Na véspera de uma eleição que pode definir o futuro político do Rio de Janeiro, os números apontam com clareza para Eduardo Paes — mas a clareza das urnas convive com a opacidade do direito. A candidatura de Anthony Garotinho, indeferida pela Justiça e presente nas cédulas, transforma um dado estatístico em uma questão filosófica sobre o que conta, literalmente, como voto. O destino do primeiro turno repousa não apenas na vontade do eleitor, mas na interpretação de tribunais que ainda deliberam enquanto o relógio avança.
Pesquisa Quaest: Paes lidera com 49% contra 40% de Ruas na véspera da eleição no Rio
A incerteza jurídica pode redefinir o resultado no primeiro turno
Como a Quaest chegou a esses números? É só perguntar para as pessoas em quem vão votar?
Não é tão simples. Eles fazem as perguntas, claro, mas depois usam um modelo chamado "likely voter" que tenta prever quem realmente vai sair de casa e votar. Leva em conta o histórico de comparecimento de cada grupo e a motivação individual.
Mas aí tem um problema: como você mede motivação? É subjetivo. E essa margem de erro de dois pontos — ela é real ou é só o que a metodologia consegue capturar?
Entendi. E quanto ao Garotinho? Por que seus votos podem ser anulados?
Sua candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral, e o TSE expediu uma liminar dizendo que os votos dele não contam. Mas ele ainda está na urna, tecnicamente.
Espera — ele está na urna, mas os votos não contam? Isso é confuso para o eleitor. Quantas pessoas vão votar nele sem saber que o voto será anulado?
E se os votos dele forem anulados, o que muda para Paes?
Muda tudo. Com Garotinho fora da contagem, Paes sai de 49% para uma posição ainda mais forte. Pode vencer no primeiro turno em vez de ir para um segundo.
Mas a pesquisa foi feita antes dessa liminar ser amplamente divulgada? Porque se as pessoas soubessem que Garotinho não conta, talvez votassem diferente.
Então o resultado real amanhã pode ser bem diferente do que a pesquisa mostra?
Pode ser. Há muita incerteza jurídica envolvida. A pesquisa mostra uma tendência, mas o resultado final depende de decisões da Justiça que ainda não foram totalmente resolvidas.
Le Pouls
- Paes lidera com 49% dos votos válidos contra 40% de Ruas, uma vantagem de nove pontos que parece sólida — mas que depende de uma decisão judicial para se tornar vitória definitiva.
- Garotinho aparece com 6% nas pesquisas mesmo com a candidatura indeferida, criando uma zona cinzenta entre a intenção do eleitor e o que a Justiça Eleitoral reconhecerá como sufrágio válido.
- O TSE expediu liminar determinando a anulação dos votos de Garotinho, o que, se mantida, excluiria esses sufrágios do cálculo final e poderia garantir a Paes a vitória já no primeiro turno.
- Sem Garotinho na contagem, a simulação da Quaest projeta Paes com 51% e Ruas com 43% — margem suficiente para encerrar a disputa sem segundo turno.
- A pesquisa ouviu 3.204 eleitores fluminenses nos dias 2 e 3 de outubro, com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%, registrada sob o protocolo RJ-03032/2026.
Na véspera de uma eleição que pode definir o futuro político do Rio de Janeiro, os números apontam com clareza para Eduardo Paes — mas a clareza das urnas convive com a opacidade do direito. A candidatura de Anthony Garotinho, indeferida pela Justiça e presente nas cédulas, transforma um dado estatístico em uma questão filosófica sobre o que conta, literalmente, como voto. O destino do primeiro turno repousa não apenas na vontade do eleitor, mas na interpretação de tribunais que ainda deliberam enquanto o relógio avança.
A última pesquisa Quaest antes da eleição para governador do Rio de Janeiro, divulgada nesta sexta-feira, coloca Eduardo Paes com 49% dos votos válidos e Douglas Ruas em segundo lugar com 40%. A diferença de nove pontos percentuais é expressiva, mas o cenário carrega uma complicação de natureza jurídica que pode redefinir o resultado.
Anthony Garotinho, ex-governador filiado aos Republicanos, marca 6% nas intenções de voto — mesmo com a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral. O TSE determinou, por meio de liminar, que seus votos sejam anulados. Isso significa que ele estará nas urnas amanhã, mas seus sufrágios não entrarão no cômputo oficial. William Siri, do PSOL, aparece com 3%, enquanto Coronel Busnello e André Marinho somam 1% cada.
A exclusão dos votos de Garotinho do cálculo de votos válidos pode ser o fator decisivo para que Paes vença já no primeiro turno. A Quaest simulou esse cenário hipotético: sem Garotinho, o ex-prefeito chegaria a 51% contra 43% de Ruas. O próprio instituto reconhece, porém, que a questão ainda está sub judice e que a simulação não reflete necessariamente o que ocorrerá.
Para chegar às suas projeções, a Quaest utiliza o modelo de 'eleitor provável', que combina o histórico de comparecimento de diferentes grupos eleitorais entre 2010 e 2022 com indicadores de motivação individual — como interesse pela eleição, busca por informação e expectativas sobre o resultado. A pesquisa foi realizada com 3.204 entrevistados, com margem de erro de dois pontos percentuais e confiança de 95%.
O que se decide amanhã vai além dos números: se a liminar do TSE for mantida e os votos de Garotinho forem anulados, Paes encerra a disputa no primeiro turno. Caso contrário, o Rio pode se preparar para uma segunda rodada que alteraria profundamente o tabuleiro político do estado.
A véspera da eleição para governador do Rio de Janeiro traz um cenário bem definido nas urnas, mas envolto em incerteza jurídica. A pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira mostra Eduardo Paes, ex-prefeito e filiado ao PSD, com 49% dos votos válidos. Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa pelo PL, aparece em segundo lugar com 40%. A margem entre eles é clara — nove pontos percentuais separam o líder do concorrente mais próximo.
Mas há uma complicação. Anthony Garotinho, ex-governador filiado aos Republicanos, marca 6% nas intenções de voto. Sua candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral, e o Tribunal Superior Eleitoral expediu uma liminar determinando que seus votos sejam anulados. Isso significa que, tecnicamente, Garotinho estará na urna amanhã, mas seus sufrágios não serão contabilizados no resultado final. William Siri, do PSOL, aparece com 3%. Coronel Busnello, pela Missão, e André Marinho, pelo Novo, marcam 1% cada. Os demais candidatos não pontuam.
Esta situação jurídica cria um cenário peculiar para o resultado eleitoral. Se os votos de Garotinho forem de fato anulados conforme determinado, eles serão excluídos do cálculo de votos válidos — a forma como a Justiça Eleitoral oficialmente divulga os resultados. Essa exclusão pode ser decisiva para Paes. Com Garotinho fora da contagem, o ex-prefeito teria uma margem suficiente para vencer já no primeiro turno, sem necessidade de um segundo turno.
A Quaest também simulou um cenário hipotético sem Garotinho, embora reconheça que essa simulação não representa o que efetivamente acontecerá amanhã, já que a questão ainda está sub judice. Nesse cenário, Paes chegaria a 51% dos votos válidos, enquanto Ruas teria 43%. A diferença se ampliaria para oito pontos percentuais.
Para chegar a esses números, o instituto utiliza um modelo chamado "likely voter", ou eleitor provável. Esse cálculo não se baseia apenas nas intenções de voto declaradas. Ele combina duas dimensões: o perfil histórico de comparecimento de diferentes grupos de eleitores nas eleições de 2010 a 2022, e a motivação individual de cada eleitor nesta disputa específica. A motivação é medida através do interesse pela eleição, da busca por informação, dos resultados que o eleitor teme, de suas expectativas sobre quem vencerá, e de seu histórico pessoal de participação eleitoral.
A pesquisa foi realizada nos dias 2 e 3 de outubro, com 3.204 entrevistas com eleitores fluminenses. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo RJ-03032/2026.
O que acontecerá amanhã dependerá, em grande medida, de como a Justiça Eleitoral procederá com os votos de Garotinho. Se a liminar do TSE for mantida e os votos forem anulados, Paes terá vencido no primeiro turno. Se, por alguma razão, os votos forem contabilizados, a disputa pode ir para um segundo turno, alterando significativamente o cenário político do estado.
Citations marquantes
Caso os sufrágios de Garotinho sejam anulados, eles serão desconsiderados para o cálculo de votos válidos, o que pode ajudar Paes a vencer a eleição no primeiro turno— Pesquisa Quaest