Pesquisa mostra que alunos sem celulares têm melhor desempenho em Matemática e Português

Cada notificação é como sair da sala de aula
Secretário de Educação explica o impacto das interrupções digitais na concentração dos alunos.
Mark

Como a prefeitura chegou a esses números? Qual foi o tamanho da amostra?

Mimi

A pesquisa foi divulgada como inédita, mas o secretário não detalhou a metodologia na entrevista. Sabemos que comparou escolas com proibição e sem proibição, mas não temos informações sobre quantas escolas, quantos alunos ou o período de coleta.

Luke

Exatamente. Um aumento de 53% é um número forte, mas sem saber se isso vem de 50 alunos ou 5 mil, de um semestre ou um ano inteiro, fica difícil avaliar o peso real da descoberta.

Mark

E quanto aos outros fatores? Infraestrutura, qualidade dos professores, contexto socioeconômico — isso foi controlado?

Mimi

Ferreirinha focou na questão da distração e das notificações como mecanismo de interrupção. Mas a entrevista não menciona se outros variáveis foram isoladas.

Luke

Isso é crucial. Escolas que proíbem celulares podem ter características diferentes — talvez sejam mais tradicionais, com mais recursos, ou com famílias que valorizam mais a educação formal. O celular pode ser um sintoma, não a causa.

Mark

Então o dado é válido, mas incompleto?

Mimi

Válido como ponto de partida. Mostra uma correlação real. Mas para entender se é o celular em si ou o contexto da escola, precisaríamos de mais detalhes.

Luke

E precisaríamos saber também: esses alunos sem celulares têm acesso a outras tecnologias em casa? Usam computadores? A proibição é realmente sobre reduzir distração ou sobre um modelo pedagógico mais amplo?

Mark

A exceção pedagógica que Ferreirinha mencionou — como funciona na prática?

Mimi

Ele disse que aparelhos podem ser usados por ordem da direção ou para fins pedagógicos. Mas não explicou quem decide, com que frequência isso acontece, ou se há diretrizes claras.

Luke

Sem isso, a regra fica vaga. Uma direção pode interpretar "fins pedagógicos" de forma muito ampla.

  • Alunos do 9º ano em escolas sem celular têm 53% mais chances de atingir o nível adequado em Matemática — um dado que transforma opinião em evidência.
  • Cada notificação, segundo o secretário Ferreirinha, age como uma saída invisível da sala de aula, fragmentando a concentração necessária para absorver conceitos complexos.
  • O debate sobre celulares nas escolas deixa o campo das impressões e ganha peso político e científico em diferentes esferas de governo no Brasil.
  • A proibição não é total: uso pedagógico ou situações excepcionais autorizadas pela direção ainda são permitidos, sinalizando uma política de equilíbrio, não de exclusão.

Em um tempo em que as telas competem com os professores pela atenção das crianças, o Rio de Janeiro trouxe números para um debate que vivia de intuições: escolas que proibiram o celular formam alunos com desempenho mensurável e significativamente superior em Matemática e Português. A pesquisa municipal, apresentada pelo secretário Renan Ferreirinha, não condena a tecnologia — ela convida a refletir sobre o custo silencioso da distração contínua sobre a capacidade humana de aprender.

Na manhã de terça-feira, o secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, apresentou ao vivo os resultados de uma pesquisa inédita da prefeitura: alunos em escolas onde o celular é proibido têm desempenho superior em Matemática e Português. O dado mais contundente envolve os estudantes do nono ano — aqueles sem acesso ao telefone durante as aulas têm 53% mais chances de atingir o nível adequado em Matemática.

Ferreirinha foi direto ao explicar o mecanismo por trás dos números. Cada notificação recebida pelo aluno equivale, cognitivamente, a sair da sala de aula — mesmo que o corpo permaneça na carteira. A distração não é passageira; ela quebra o fio de atenção necessário para compreender conceitos que se constroem uns sobre os outros.

A proibição, porém, não é absoluta. O uso do aparelho permanece permitido em situações excepcionais, com autorização da direção, ou quando há finalidade pedagógica clara. A mensagem da pesquisa não é contra a tecnologia — é a favor de um ambiente onde aprender ainda seja possível. Com dados concretos em mãos, o Rio de Janeiro oferece ao restante do país uma base mais sólida para uma decisão que afeta milhões de estudantes.

Na manhã de terça-feira, o secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, apresentou os resultados de uma pesquisa inédita da prefeitura durante uma entrevista no programa Show do Antônio Carlos, transmitido pela Super Rádio Tupi. Os dados revelavam algo que educadores vêm debatendo há anos: alunos matriculados em escolas onde o uso de celulares é proibido apresentam desempenho superior em Matemática e Português.

O número mais expressivo da pesquisa diz respeito aos alunos do nono ano. Segundo Ferreirinha, aqueles que estudam sem acesso a telefones celulares têm 53% mais chances de atingir o nível adequado em Matemática. A descoberta coloca em evidência uma questão que vai além do simples cumprimento de regras escolares — toca no cerne de como a atenção funciona em ambientes de aprendizagem.

Ferreirinha, ex-deputado, foi direto ao ponto ao explicar por que os aparelhos prejudicam o processo educativo. Ele argumentou que não há lógica em um professor explicar conteúdo enquanto um aluno joga em seu telefone. Mais do que isso, cada notificação que chega ao dispositivo funciona como uma interrupção cognitiva — é como se o estudante saísse fisicamente da sala de aula, mesmo permanecendo em sua carteira. A distração não é apenas momentânea; ela fragmenta a concentração necessária para absorver conceitos complexos.

O secretário deixou claro, porém, que a proibição não é absoluta. Os celulares podem ser utilizados em situações excepcionais — quando a direção da escola autoriza ou quando há uma finalidade pedagógica clara. Essa nuance é importante: a questão não é demonizar a tecnologia, mas reconhecer que seu uso indiscriminado em sala de aula compromete resultados mensuráveis.

A pesquisa chega em um momento em que o debate sobre dispositivos móveis nas escolas ganha força em diferentes níveis de governo. O Rio de Janeiro, com essa investigação, fornece dados concretos para uma conversa que frequentemente fica presa em opiniões. Os números sugerem que a proibição não é apenas uma questão de disciplina ou tradição pedagógica — é uma estratégia que produz impacto real no aprendizado de Matemática e Português, disciplinas fundamentais que servem como base para outras áreas do conhecimento.

Um aluno do nono ano tem 53% mais chances de estar no nível adequado em Matemática
— Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro
Toda vez que o aluno recebe uma notificação, é como se ele saísse da sala de aula
— Renan Ferreirinha
Fale Conosco FAQ