S&P 500, Nasdaq e Dow Jones registaram perdas modestas (0,06% a 0,32%), refletindo preocupações com escalada de tensões no Médio Oriente. Trump admite preferir pressão económica sobre Irão a novos ataques, mas impasse negocial alimenta incerteza e reduz esperanças de acordo rápido.
Petróleo em disparada castiga Wall Street enquanto negociações EUA-Irão travam
Sem perspetivas claras de acordo, a incerteza alimenta-se a si mesma
Porque é que as negociações entre os EUA e o Irão afetam tanto os mercados de ações?
Porque o Irão controla uma parte crítica do Golfo Pérsico. Se as negociações falharem, há risco de conflito, e conflito significa que o petróleo fica mais caro ou até deixa de fluir. Quando o petróleo sobe, tudo sobe com ele — desde a gasolina até aos custos de produção. E isso alimenta inflação.
Mas Trump disse que prefere pressão económica a ataques. Isso não deveria tranquilizar os mercados?
Deveria, mas não tranquiliza. O problema é que ninguém sabe se essa estratégia vai funcionar ou quanto tempo vai levar. Enquanto isso, a incerteza fica no ar, e os investidores odeiam incerteza. Preferem más notícias certas a boas notícias incertas.
O que significa que o petróleo subiu 5% numa sessão?
Significa que os operadores estão a precificar o risco. Se há 5% de probabilidade de o estreito de Ormuz fechar, o preço do petróleo sobe agora para refletir isso. E quando o petróleo sobe, as ações caem, porque os investidores sabem que a Fed pode ter de manter as taxas altas mais tempo.
Porque é que a Nvidia caiu se a notícia sobre o financiamento deveria ser positiva?
Porque os mercados leem entre as linhas. Se a Nvidia precisa de 500 mil milhões de dólares em financiamento, significa que os custos de infraestrutura de IA são muito maiores do que se pensava. Isso reduz as margens de lucro futuras.
E a Intel? Porque é que uma oferta de ações é tão significativa?
Porque é a primeira desde 1971. A Intel está numa posição fraca — perdeu liderança em chips, e agora precisa de dinheiro para competir no boom da IA. Quando uma empresa grande faz uma oferta de ações, está a dizer aos investidores: "Precisamos de dinheiro urgentemente." Isso dilui o valor das ações existentes.
Qual é o próximo ponto crítico?
Os dados de inflação de julho. Se vierem altos, confirma que a Fed vai manter as taxas altas, e as ações caem mais. Se vierem baixos, há esperança de que a Fed possa começar a cortar, e os mercados respiram.
O Pulso
- S&P 500 caiu 0,06%, Nasdaq 0,32%, Dow Jones 0,11%
- Petróleo disparou 5% numa sessão
- Intel anuncia oferta de 15 mil milhões de dólares em ações, primeira desde 1971
- Nvidia caiu 2,86% após revelação de pacote de 500 mil milhões de dólares em financiamento
S&P 500, Nasdaq e Dow Jones registaram perdas modestas (0,06% a 0,32%), refletindo preocupações com escalada de tensões no Médio Oriente. Trump admite preferir pressão económica sobre Irão a novos ataques, mas impasse negocial alimenta incerteza e reduz esperanças de acordo rápido.
As bolsas norte-americanas caíram ligeiramente com o disparo dos preços do petróleo a 5%, alimentado pela tensão nas negociações entre EUA e Irão. Investidores temem inflação crescente e aperto monetário da Fed.
As bolsas de Nova Iorque abriram a semana em terreno negativo, com perdas modestas que refletem uma ansiedade mais profunda sobre o que está a acontecer no Médio Oriente. O S&P 500 recuou 0,06%, o Nasdaq Composite caiu 0,32% e o Dow Jones cedeu 0,11%, números pequenos em aparência, mas que mascaram uma preocupação crescente entre os investidores: as negociações entre os EUA e o Irão estão completamente travadas, e ninguém sabe quando ou se vão sair do impasse.
No fim de semana, o Presidente Donald Trump deixou claro qual é a sua estratégia. Em vez de novos ataques militares contra a região, prefere apertar o cerco económico ao Irão, deixando que a inflação galopante e a falta de recursos financeiros façam o trabalho. "Estamos apenas a semi-negociar com eles. Limitamo-nos a observar o Irão, com a sua inflação galopante e o facto de já não ter dinheiro", disse Trump, segundo o site Axios. Nas redes sociais, o republicano foi ainda mais longe, exigindo que os EUA sejam compensados e que o Irão responda "por todas as pessoas que mataram" em vários conflitos. Esta postura, por mais que possa fazer sentido do ponto de vista político doméstico, deixa os mercados numa posição incómoda: sem perspetivas claras de um acordo que reabra o estreito de Ormuz, a incerteza alimenta-se a si mesma.
E a incerteza tem um preço. O petróleo disparou cerca de 5% numa única sessão, um movimento que assusta os operadores de Wall Street porque aponta para inflação crescente. Quando o preço da energia sobe, tudo fica mais caro — desde o transporte até à produção — e isso significa que a Reserva Federal pode ser forçada a manter as taxas de juro altas por mais tempo, ou até a aumentá-las. Para as ações, isto é veneno. Investidores que esperavam que a inflação estivesse a descer agora veem esse cenário a desaparecer.
José Torres, analista da Interactive Brokers, resumiu o sentimento: "A incapacidade dos governos em manter negociações preocupa os traders de Wall Street, que na semana passada acreditavam que o caminho para um acordo era cada vez mais estreito." Chris Larkin, do Morgan Stanley, foi mais direto ainda: os mercados já não vão reagir bem a notícias vagas sobre progresso. "O relatório sobre a criação de emprego pode ter amenizado algumas ansiedades sobre um aumento da taxa de juro da Fed no próximo mês, mas estas preocupações podem atingir novos níveis sem números de inflação mais baixos do que o esperado esta semana."
Enquanto isto, as ações individuais movem-se ao sabor das suas próprias histórias. A Nvidia caiu 2,86% depois de o Financial Times revelar que a empresa está a preparar um pacote de financiamento de 500 mil milhões de dólares com gigantes de Wall Street para infraestruturas de inteligência artificial — uma notícia que deveria ser positiva, mas que os investidores leram como sinal de que os custos vão ser maiores do que esperado. A GameStop cedeu 1,93% após a Bloomberg noticiar que está a considerar retirar a sua oferta de 56 mil milhões de dólares pela eBay. A Microsoft, por contraste, subiu 1,2% depois de anunciar que vai aumentar "significativamente" a produção de chips de IA. A Apple caiu 1,5% com uma revisão em baixa da Jefferies. E a Intel mergulhou mais de 4%, anunciando uma oferta de 15 mil milhões de dólares em novas ações — a primeira desde 1971 — numa tentativa de capitalizar o boom da IA e financiar a sua recuperação.
O próximo grande teste aos mercados chega esta semana, com os dados de inflação dos EUA de julho. Se os números vierem piores do que o esperado, a pressão sobre as ações pode intensificar-se. Se vierem melhores, pode haver algum alívio. Mas enquanto as negociações entre Washington e Teerão continuarem travadas, e enquanto o petróleo continuar a subir, os investidores vão manter-se de pé atrás, à espera do próximo movimento.
Citações Notáveis
Estamos apenas a semi-negociar com eles. Limitamo-nos a observar o Irão, com a sua inflação galopante e o facto de já não ter dinheiro— Donald Trump
A incapacidade dos governos em manter negociações preocupa os traders de Wall Street, que na semana passada acreditavam que o caminho para um acordo era cada vez mais estreito— José Torres, Interactive Brokers