Em São Paulo, a corrida por duas cadeiras no Senado revela um eleitorado ainda em busca de referências: com 79% incapazes de citar um nome sem auxílio, a disputa pertence menos às convicções do que ao reconhecimento. Derrite lidera com folga entre os mais conhecidos, mas a rejeição elevada de Marina Silva e Simone Tebet e a volatilidade de 35% do eleitorado lembram que, em democracias fragmentadas, a última palavra raramente é dita antes do último dia.
Pesquisa Quaest: Derrite lidera disputa pelo Senado em SP com 23% na primeira vaga
Metade dos eleitores ainda não sabe quem é Derrite
Por que 79% dos eleitores ficam indecisos quando não veem os nomes dos candidatos?
Porque a maioria das pessoas não acompanha a campanha com atenção ou não consegue lembrar espontaneamente de quem está concorrendo. Quando os nomes aparecem, a memória funciona.
Mas isso não significa que conhecem os candidatos de verdade. Derrite, por exemplo, 50% não o conhece. Conhecer o nome é diferente de conhecer a proposta.
Então Derrite está realmente na frente?
Na primeira vaga, sim. Ele tem 23%, Marina tem 16%, Simone tem 15%. Mas a margem é pequena — apenas oito pontos entre o primeiro e o terceiro.
E ele tem a menor rejeição entre os três. Apenas 17% o conhecem e não votariam nele, contra 45% para Marina e 34% para Simone. Isso pode ser vantajoso.
A rejeição é tão importante assim?
Sim, porque limita o potencial de crescimento. Se 45% das pessoas que conhecem Marina não votariam nela, ela tem um teto. Derrite, com 50% não o conhecendo, tem mais espaço para crescer.
Mas também pode crescer para cima ou para baixo. Conhecimento baixo significa volatilidade. Ele pode ganhar ou perder eleitores facilmente.
E a segunda vaga? Por que Marina lidera lá?
Porque os eleitores estão distribuindo os votos. Alguns votam em Derrite para a primeira e Marina para a segunda. É uma forma de equilibrar.
Ou é apenas que Marina tem mais rejeição na primeira vaga e os eleitores a preferem como segunda opção. A pesquisa não explica o porquê.
35% ainda podem mudar o voto. Isso muda tudo?
Pode mudar, sim. Faltam duas semanas. Campanhas intensas conseguem mexer com números assim.
Mas note que 65% dizem que já decidiram. Isso é mais alto que duas semanas atrás. A tendência é de consolidação, não de volatilidade.
O Pulso
- Com 79% dos eleitores incapazes de nomear um candidato espontaneamente, a disputa pelo Senado paulista começa, na prática, do zero para a maioria da população.
- Derrite avança — triplicou sua menção espontânea em duas semanas e lidera a pesquisa estimulada com 23% na primeira vaga — mas ainda é desconhecido por metade do eleitorado.
- Marina Silva e Simone Tebet carregam rejeições de 45% e 34% respectivamente entre quem as conhece, criando um teto invisível que limita seu crescimento mesmo com nomes consolidados.
- 35% dos eleitores admitem que podem mudar o voto até 4 de outubro, tornando as semanas finais de campanha potencialmente mais decisivas do que qualquer número atual sugere.
- A diferença de apenas quatro pontos percentuais entre o primeiro e o terceiro colocado na combinação das duas vagas sinaliza que nenhum candidato está seguro — e nenhum está eliminado.
Em São Paulo, a corrida por duas cadeiras no Senado revela um eleitorado ainda em busca de referências: com 79% incapazes de citar um nome sem auxílio, a disputa pertence menos às convicções do que ao reconhecimento. Derrite lidera com folga entre os mais conhecidos, mas a rejeição elevada de Marina Silva e Simone Tebet e a volatilidade de 35% do eleitorado lembram que, em democracias fragmentadas, a última palavra raramente é dita antes do último dia.
A Quaest divulgou nesta quarta-feira uma pesquisa sobre a disputa pelo Senado em São Paulo, ouvindo 1.800 pessoas entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O retrato é de uma corrida ainda sem dono.
Quando os nomes não são apresentados, o vazio domina: 79% dos eleitores não conseguem citar nenhum candidato. Apenas Derrite (5%), Tebet (4%), Marina Silva (4%) e André do Prado (3%) ultrapassam a marca de 2% de menção espontânea. O cenário muda quando a lista é mostrada.
Na pesquisa estimulada, Derrite lidera a primeira vaga com 23%, seguido por Marina Silva (16%) e Simone Tebet (15%). Na combinação das duas vagas, a diferença entre o primeiro e o terceiro colocado é de apenas quatro pontos — Derrite com 16%, Marina com 13% e Tebet com 12% —, revelando uma disputa genuinamente aberta.
A rejeição é o outro lado da moeda. Marina Silva, a mais conhecida entre as adversárias, também é a mais rejeitada: 45% dos que a conhecem não votariam nela. Tebet registra 34% de rejeição. Derrite, por sua vez, tem apenas 17% de rejeição entre quem o conhece — mas metade do eleitorado ainda não sabe quem ele é.
Em relação à pesquisa anterior, de 8 de setembro, Derrite cresceu três pontos na primeira vaga e triplicou sua menção espontânea. Os demais avançaram marginalmente ou ficaram estáveis. Com 35% dos eleitores ainda dispostos a mudar o voto antes de 4 de outubro, o capítulo final desta disputa permanece em aberto.
A disputa pelo Senado em São Paulo ainda está em aberto, segundo levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira. O instituto ouviu 1.800 pessoas entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é SP-02456/2026.
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados — o que a Quaest chama de pesquisa espontânea — o quadro é de desorientação total: 79% dos eleitores não conseguem citar um nome, ficando indecisos. Apenas cinco candidatos conseguem menção espontânea acima de 2%: Guilherme Derrite, do PP, com 5%; Simone Tebet, do PSB, com 4%; Marina Silva, da Rede, também com 4%; e André do Prado, do PL, com 3%. Esse cenário muda radicalmente quando os nomes são mostrados aos entrevistados.
Na pesquisa estimulada — aquela em que a lista de candidatos é apresentada — Derrite emerge como favorito para a primeira vaga, com 23% das intenções de voto. Marina Silva aparece em segundo lugar com 16%, e Simone Tebet em terceiro com 15%. André do Prado, do PL, fica com 8%. Quando se considera a combinação de votos para as duas vagas, Derrite lidera com 16%, Marina Silva tem 13% e Simone Tebet 12%. A diferença entre o primeiro e o terceiro colocado é de apenas quatro pontos percentuais, indicando uma corrida aberta.
O cenário para a segunda vaga é distinto. Marina Silva lidera com 11%, seguida por Derrite e Simone Tebet, ambos com 9%. André do Prado também aparece com 8%. Isso sugere que os eleitores estão distribuindo seus votos de forma diferente nas duas posições, sem consolidar uma chapa clara.
A rejeição aos candidatos é um fator importante na análise. Marina Silva é a mais rejeitada: 45% dos eleitores a conhecem mas não votariam nela. Simone Tebet tem 34% de rejeição entre os que a conhecem. Derrite, por sua vez, tem apenas 17% de rejeição entre os que o conhecem, mas metade dos eleitores ainda não sabe quem ele é — 50% não o conhecem. André do Prado é praticamente desconhecido: 64% dos entrevistados não o conhecem.
Um dado relevante para as semanas finais de campanha: 65% dos eleitores dizem que sua escolha é definitiva, ante 57% duas semanas antes. Mas 35% ainda afirmam que podem mudar o voto até 4 de outubro, quando ocorrem as eleições. Essa margem de volatilidade pode ser decisiva em uma disputa tão fragmentada.
Comparando com a pesquisa anterior, de 8 de setembro, Derrite cresceu três pontos percentuais na primeira vaga, passando de 20% para 23%. Marina Silva caiu um ponto, de 17% para 16%. Simone Tebet manteve-se estável em 15%. André do Prado cresceu dois pontos, de 6% para 8%. Na pesquisa espontânea, Derrite triplicou sua menção, saindo de 2% para 5%, enquanto os demais candidatos cresceram apenas um ponto percentual cada.
Citações Notáveis
65% dos eleitores dizem que sua escolha é definitiva, ante 57% duas semanas antes— Pesquisa Quaest