Pesquisa Quaest: Lula lidera com 38% e Flávio Bolsonaro tem 31% para 2026

A geografia do país divide os eleitores de forma dramática
Pesquisa mostra Lula dominando o Nordeste com 57%, enquanto Flávio lidera no Sul com 40% e no Sudeste com 35%.
Mark

Por que a religião faz tanta diferença nessa eleição? Parece que evangélicos e católicos votam em candidatos completamente diferentes.

Mimi

A religião não é só crença — é comunidade, é rede de influência. Evangélicos cresceram muito nas últimas décadas e muitos líderes religiosos têm posições políticas claras. Católicos têm uma base mais antiga, mais diversa. Não é que a fé determine o voto, mas a fé conecta você a pessoas que pensam de certos jeitos.

Mark

E esses independentes? Vinte por cento ainda indecisos. Eles vão decidir a eleição?

Mimi

Provavelmente. Mas note que entre independentes, Lula tem 23% e Flávio tem 16%. Não é empate. Significa que mesmo quem não se identifica com nenhum lado tem preferências. Os indecisos de verdade são menores — talvez 5, 6 por cento. Esses sim podem virar a eleição.

Mark

A diferença regional é assustadora. Como um candidato ganha uma eleição nacional quando perde por 32 pontos em uma região inteira?

Mimi

Não perde por 32 — no Nordeste, Lula tem 57 e Flávio tem 23, diferença de 34. Mas o Nordeste tem muita gente. Tem mais de 50 milhões de habitantes. Se Lula vence lá por essa margem, consegue compensar perdas no Sul e Sudeste. A matemática eleitoral é regional, não é nacional.

Mark

Então o Sul e o Sudeste votam diferente porque quê? Porque são mais ricos?

Mimi

Não é só riqueza. É história. O Sul tem tradição de direita, de conservadorismo. O Sudeste é mais misto, mas tem São Paulo, que é economicamente poderosa e mais à direita. O Nordeste tem história de esquerda, de Lula, de sindicatos. Essas coisas não mudam rápido.

Mark

E os jovens? Lula tem 34%, Flávio tem 31%. Parece que a juventude não está nem aí para nenhum dos dois.

Mimi

Exato. Jovens têm 10% indecisos, 9% que não vão votar ou votam branco. Eles estão menos engajados. Mas também há candidatos menores que pegam mais voto jovem — Renan Santos tem 10% entre 16 a 34 anos. A juventude está mais dispersa.

  • A pesquisa inaugura uma maratona de 130 levantamentos eleitorais até outubro de 2026, sinalizando que a corrida presidencial já começou de fato.
  • A polarização geográfica é gritante: Lula domina o Nordeste com 57%, enquanto Flávio lidera o Sul com 40% e o Sudeste com 35%, revelando um país que vota em direções opostas conforme a latitude.
  • A divisão religiosa aprofunda o racha — evangélicos inclinam-se fortemente a Flávio (43%), enquanto católicos preferem Lula (47%), tornando as igrejas um campo de batalha eleitoral silencioso.
  • Os eleitores independentes — com Lula em 23%, Flávio em 16% e 20% ainda indecisos — representam o território mais disputado e potencialmente decisivo da eleição.
  • A disputa está empatada entre eleitores com ensino superior (32% para cada), sugerindo que a diferenciação programática será essencial para conquistar esse segmento.

A menos de um ano das eleições presidenciais brasileiras de 2026, a primeira pesquisa Quaest encomendada pela Globo revela um país profundamente dividido por geografia, fé e renda. Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 31%, mas esses números nacionais mascaram fraturas regionais e demográficas que definirão, mais do que qualquer média, o destino da disputa. Como em tantos momentos da história política brasileira, a pergunta não é apenas quem está à frente — mas de qual Brasil cada candidato é o espelho.

A Globo e O Globo encomendaram à Quaest sua primeira pesquisa eleitoral para 2026, divulgada na última sexta-feira. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto e coloca Lula à frente com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro, seu principal adversário até aqui. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Os números nacionais, porém, escondem uma realidade muito mais fragmentada. No Nordeste, Lula domina com 57%, enquanto Flávio marca apenas 23%. No Sudeste e no Sul, o quadro se inverte: Flávio lidera com 35% e 40%, respectivamente, contra 32% e 25% de Lula. Essa polarização regional reflete décadas de diferenças políticas, econômicas e culturais entre as regiões do país.

A religião e a renda seguem padrão semelhante. Entre evangélicos, Flávio tem 43% contra 24% de Lula; entre católicos, Lula inverte com 47% contra 27%. Eleitores de baixa renda — até dois salários mínimos — favorecem Lula com 52%, enquanto os de renda mais alta preferem Flávio. Quanto maior a escolaridade, mais equilibrada fica a disputa, chegando ao empate técnico entre universitários.

O divisor mais nítido, contudo, é a identidade política. Lulistas votam em Lula com 91%; bolsonaristas votam em Flávio com 90%. O grupo decisivo são os independentes: Lula tem 23%, Flávio 16%, e 20% ainda não se decidiram. É nesse eleitorado sem filiação clara que a eleição pode ser ganha ou perdida.

Até a véspera do primeiro turno, em outubro de 2026, a Globo publicará 130 pesquisas sobre as disputas presidencial, senatorial e estaduais. Esses primeiros números estabelecem o ponto de partida de uma eleição que será decidida não por uma média nacional, mas pelas escolhas de grupos muito específicos em regiões muito específicas do Brasil.

A Globo e o jornal O Globo encomendaram sua primeira pesquisa eleitoral para 2026 à Quaest, divulgada na sexta-feira. Os números revelam uma disputa presidencial em que Lula aparece à frente com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro, seu principal concorrente, marca 31%. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Mas esses números nacionais escondem uma realidade muito mais fragmentada. A geografia do país divide os eleitores de forma dramática. No Nordeste, Lula domina com 57% das intenções, enquanto Flávio fica em 23%. Já no Sudeste, o cenário se inverte: Flávio lidera com 35% contra 32% de Lula. No Sul, a vantagem de Flávio é ainda maior, com 40% contra 25% do presidente. Essa polarização regional não é acidental — reflete décadas de diferenças políticas, econômicas e culturais entre as regiões.

A religião também marca profundamente o voto. Entre evangélicos, Flávio sai na frente com 43%, enquanto Lula fica com apenas 24%. Entre católicos, a situação se inverte: Lula tem 47% contra 27% de Flávio. A renda segue padrão semelhante. Eleitores que ganham até dois salários mínimos favorecem Lula com 52%, enquanto aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos preferem Flávio com 36% contra 31% de Lula. Quanto maior a escolaridade, mais equilibrada fica a disputa — entre quem tem ensino superior, ambos marcam 32%.

A idade também diferencia o eleitorado. Lula tem seu melhor desempenho entre os mais velhos: 43% entre quem tem 60 anos ou mais. Entre jovens de 16 a 34 anos, a margem diminui para 34% de Lula contra 31% de Flávio. Homens e mulheres votam de forma similar para Lula (39% em ambos), mas Flávio tem mais apoio entre homens (34%) do que entre mulheres (28%).

O posicionamento político do eleitor é talvez o divisor mais claro. Entre quem se identifica como lulista, Lula recebe 91% das intenções, enquanto Flávio fica com apenas 1%. No outro extremo, entre bolsonaristas, Flávio tem 90% contra 3% de Lula. Os independentes, porém, mostram uma disputa aberta: Lula com 23%, Flávio com 16%, e 20% ainda indecisos. Esse grupo de eleitores sem filiação clara pode ser decisivo na campanha que se aproxima.

Até 3 de outubro, véspera do primeiro turno, a Globo, a GloboNews, o jornal O Globo e suas afiliadas publicarão 130 pesquisas sobre as disputas presidencial, senatorial e estaduais. Tanto a Quaest quanto o Datafolha foram contratadas para acompanhar rodada a rodada como a corrida eleitoral se move. Esses números iniciais estabelecem o ponto de partida: uma eleição que será decidida não apenas pelo voto nacional, mas pelas escolhas de grupos muito específicos em regiões muito específicas do país.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%
— Quaest
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