Petro acusa Netanyahu de genocídio endossado por democracias ocidentais

Mais de 12 mil palestinos mortos, incluindo 5 mil crianças; aproximadamente 2/3 dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza deslocados; 125 pacientes e 34 bebês recém-nascidos forçados a sair do hospital Al Shifa; centenas de milhares enfrentam nova retirada forçada.
Um maluco comete genocídio endossado por quem fala de democracia
Acusação de Petro contra Netanyahu e a cumplicidade que enxerga nas democracias ocidentais.

No sétimo fim de semana de uma guerra que já ceifou mais de 12 mil vidas em Gaza — entre elas, cinco mil crianças —, o presidente colombiano Gustavo Petro ergueu sua voz não apenas contra Benjamin Netanyahu, mas contra o silêncio cúmplice das democracias ocidentais. Sua denúncia ecoa uma tensão antiga da história humana: a distância entre os valores proclamados e as omissões praticadas diante do sofrimento alheio. Enquanto diplomatas debatem pausas humanitárias, centenas de milhares de palestinos enfrentam um segundo deslocamento forçado, e a ajuda humanitária permanece bloqueada pelo terceiro dia consecutivo.

  • Petro acusa Netanyahu de genocídio e aponta as democracias ocidentais como cúmplices silenciosas de um massacre que inclui cinco mil crianças mortas.
  • Em um único sábado, três ataques aéreos israelenses mataram 47 palestinos em blocos residenciais no sul de Gaza, enquanto o total de mortos ultrapassa 12 mil.
  • O hospital Al Shifa, o maior de Gaza, foi tomado pelo exército israelense, que forçou a saída de 125 pacientes e 34 recém-nascidos por estradas sob bombardeio contínuo.
  • Nenhuma ajuda humanitária entrou em Gaza pelo terceiro dia seguido; esgoto corre pelas ruas e o combustível necessário para manter hospitais e infraestrutura básica se esgota.
  • Com uma ofensiva terrestre iminente no sul, centenas de milhares de palestinos que já fugiram do norte enfrentam a perspectiva de serem deslocados pela segunda vez.

Gustavo Petro voltou a atacar as operações militares israelenses em Gaza, desta vez ampliando sua crítica para além de Netanyahu: "Um maluco chamado Netanyahu comete um genocídio endossado por aqueles que falam de democracia", declarou o presidente colombiano, denunciando o que chama de hipocrisia das nações ocidentais diante do massacre de civis palestinos.

Enquanto Petro falava, a situação em Gaza se agravava. Apenas no sábado 18 de novembro, ataques aéreos israelenses contra áreas residenciais no sul do enclave mataram pelo menos 47 palestinos. Um bombardeio em Khan Younis vitimou 26 pessoas em dois apartamentos; outro, em Deir Al-Balah, matou seis; um terceiro, próximo a um abrigo para deslocados, ceifou mais 15 vidas. O total acumulado da guerra já ultrapassava 12 mil mortos, incluindo 5 mil crianças — números que a ONU considerava confiáveis, ainda que difíceis de atualizar sistematicamente.

A guerra havia começado após o ataque do Hamas em 7 de outubro, quando 1.200 israelenses foram mortos e 240 capturados como reféns. A resposta israelense destruiu grande parte da Cidade de Gaza e deslocou aproximadamente dois terços dos 2,3 milhões de habitantes do enclave. Agora, com sinais de uma ofensiva terrestre iminente no sul, centenas de milhares de pessoas que já haviam fugido do norte enfrentavam um segundo deslocamento forçado.

O hospital Al Shifa tornou-se símbolo da crise. Após tomar o controle da instalação, o exército israelense alegou ter encontrado evidências de um reduto subterrâneo do Hamas — acusação contestada pelos funcionários do hospital. A ministra da Saúde palestina relatou que 125 pacientes, 34 recém-nascidos e parte da equipe médica foram forçados a deixar o local, obrigados a caminhar por estradas bombardeadas. O exército negou a coerção, afirmando ter facilitado retiradas voluntárias.

A crise humanitária aprofundava-se: nenhuma ajuda havia entrado em Gaza pelo terceiro dia consecutivo, o esgoto começava a correr pelas ruas por falta de combustível, e as cobranças internacionais por pausas humanitárias não encontravam eco nas ações de nenhuma das partes.

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, voltou a atacar duramente as operações militares israelenses em Gaza, desta vez focando sua crítica não apenas nas ações de Benjamin Netanyahu, mas na cumplicidade que enxerga nas democracias ocidentais. "Um maluco chamado Netanyahu comete um genocídio endossado por aqueles que falam de democracia", disse Petro em declaração que circulou nas redes sociais, acusando os países ocidentais de hipocrisia ao permitirem o que ele descreve como massacre de civis palestinos, incluindo crianças.

No mesmo fim de semana em que Petro fazia suas acusações, a situação em Gaza se intensificava dramaticamente. Ataques aéreos israelenses contra blocos residenciais no sul de Gaza mataram pelo menos 47 palestinos apenas no sábado, 18 de novembro, segundo relatos de médicos locais. Os números acumulados da guerra já ultrapassavam 12 mil mortos, entre eles 5 mil crianças, de acordo com autoridades sanitárias palestinas. A Organização das Nações Unidas considerava esses números confiáveis, embora reconhecesse que eram atualizados com dificuldade pela impossibilidade de coletar informações de forma sistemática.

A ofensiva israelense havia começado após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro, quando combatentes do grupo mataram 1.200 pessoas e capturaram 240 como reféns. Israel respondeu com uma campanha aérea massiva que destruiu grande parte da Cidade de Gaza, o núcleo urbano do enclave, e ordenou o despovoamento da metade norte da faixa. O resultado foi o deslocamento de aproximadamente dois terços dos 2,3 milhões de palestinos que vivem em Gaza. Agora, com a preparação de uma ofensiva terrestre no sul, centenas de milhares de pessoas que já haviam fugido do norte enfrentavam a perspectiva de serem deslocadas novamente.

Em um único dia, três ataques aéreos distintos causaram dezenas de mortes. Um bombardeio contra dois apartamentos em Khan Younis, uma cidade com mais de 400 mil habitantes, matou 26 palestinos e deixou 23 feridos. Alguns quilômetros ao norte, em Deir Al-Balah, seis palestinos foram mortos quando sua casa foi bombardeada. À tarde, um terceiro ataque matou 15 palestinos em uma residência a oeste de Khan Younis, próximo a um abrigo para deslocados. Israel afirmava que o Hamas escondia combatentes e armas em edifícios residenciais, acusação que o grupo negava. O exército israelense declarava apenas que suas forças aéreas haviam atingido dezenas de alvos, incluindo o que descrevia como militantes, centros de comando, bases de lançamento de foguete e fábricas de munições.

O hospital Al Shifa, o maior de Gaza, tornou-se um ponto de tensão internacional. Israel tomou o controle da instalação após relatos de confrontos com combatentes do Hamas e alegou ter encontrado evidências de um reduto subterrâneo da organização. Funcionários do hospital contestavam essa alegação, dizendo que Israel não havia comprovado suas acusações. A ministra da Saúde palestina, Mai al-Kaila, relatou que aproximadamente 125 dos estimados 1 mil a 1.500 pacientes feridos ou doentes, além de 34 bebês recém-nascidos, cinco médicos e algumas enfermeiras, foram forçados a sair do hospital pelo exército israelense. O exército negou ter forçado as retiradas, afirmando que havia concedido um pedido do diretor do hospital para auxiliar em retiradas voluntárias por meio de uma "rota segura". Autoridades palestinas alertavam que as pessoas retiradas do Al Shifa precisariam caminhar por estradas bombardeadas e sob ataques aéreos contínuos.

A crise humanitária aprofundava-se enquanto a guerra entrava em sua sétima semana. A agência humanitária da ONU, a Ocha, informou que nenhuma ajuda havia entrado em Gaza pelo terceiro dia consecutivo na sexta-feira, e as distribuições estavam praticamente interrompidas pela falta de garantias de segurança e combustível. O esgoto começava a fluir nas ruas em algumas regiões pela impossibilidade de operar a infraestrutura sem combustível. Um assessor sênior do primeiro-ministro israelense havia pedido na sexta-feira que civis palestinos se afastassem de Khan Younis, sugerindo que uma ofensiva terrestre israelense no sul era iminente. Apesar de cobranças internacionais por "pausas humanitárias", não havia sinais de abrandamento na intensidade dos ataques.

Um maluco chamado Netanyahu comete um genocídio endossado por aqueles que falam de democracia
— Gustavo Petro, presidente da Colômbia
Aproximadamente 125 dos estimados 1 mil a 1.500 pacientes feridos na guerra ou doentes, assim como 34 bebês recém-nascidos, foram forçados a sair do hospital Al Shifa
— Mai al-Kaila, ministra da Saúde palestina
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Petro, presidente de um país sul-americano, sente necessidade de fazer essas acusações públicas contra Israel?

Model

Porque para ele a questão não é apenas sobre Gaza. É sobre o que ele vê como uma contradição fundamental: países que se apresentam como defensores da democracia e dos direitos humanos permitem ou apoiam operações que ele classifica como genocídio. É uma acusação de hipocrisia sistêmica.

Inventor

Mas Israel argumenta que está respondendo a um ataque que matou 1.200 de seus cidadãos. Como se equilibra isso?

Model

Israel tem razão sobre o ataque inicial. Mas a escala da resposta — 12 mil mortos, metade deles crianças — é o que Petro e outros questionam. A proporção e a forma como está sendo conduzida é o que gera a acusação de genocídio.

Inventor

O que torna o hospital Al Shifa tão importante nessa narrativa?

Model

É um símbolo. Um hospital é supostamente um espaço neutro, protegido. Se as forças militares estão lá, removendo pacientes e bebês, isso muda a percepção de quem está observando. Mesmo que Israel tenha razões militares legítimas, a imagem é devastadora.

Inventor

E a ajuda humanitária que não entra há três dias?

Model

Isso transforma a situação de uma guerra em uma possível asfixia deliberada. Sem combustível, sem água, sem medicamentos — as pessoas não morrem apenas por bombardeios. Morrem de fome, de doença, de falta de saneamento.

Inventor

Petro está sozinho nessa crítica?

Model

Não. Mas ele é um dos poucos líderes de estado que fala tão abertamente. Muitos países ocidentais guardam silêncio ou oferecem críticas mínimas. Isso é parte do que Petro chama de hipocrisia.

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