inflação mundial.
Petróleo volta a US$ 100 com escalada de conflitos no Oriente Médio
A renda disponível dos consumidores diminui enquanto diesel, combustível de aviação e gás natural disparam
Por que o preço do petróleo subiu exatamente neste momento? Não havia conflito no Oriente Médio antes?
Havia, mas a escalada foi rápida. Os ataques americanos contra petroleiros iranianos e os ataques houthis contra a Arábia Saudita aconteceram no mesmo dia, na terça-feira. Isso criou uma sensação de que o conflito estava se espalhando pela região, não apenas entre dois países.
Mas espera — o Brent já tinha ultrapassado cem dólares em julho. Por que isso é diferente agora?
Porque em junho havia um acordo anunciado entre EUA e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Isso fez o preço cair para 72 dólares. Agora o acordo parece ter desaparecido.
Então o preço não subiu porque o petróleo ficou mais escasso de verdade, mas porque os investidores acham que pode ficar?
Exatamente. O medo de interrupção no fornecimento é tão importante quanto a interrupção real. E os ataques ao Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho, complicam ainda mais as rotas.
E quanto aos consumidores? Quanto custa isso para uma pessoa comum?
O diesel nos EUA atingiu 5,90 dólares por galão — um recorde. Gasolina e diesel subiram em todo o mundo. Gás natural também ficou mais caro.
Mas isso é culpa do petróleo ou da guerra? Quero dizer, o Brent subiu 60% no ano inteiro, não só agora.
Os dois. A guerra é o gatilho mais recente, mas a volatilidade vem desde março, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e os preços dispararam.
Os bancos centrais vão fazer algo?
Provavelmente vão manter ou elevar as taxas de juros para combater a inflação causada pelos preços de energia mais altos.
Espera — se os bancos centrais elevarem os juros, o mercado de ações pode cair mais ainda, certo?
Sim. É por isso que o S&P 500 já caiu 0,6% na terça-feira. O mercado está preso entre o medo da inflação e o medo dos juros mais altos.
Então qual é o cenário melhor daqui para frente?
Que os ataques parem, que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, e que a demanda chinesa não aumente muito. Se tudo isso acontecer, os preços podem cair novamente.
El Pulso
- Brent sobe 2,3% e atinge US$ 100 por barril em 9 de setembro de 2026
- EUA atacam cinco petroleiros iranianos; houthis atacam instalações sauditas na terça-feira
- Diesel nos EUA atinge recorde de US$ 5,90 por galão
- Brent e petróleo americano subiram mais de 60% no acumulado do ano
- Dezenas de civis ficaram feridos em ataques houthis contra a Arábia Saudita
Brent sobe 2,3% e atinge US$ 100/barril em 9 de setembro, refletindo escalada de conflitos no Oriente Médio e preocupações com bloqueios no Estreito de Ormuz. Preços de derivados como gasolina e diesel sobem globalmente; diesel nos EUA atinge recorde de US$ 5,90/galão, pressionando consumidores e inflação mundial.
Preços do Brent voltam a US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, impulsionados por ataques dos EUA contra petroleiros iranianos e ataques houthis à Arábia Saudita, ampliando temores sobre interrupções no fornecimento global.
O preço do barril de petróleo Brent voltou a cruzar a marca de cem dólares na manhã de quarta-feira, 9 de setembro, pela primeira vez desde julho. A subida de 2,3% refletia uma realidade que os mercados vinham temendo: a escalada dos conflitos no Oriente Médio estava começando a apertar o fornecimento global de energia de forma tangível. O petróleo bruto americano avançou 1,3% no mesmo período, chegando a 94 dólares por barril.
Os eventos que impulsionaram essa alta ocorreram em rápida sucessão. Na terça-feira, os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros iranianos — quatro no Golfo de Omã e um próximo à Ilha de Kharg, importante centro de exportação de petróleo iraniano no Golfo Pérsico. O Comando Central americano justificou os ataques como resposta a tentativas de lançamento de mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha. Quase simultaneamente, rebeldes houthis apoiados pelo Irã e baseados no Iêmen atacaram instalações petrolíferas e outras infraestruturas na Arábia Saudita, deixando dezenas de civis feridos. As forças lideradas pelos sauditas prometeram retaliação.
O que preocupa os investidores não é apenas a violência em si, mas o que ela representa para o fluxo de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas do mundo. Os ataques houthis também se estenderam ao Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho, complicando ainda mais as perspectivas para o mercado. A possibilidade de que uma guerra entre Estados Unidos e Irã se espalhe pela região, afetando uma parcela maior da produção de petróleo, é o cenário que mantém os preços elevados e voláteis.
Essa volatilidade não é nova neste ano. O Brent fechou acima de cem dólares pela primeira vez em 12 de março, atingindo seu maior nível desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Depois de disparar em abril e maio, o preço despencou para 72 dólares em junho, quando Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o conflito continuou, e o Brent ultrapassou novamente os cem dólares em julho. No acumulado do ano, tanto o Brent quanto o petróleo americano subiram mais de 60%.
Os efeitos dessa alta chegam diretamente ao bolso dos consumidores. O preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos atingiu o recorde de 5,90 dólares por galão na terça-feira, segundo dados da AAA. A gasolina e o diesel subiram em todo o mundo, e o fechamento do Estreito de Ormuz também prejudicou o fornecimento global de gás natural liquefeito. Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, resumiu o problema: a combinação de diesel caro, combustível de aviação, combustível marítimo e gás natural é particularmente desconfortável para consumidores em todo o mundo, que veem sua renda disponível diminuir.
Os bancos centrais já começam a reagir. A alta dos preços de energia coloca a inflação novamente no radar das autoridades monetárias, que podem manter as taxas de juros estáveis ou até elevá-las em resposta. Os rendimentos dos títulos de dívida dispararam nas últimas semanas, enquanto investidores se preparam para possíveis aumentos de juros e avaliam o impacto inflacionário do petróleo mais caro. O mercado acionário também sentiu o impacto: o S&P 500 caiu 0,6% na terça-feira, e embora as ações continuem sendo negociadas próximas das máximas históricas, o mercado recuou no último mês à medida que a alta do petróleo voltou a gerar preocupações.
O que acontece a seguir dependerá de fatores que estão além do controle dos investidores. Os Estados Unidos estão tentando ajudar os petroleiros a atravessar o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã afirma manter o controle da passagem. Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociação do BOK Financial, observou que os investidores continuarão atentos ao volume de transporte de petróleo saindo do Oriente Médio, já que agora parece que esses volumes podem mudar muito rapidamente. Há também a questão da demanda chinesa: a China, maior importadora de petróleo do mundo, ajudou a conter os preços ao reduzir suas importações nos últimos meses, mas se as importações aumentarem, os preços do petróleo poderão subir ainda mais. O mercado acionário entra em um período crítico, no qual a combinação entre os combates no Oriente Médio e uma série de decisões de bancos centrais colocará à prova a confiança dos investidores.
Citas Notables
A combinação de diesel caro, combustível de aviação, combustível marítimo e gás natural é particularmente desconfortável para consumidores em todo o mundo, que veem sua renda disponível diminuir— Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank
Os investidores continuarão atentos ao volume de transporte de petróleo saindo do Oriente Médio, já que agora parece que esses volumes podem mudar muito rapidamente— Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociação do BOK Financial