Petrobras atingiu 97% de utilização nas refinarias, processando 1,8 milhão de barris diários, e planeja alcançar 2 milhões com investimentos adicionais moderados. Complexo Boaventura no Rio de Janeiro contribuirá para expansão; empresa também aguarda licença ambiental para poço na Bacia da Foz do Amazonas em 2025.
Petrobras planeja ampliar refino em 200 mil barris/dia até 2029 com 'pouco mais' de investimentos
Ampliar capacidade de refino em 200 mil barris por dia equivale a construir uma refinaria inteira
A Petrobras está dizendo que vai ampliar refino em 200 mil barris por dia com "um pouco mais" de investimentos. Isso soa como uma promessa de crescimento sem esforço proporcional. Como isso é possível?
Não é crescimento sem esforço, é crescimento distribuído. Em vez de construir uma refinaria nova do zero, a empresa faz pequenas expansões em todas as refinarias que já tem. Quando você soma tudo, chega a 200 mil barris. O Complexo Boaventura no Rio também entra nessa conta. É mais eficiente do que um megaprojeto único.
Mas "um pouco mais" é vago. Quanto exatamente a Petrobras vai investir nessas expansões? O texto não diz. Sabemos que o plano 2025-2029 total é US$ 110 bilhões, com US$ 80 bilhões em petróleo, gás e refino, mas não temos o número específico para essas expansões de refino.
E as refinarias já estão operando a 97% de capacidade. Isso não significa que estão no limite? Como ampliam sem investimentos maiores?
Exatamente por isso precisam investir. Estão no limite agora. Os investimentos vão permitir que saiam de 1,8 milhão para 2 milhões de barris diários. Sem os investimentos, ficam presas onde estão.
Verdade, mas há um detalhe importante: dois navios-plataforma já começaram operações em 2024, antecipados de 2025. Isso já adiciona 325 mil barris diários. Parte do crescimento que Chambriard está anunciando pode estar vindo dessa antecipação, não apenas das expansões em refinarias.
E quanto ao poço na Bacia da Foz do Amazonas? Isso está ligado ao plano de refino?
Não diretamente. É produção de petróleo bruto, não refino. Mas faz parte da estratégia maior de crescimento da Petrobras. A empresa quer aumentar produção e refino simultaneamente nos próximos cinco anos.
E o Ibama ainda não aprovou. Chambriard é otimista, mas 30 analistas ambientais disseram não em outubro. Ela diz que respondeu aos questionamentos, mas não sabemos se as respostas foram satisfatórias. Isso é ainda uma incerteza real.
Chambriard também falou sobre transição energética, combustíveis renováveis, hidrogênio verde. Como isso se encaixa com ampliar refino de petróleo?
A Petrobras está apostando em ambos. Ela não está abandonando petróleo, mas está adicionando novos negócios. Diesel coprocessado, bunker com óleo renovável, SAF, hidrogênio verde. São iniciativas paralelas, não substitutas.
Mas o DNA da empresa, como ela mesma disse, é petróleo, gás e refino. Os investimentos em renováveis são menores e ainda estão em fase de desenvolvimento. O core business continua sendo combustíveis fósseis pelos próximos cinco anos.
The Pulse
- Refinarias operam a 97% de capacidade, processando 1,8 milhão de barris diários
- Petrobras planeja atingir 2 milhões de barris diários de refino até 2029
- Dois navios-plataforma anteciparam operações para 2024, adicionando 325 mil barris diários
- Plano 2025-2029 projeta retorno de US$ 2,30 em tributos por dólar investido
- Poço FZA-M-59 na Bacia da Foz do Amazonas aguarda licença ambiental do Ibama para 2025
Petrobras atingiu 97% de utilização nas refinarias, processando 1,8 milhão de barris diários, e planeja alcançar 2 milhões com investimentos adicionais moderados. Complexo Boaventura no Rio de Janeiro contribuirá para expansão; empresa também aguarda licença ambiental para poço na Bacia da Foz do Amazonas em 2025.
Petrobras pretende aumentar capacidade de refino em 200 mil barris por dia até 2029 através de expansões em refinarias brasileiras, equivalente a construir uma nova refinaria, afirma presidente Magda Chambriard.
A Petrobras planeja ampliar sua capacidade de refino em 200 mil barris por dia até 2029, um crescimento que a presidente Magda Chambriard comparou ao equivalente de construir uma refinaria inteira do zero. O anúncio foi feito durante participação em programa de televisão no final de dezembro, e marca a estratégia da estatal para os próximos cinco anos em um momento em que suas refinarias já operam próximas ao limite máximo.
Atualmente, as refinarias da Petrobras funcionam com fator de utilização de 97%, processando 1,8 milhão de barris diários. Esse patamar elevado deixa pouca margem para crescimento sem investimentos estruturais. A expansão planejada será alcançada através de um conjunto de iniciativas distribuídas pela malha de refinarias brasileiras, não por um único megaprojeto. Chambriard descreveu os investimentos necessários como "um pouco mais" do que o atual, sugerindo uma abordagem incremental em vez de transformadora.
O Rio de Janeiro e Pernambuco ganham destaque nesse plano. No Rio, a Petrobras segue com expansões em suas operações. Em Pernambuco, a empresa trabalha na segunda fase do trem de refino da Refinaria do Nordeste, conhecida como Rnest e anteriormente chamada de Abreu e Lima. Além desses projetos maiores, pequenas expansões ocorrerão em todas as refinarias da companhia no Brasil. O Complexo de Energias Boaventura, inaugurado em setembro no município de Itaboraí no Rio de Janeiro, também contribuirá para esse aumento de capacidade. A unidade, que passou por múltiplas renomeações em sua história, funciona como processador de gás natural do pré-sal e fábrica de lubrificantes.
O crescimento da produção não se limita ao refino. A Petrobras antecipou a entrega de dois navios-plataforma que começaram operações comerciais em 2024, quando estava previsto para 2025. Um deles processa 100 mil barris diários, enquanto o outro tem capacidade de 225 mil barris. Essa antecipação representa produção adicional já realizada, embora Chambriard tenha ressalvado que se trata de uma produção trazida para frente no tempo. O Brasil como um todo produz aproximadamente 3 milhões de barris diários de petróleo, com a Petrobras respondendo por cerca de 2,2 milhões. Quando incluído o gás natural associado, a produção da estatal chega a 2,7 milhões de barris de óleo equivalente diariamente.
A expansão de refino ocorre em paralelo aos esforços da Petrobras em obter licença ambiental para perfurar um poço na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. A empresa respondeu a pedidos de esclarecimento do Ibama, apresentando informações técnicas sobre seus planos para a região. Chambriard se declarou "otimista inveterada" quanto à emissão da licença em 2025, argumentando que a área vem sendo estudada há mais de dez anos e que a Petrobras possui tecnologia para perfurar com segurança. Em outubro, cerca de 30 analistas ambientais do Ibama apresentaram parecer contrário, citando informações insuficientes sobre proteção à fauna. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, solicitou esclarecimentos adicionais, que foram entregues pela companhia no final de novembro.
Chambriard aproveitou a entrevista para esclarecer a localização do poço FZA-M-59, argumentando que o nome "Foz do Amazonas" gera confusão. O poço fica a 540 quilômetros da foz do rio Amazonas, uma distância que ela comparou a duas vezes a distância entre o pré-sal e as praias de Copacabana e Ipanema no Rio de Janeiro. Ela questionou por que a sociedade confia na Petrobras operando no pré-sal há mais de dez anos próximo ao Rio de Janeiro, mas hesita em confiar na empresa em uma área duas vezes mais distante. A Petrobras também firmou parceria com a Nasa para monitorar possíveis derramamentos de óleo na Margem Equatorial, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte com potencial estimado de 30 bilhões de barris.
O plano de negócios 2025-2029 da Petrobras projeta um retorno de US$ 2,30 em tributos para o país a cada dólar investido. A companhia planeja investir quase US$ 80 bilhões em petróleo, gás natural e refino nos próximos cinco anos, de um total de US$ 110 bilhões em todo o plano. Chambriard reafirmou que a pegada de carbono do petróleo produzido pela Petrobras é metade da média mundial e que 50% da matriz energética brasileira já vem de fontes renováveis, comparado a 16% da média global. A empresa também avança em combustíveis renováveis, incluindo diesel coprocessado e bunker com 24% de óleo renovável, além de planejar produção de hidrogênio verde e combustível sustentável de aviação, com retorno ao segmento de etanol após cinco anos de ausência.
Notable Quotes
Estamos com expansões em todas as refinarias no Brasil que vão nos levar em 2029 a ampliar nossa capacidade de refino em 200 mil barris por dia— Magda Chambriard, presidente da Petrobras
A pegada de carbono do petróleo produzido pela Petrobras é metade da média mundial— Magda Chambriard