Pesquisa mostra Flávio à frente e Bolsa beira recorde; dólar cai

O mercado aposta em austeridade que ainda não existe
Flávio lidera as pesquisas, mas não apresentou propostas concretas de ajuste fiscal, apenas promessas de gastos.
Mark

Por que o mercado está tão otimista se o candidato ainda não apresentou um plano fiscal concreto?

Mimi

Porque o mercado está precificando uma mudança de governo que ele acredita ser favorável ao controle das contas públicas. É uma aposta na direção, não necessariamente nos detalhes.

Luke

Mas isso é especulativo, certo? A promessa do Perse contradiz a narrativa de austeridade. Como sabemos que o otimismo é justificado?

Mimi

Não sabemos. É por isso que o movimento é chamado de "trade eleitoral" — é uma posição que pode virar rapidamente se as pesquisas mudarem ou se novas promessas de gastos forem anunciadas.

Mark

E o dólar caindo — isso é bom ou ruim para o Brasil?

Mimi

Depende da perspectiva. Para quem importa, é bom. Para quem exporta, é ruim. Mas o mercado está interpretando como sinal de confiança na moeda brasileira.

Luke

O fluxo de capital externo é real — R$ 20,99 bilhões em outubro até o dia 16. Mas isso pode sair tão rápido quanto entrou se a eleição não sair como o mercado espera.

Mark

Então o domingo é realmente o ponto de virada?

Mimi

Completamente. Se Flávio vencer, o mercado provavelmente continua em alta. Se Lula vencer, há risco de reversão significativa.

Luke

E precisamos lembrar que as pesquisas mostram 52% contra 48% — uma margem que pode estar dentro da margem de erro. Não é uma vitória garantida.

  • Ibovespa avançou 1,57% para 208.295 pontos, próximo ao recorde de 209.066
  • Pesquisa Real Time Big Data: Flávio 52%, Lula 48% no segundo turno
  • Dólar caiu 0,58% para R$ 5,0182; acumula queda de 8,58% no ano
  • Capital externo positivo de R$ 20,99 bilhões em outubro até dia 16
  • Segundo turno presidencial em 25 de outubro

Ibovespa avançou 1,57% nesta terça, atingindo 208.295 pontos, próximo ao recorde de 209.066 pontos de outubro. Pesquisa Real Time Big Data mostra Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula no segundo turno.

Bolsa brasileira aproxima-se de recorde histórico e dólar cai após pesquisa mostrar Flávio Bolsonaro à frente na corrida presidencial, refletindo otimismo do mercado com perspectivas fiscais.

A bolsa brasileira acorda para a semana com otimismo. Nesta terça-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,57%, alcançando 208.295 pontos e chegando a tocar 208.941 na máxima do dia — quase no patamar do recorde histórico de 209.066 pontos, registrado em 9 de outubro. O volume financeiro movimentado foi de R$ 42,5 bilhões. Bancos e a própria B3 lideraram os ganhos, enquanto investidores estrangeiros continuavam alimentando a compra de ações brasileiras. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, resumiu o movimento em três palavras: "trade eleitoral".

O que move o mercado é simples e direto: a expectativa de mudança em Brasília. Com o segundo turno presidencial marcado para domingo, 25 de outubro, as pesquisas eleitorais ganharam peso determinante nas decisões de investimento. A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora a disputa permaneça acirrada, a maioria dos institutos de pesquisa segue indicando alguma vantagem numérica para o candidato do PL. As ações reagiram positivamente à perspectiva de uma possível vitória de Flávio, alimentadas pela expectativa de melhora no cenário fiscal do país. Apenas em outubro, até o dia 16, o Brasil recebeu um saldo positivo de R$ 20,99 bilhões em capital externo.

O dólar, por sua vez, recuou ante o real. A moeda norte-americana fechou com queda de 0,58%, cotada a R$ 5,0182, acumulando baixa de 8,58% no ano. O dólar futuro para novembro, o mais negociado na B3, caiu 0,50% para R$ 5,0280. O movimento foi influenciado tanto por fatores externos — a moeda americana operou em baixa ante o iene, a libra, o euro e o franco suíço, enquanto os rendimentos dos Treasuries de longo prazo recuavam — quanto pelo cenário político brasileiro. Ante divisas de países emergentes, o dólar também perdeu terreno: o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano avançaram, criando um viés de queda para as cotações no Brasil.

Por trás dessa dinâmica está uma leitura compartilhada por boa parte dos agentes de mercado: com Flávio no Planalto, crescem as chances de maior controle das contas públicas. Jonathan Joo Young Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, observou que "já está em boa parte precificado que Flávio vai ganhar, mas há espaço para valorização do real e diminuição de prêmios na curva de juros futuros se isso se confirmar". O fluxo de investimentos estrangeiros que entra na bolsa também oferece suporte direto ao real. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, resumiu: "O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes".

Mas há uma tensão subjacente nesse otimismo. O candidato e seus porta-vozes econômicos ainda não apresentaram propostas concretas de ajuste fiscal. Nesta terça-feira, na contramão da narrativa de austeridade, Flávio prometeu restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) caso vença a eleição, estendendo o benefício para eventos, shows e turismo. O programa foi criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor, mas teve elevado custo fiscal e se prolongou bem além do período emergencial, com empresas de diferentes áreas conseguindo acessar o benefício. Lee pontuou a incerteza: "A gente não sabe como ele vai fazer corte de gastos. Ele mencionou que um dos principais pontos é recuperar a confiança e melhorar a questão fiscal do Brasil, mas a gente não tem clareza de como isso vai ser feito". Mesmo diante dessa falta de clareza, o mercado reagiu com otimismo total após o primeiro turno. Novas pesquisas estão programadas para os próximos dias — Quaest na quarta-feira e Datafolha na quinta — e qualquer movimento nas intenções de voto pode reescrever o roteiro dos próximos cinco dias.

Trade eleitoral
— Willian Queiroz, Blue3 Investimentos, sobre o desempenho do Ibovespa
Já está em boa parte precificado que Flávio vai ganhar, mas há espaço para valorização do real e diminuição de prêmios na curva se isso se confirmar
— Jonathan Joo Young Lee, Mirae Asset
A gente não sabe como ele vai fazer corte de gastos. Ele mencionou que um dos principais pontos é recuperar a confiança e melhorar a questão fiscal do Brasil, mas a gente não tem clareza de como isso vai ser feito
— Jonathan Joo Young Lee, Mirae Asset
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