A mais de um ano das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa de abrangência regional revela que o país não vive uma disputa única, mas sim múltiplos confrontos simultâneos moldados pela geografia, pela identidade e pela memória política de cada estado. Lula governa com folga onde sempre governou; Flávio Bolsonaro avança onde o bolsonarismo já havia fincado raízes; e as alternativas, por ora, existem apenas como promessas locais. O mapa que emerge não é o de uma nação dividida ao meio, mas o de um arquipélago eleitoral onde cada ilha tem suas próprias correntes.
Pesquisa Quaest mostra disputa presidencial acirrada em 10 estados
Lula domina o Nordeste, Flávio cresce no Sul; Caiado só existe em Goiás
Por que a pesquisa mostra padrões tão diferentes de estado para estado? Não deveria haver uma tendência nacional mais clara?
A política brasileira funciona assim. Lula tem raízes profundas no Nordeste — é de lá, governou para lá — e isso se traduz em voto. Flávio Bolsonaro, por outro lado, cresce onde a rejeição ao PT é mais forte ou onde sua marca pessoal reverbera melhor. Em Goiás, Caiado vence porque é de lá e tem máquina de estado.
Então esses candidatos alternativos — Zema, Caiado, Santos — não têm chance nacional?
Praticamente nenhuma. Zema tira 11% em Minas porque é de lá, mas cai para 1% ou 2% em qualquer outro lugar. Caiado só existe em Goiás. Eles são regionais, não nacionais. A disputa real é entre Lula e Flávio.
E toda essa gente que ainda não se decidiu ou que quer votar em branco?
Isso é o que torna tudo incerto. No Rio Grande do Sul, 19% ainda estão indecisos. Esses votos podem migrar para qualquer lado conforme a campanha avança. E os brancos e nulos — 7% a 17% — representam rejeição a ambos.
Qual estado é mais importante para decidir a eleição?
São Paulo. É o maior colégio eleitoral do país, e ali o empate é técnico. Quem ganhar São Paulo tem chance real de vencer nacionalmente. Mas o Paraná também importa — Flávio está forte lá, e se consolidar essa vantagem, muda o jogo no Sul.
A pesquisa foi feita em abril. Quanto tempo falta para o primeiro turno?
Ainda há meses. Muita coisa pode mudar. Campanhas, escândalos, economia — tudo isso move votos. Esses números são um retrato de um momento, não uma previsão.
O Pulso
- A pesquisa Genial/Quaest entrevistou quase 12 mil eleitores em dez estados e encontrou não uma eleição, mas dez disputas com lógicas distintas.
- Lula domina o Nordeste com folgas expressivas — 53% em Pernambuco, 50% no Ceará, 49% na Bahia —, mas perde terreno à medida que avança para o Sul e o Sudeste.
- Flávio Bolsonaro lidera com clareza apenas no Paraná (38%) e opera em empate técnico em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, sinalizando uma base sólida, mas ainda não majoritária.
- Candidatos alternativos como Zema e Caiado permanecem marginais em quase todo o país, com Caiado sendo exceção apenas em Goiás, onde empata tecnicamente com Flávio.
- Entre 13% e 19% dos eleitores em estados-chave ainda não se decidiram, e até 17% pretendem votar em branco ou nulo — uma reserva eleitoral que pode redefinir o jogo.
A mais de um ano das eleições presidenciais brasileiras, uma pesquisa de abrangência regional revela que o país não vive uma disputa única, mas sim múltiplos confrontos simultâneos moldados pela geografia, pela identidade e pela memória política de cada estado. Lula governa com folga onde sempre governou; Flávio Bolsonaro avança onde o bolsonarismo já havia fincado raízes; e as alternativas, por ora, existem apenas como promessas locais. O mapa que emerge não é o de uma nação dividida ao meio, mas o de um arquipélago eleitoral onde cada ilha tem suas próprias correntes.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira entrevistou 11.646 eleitores entre 21 e 28 de abril em dez estados brasileiros, medindo intenções de voto para o primeiro turno entre cinco candidatos. O resultado é um retrato de polarização geográfica: Lula domina o Nordeste e o Norte, enquanto Flávio Bolsonaro avança no Sul e no Sudeste, deixando espaço mínimo para alternativas.
No Nordeste, o presidente mantém controle firme. Em Pernambuco, seu estado de origem, alcança 53%; no Ceará, 50%; na Bahia, 49%. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar nesses três estados, mas distante, entre 19% e 23%. Os demais candidatos mal ultrapassam 2% individualmente.
O cenário se transforma fora do Nordeste. No Pará, há empate técnico entre Lula (35%) e Flávio (32%). Em Minas Gerais, a disputa é apertada — 33% a 27% —, com Romeu Zema marcando 11%, seu melhor resultado em qualquer estado pesquisado. Em São Paulo, Flávio lidera por margem estreita: 34% contra 31%. No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, o senador abre pequena vantagem sobre o presidente.
O Paraná é o único estado onde Flávio constrói vantagem clara: 38% contra 23% de Lula. Goiás apresenta padrão singular: Ronaldo Caiado empata tecnicamente com Flávio — 31% a 25% —, enquanto Lula marca apenas 20%. É o único estado onde um candidato alternativo emerge como força real.
A indecisão é fator relevante: em alguns estados, entre 13% e 19% dos entrevistados ainda não escolheram um nome, e até 17% pretendem votar em branco, nulo ou não votar. O quadro que emerge é o de uma eleição que não será resolvida em escala nacional, mas disputada em múltiplos tabuleiros regionais, cada um com suas próprias regras.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira traça um mapa eleitoral fragmentado do Brasil, revelando uma disputa presidencial que se comporta de formas radicalmente diferentes conforme o estado. O levantamento entrevistou 11.646 eleitores entre 21 e 28 de abril em dez das 26 unidades federativas, buscando medir as intenções de voto para o primeiro turno entre cinco candidatos possíveis. O que emerge é um quadro de polarização geográfica: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva domina o Nordeste e o Norte, enquanto o senador Flávio Bolsonaro cresce no Sul e no Sudeste, deixando espaço apenas marginal para alternativas como o ex-governador Romeu Zema e o ex-governador Ronaldo Caiado.
No Nordeste, Lula mantém controle firme. Em Pernambuco, seu estado de origem, o presidente alcança 53% das intenções de voto, com Flávio Bolsonaro distante em segundo lugar com 19%. No Ceará, a vantagem é de 50% contra 23% do senador. Na Bahia, Lula marca 49% enquanto Flávio fica em 19%. Nesses três estados, os demais candidatos — Caiado, Zema e Renan Santos, do MBL — mal ultrapassam 2% individualmente. A margem de indecisão e abstenção é considerável, porém: entre 8% e 13% dizem que votarão em branco, nulo ou não votarão, e entre 8% e 11% ainda não se decidiram.
O cenário muda drasticamente quando a pesquisa se afasta do Nordeste. No Pará, Lula e Flávio estão em empate técnico: 35% contra 32%. Em Minas Gerais, a margem é igualmente apertada, com o presidente em 33% e o senador em 27%, mas aqui surge um terceiro ator relevante — Romeu Zema, ex-governador do estado, marca 11%, seu melhor desempenho em qualquer unidade federativa pesquisada. Em São Paulo, o empate técnico favorece Flávio: 34% contra 31% de Lula. No Rio de Janeiro, Flávio abre pequena vantagem com 31% ante 29% do presidente. No Rio Grande do Sul, o senador novamente lidera com 31% contra 29%.
O Paraná é o único estado onde Flávio Bolsonaro constrói uma vantagem clara e inconteste: 38% contra 23% de Lula. Goiás, por sua vez, apresenta um padrão único. Ali, Ronaldo Caiado, ex-governador do estado, aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro — 31% contra 25% — enquanto Lula, que não governa a região, marca apenas 20%. É o único estado onde um candidato alternativo emerge como força principal.
Os números revelam também uma base de indecisão e rejeição significativa. Em estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, entre 13% e 19% dos entrevistados ainda não se decidiram. A proporção de quem pretende votar em branco, nulo ou não votar varia de 7% a 17% conforme o estado. Esses contingentes — somados aos que votarão em outros candidatos — representam uma parcela não negligenciável do eleitorado que permanece fora da disputa entre os dois principais nomes.
A metodologia da pesquisa entrevistou entre 900 e 1.650 eleitores por estado, com coleta presencial. A margem de erro é de três pontos percentuais para a maioria dos estados, reduzindo-se a dois pontos em São Paulo, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e registrado no Tribunal Superior Eleitoral. O quadro que emerge é o de uma eleição que não será decidida nacionalmente, mas que se jogará em múltiplos tabuleiros regionais, com dinâmicas próprias em cada estado.