Brent avançou 1,1% e WTI subiu 1,3%, ambos em níveis não vistos desde 24 de julho, impulsionados por tensões geopolíticas crescentes. Estoques de combustíveis nos EUA estão abaixo das médias históricas, amplificando preocupações com interrupções no fornecimento global.
Petróleo sobe a US$ 97 e atinge maior valor em seis semanas com escalada EUA-Irã
A linha entre confronto militar e comércio marítimo ficou perigosamente tênue
Por que o preço do petróleo sobe tão rápido quando há tensão entre EUA e Irã? Não deveríamos ter estoques suficientes?
O petróleo é um mercado de expectativas. Quando há risco real de interrupção no transporte — e o Oriente Médio é responsável por uma fatia enorme da oferta global — os compradores começam a se preocupar. Os estoques americanos estão abaixo da média histórica, então não há colchão de segurança.
Mas espera — a Opep+ não aumentou a produção. Então tecnicamente a oferta não diminuiu ainda, certo? O que estamos vendo é puro medo de que diminua.
Exatamente. É o medo precificado. E quando navios comerciais estão sendo atacados, o medo é racional. A Marisks disse que a linha entre guerra militar e comércio ficou difícil de distinguir.
O Goldman Sachs fala em US$ 120. Quão provável é isso?
Eles dizem que é possível "caso os ataques contra navios comerciais se intensifiquem". Isso é uma projeção condicional, não uma previsão. Depende de decisões políticas que ainda não foram tomadas.
Verdade. Mas o fato de que os Emirados já estão criando rotas alternativas sugere que as pessoas que trabalham com isso diariamente acham que o risco é real.
E se a guerra acabar amanhã?
Os preços caem. Mas ninguém sabe quando ou se isso acontece. Por enquanto, o que sabemos é que há tensão, estoques baixos, e projeções de preços mais altos.
E que isso afeta a economia real — transporte fica mais caro, produção fica mais cara, inflação sobe. No Brasil, pelo menos, as empresas produtoras ganham com preços altos.
Então quem perde?
Quem compra gasolina, quem depende de transporte, quem compra produtos que viajam por navio. Basicamente, o consumidor.
Der Puls
- Brent fechou a US$ 97,31, alta de 1,1%, maior valor em seis semanas
- WTI subiu 1,3% para US$ 92,65, também melhor desempenho desde 24 de julho
- Estoques de combustíveis nos EUA estão abaixo das médias históricas
- Goldman Sachs projeta petróleo podendo chegar a US$ 120 se ataques se intensificarem
- Conflito entre EUA e Irã começou em 28 de fevereiro
Brent avançou 1,1% e WTI subiu 1,3%, ambos em níveis não vistos desde 24 de julho, impulsionados por tensões geopolíticas crescentes. Estoques de combustíveis nos EUA estão abaixo das médias históricas, amplificando preocupações com interrupções no fornecimento global.
Petróleo Brent atingiu US$ 97,31, maior valor em seis semanas, após ameaças iranianas de ataques a instalações de energia em resposta a operações americanas no Oriente Médio.
O petróleo Brent fechou segunda-feira a US$ 97,31 o barril, uma alta de 1,1% que o levou ao patamar mais elevado em seis semanas. Durante a sessão, chegou a tocar US$ 98,06. Nos Estados Unidos, o WTI subiu 1,3% para US$ 92,65, também seu melhor desempenho desde 24 de julho. Os ganhos refletem uma realidade simples: quando a guerra entre dois grandes atores do mercado de energia ameaça interromper o fornecimento, os preços sobem.
A escalada começou no fim de semana, com novos ataques entre Estados Unidos e Irã. Segundo a empresa de inteligência marítima Marisks, os dois países atingiram petroleiros e navios de guerra. Na segunda-feira, Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, declarou que seu país responderia caso seus ativos fossem atacados. A declaração veio em resposta a afirmações do secretário de Defesa americano Pete Hegseth, que havia descrito a frota petrolífera iraniana como "indefesa". O que começou em 28 de fevereiro como uma série de ataques envolvendo EUA, Irã e Israel agora se intensifica, e o mercado reage com preocupação legítima.
O risco não é abstrato. A Marisks observa que a linha entre confronto militar e comércio marítimo ficou perigosamente tênue. Navios comerciais estão sendo usados como instrumentos de pressão econômica, o que aumenta significativamente o risco para o transporte marítimo de petróleo em uma das regiões mais críticas do mundo. Na semana anterior, o Brent havia acumulado alta de quase 8%, enquanto o WTI subiu cerca de 10%.
O mercado também observa com atenção os estoques de combustíveis nos Estados Unidos, maior produtor e consumidor de petróleo do planeta. Os níveis de gasolina e combustíveis destilados estão abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior e também abaixo das médias sazonais dos últimos cinco anos, conforme analistas da PVM Energy. Para a consultoria, o cenário atual é mais preocupante do que o observado algumas semanas atrás. Quando a oferta está apertada e a demanda segue firme, qualquer interrupção no fornecimento tem impacto imediato nos preços.
O Goldman Sachs elevou suas projeções. A instituição avalia que o petróleo pode chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra navios comerciais se intensifiquem. O risco está concentrado principalmente na possibilidade de novos problemas no transporte de petróleo e derivados pelo Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras de energia do mundo. Os Emirados Árabes Unidos já trabalham na criação de rotas alternativas para suas exportações de energia e outras operações comerciais, segundo Anwar Gargash, assessor presidencial do país. A intenção é clara: evitar que o país fique vulnerável aos efeitos da guerra entre EUA e Irã.
Apesar da alta dos preços, a Opep+ manteve no domingo sua política de produção de petróleo para outubro. O grupo, que reúne grandes produtores da commodity, informou que não haverá mudança na estratégia de produção definida anteriormente. É uma posição que deixa o mercado em suspenso: os preços sobem por tensão geopolítica, mas os maiores produtores não aumentam a oferta para aliviar a pressão. O que acontece a seguir dependerá de como a situação no Oriente Médio evolui nos próximos dias.
Bemerkenswerte Zitate
O país responderá caso seus ativos sejam atacados— Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano
A intenção é evitar que o país fique vulnerável aos efeitos da guerra entre EUA e Irã— Anwar Gargash, assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, sobre criação de rotas alternativas