A menos de um ano das eleições presidenciais brasileiras de 2026, uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela que o país se encontra dividido ao meio: em votos válidos, Lula e Flávio Bolsonaro chegam a exatos 50% cada em simulação de segundo turno, enquanto a desaprovação do presidente ultrapassa 53%. É o retrato de uma democracia em tensão, onde a insatisfação com o presente ainda não se converteu em certeza sobre o futuro.
Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno
Empate perfeito de 50% a 50% em votos válidos
Como um empate técnico de 50% a 50% em votos válidos se torna uma diferença de 0,1 ponto no cenário total? Isso não parece contraditório?
Não, porque o cenário total inclui os 4,8% que votariam em branco, anulariam ou ainda não sabem. Quando você distribui esse grupo proporcionalmente, ambos ficam com 47,6% e 47,7%, uma diferença mínima.
Mas isso assume que esses indecisos se distribuem igualmente. A pesquisa diz que 4,8% não sabem, mas não diz como eles provavelmente votariam se fossem forçados a escolher. Isso é uma limitação importante.
E quanto à desaprovação de 53,6%? Como Lula vence em segundo turno se mais da metade desaprova?
Porque em segundo turno, o voto é uma escolha entre duas pessoas. Muitos que desaprovam Lula podem desaprovar ainda mais seu adversário. É voto útil, não voto de aprovação.
Verdade, mas a pesquisa não testou se a desaprovação é maior para Lula ou para Flávio. Sem saber a desaprovação de Flávio, não podemos afirmar que o voto útil favorece Lula.
A pesquisa testou Lula contra vários adversários. Por que ele vence contra todos, mas está empatado com Flávio?
Flávio é o candidato mais competitivo. Contra Renan Santos, por exemplo, Lula chega a 61,6% em votos válidos. Flávio é o único que consegue chegar a 50%.
Mas a margem de erro é de um ponto percentual. Um empate de 50% a 50% está dentro da margem de erro de qualquer resultado entre 49% e 51% para cada um. Tecnicamente, Lula poderia estar à frente ou atrás.
Qual é o tamanho da amostra e como foi feito o recrutamento?
Foram 5.005 pessoas, recrutadas digitalmente de forma aleatória entre 23 e 28 de setembro. Está registrado no TSE.
Recrutamento digital aleatório é diferente de amostragem aleatória tradicional. Quem tem acesso à internet e responde pesquisas online pode não representar toda a população eleitoral. Isso não é mencionado na pesquisa.
O Pulso
- O empate técnico de 50% a 50% entre Lula e Flávio Bolsonaro em votos válidos sinaliza que nenhum dos dois campos tem vantagem consolidada a pouco mais de um ano do pleito.
- A desaprovação de 53,6% ao governo Lula e a avaliação negativa de 50,8% revelam um eleitorado insatisfeito, mas ainda sem destino claro definido.
- No primeiro turno, Lula lidera com 45,3% contra 42,2% de Flávio, mas a margem é estreita o suficiente para manter o cenário em aberto.
- Contra adversários como Zema, Caiado e Cury, Lula vence com folga em votos válidos, sugerindo que Flávio Bolsonaro é o único rival capaz de disputar em pé de igualdade.
- O contingente de indecisos, brancos e nulos — que chega a quase 25% em alguns cenários — representa o verdadeiro campo de batalha eleitoral dos próximos meses.
A menos de um ano das eleições presidenciais brasileiras de 2026, uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela que o país se encontra dividido ao meio: em votos válidos, Lula e Flávio Bolsonaro chegam a exatos 50% cada em simulação de segundo turno, enquanto a desaprovação do presidente ultrapassa 53%. É o retrato de uma democracia em tensão, onde a insatisfação com o presente ainda não se converteu em certeza sobre o futuro.
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apresenta um cenário de segundo turno presidencial de rara simetria: em votos válidos, Lula e Flávio Bolsonaro chegam a exatamente 50% cada. No quadro geral, incluindo brancos, nulos e indecisos, a diferença é de apenas um décimo de ponto percentual — 47,7% para Flávio e 47,6% para Lula —, dentro da margem de erro de um ponto percentual. O levantamento ouviu 5.005 pessoas entre 23 e 28 de setembro por recrutamento digital aleatório, com 95% de confiança, e foi registrado no TSE sob o número BR-04391/2026.
No primeiro turno, o quadro é ligeiramente diferente: Lula aparece à frente com 45,3%, contra 42,2% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos, da Missão, aparece em terceiro com 5,2%, seguido por Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema com participações menores. Em votos válidos, a liderança de Lula sobe para 46,2% contra 43,1% do senador.
Contra outros adversários em simulações de segundo turno, Lula vence com margens mais confortáveis: 51,4% a 48,6% sobre Caiado, 53,5% a 46,5% sobre Zema, 56,1% a 43,9% sobre Cury e 61,6% a 38,4% sobre Renan Santos — todos em votos válidos. O dado reforça que Flávio Bolsonaro é o único rival capaz de igualar o presidente nas urnas.
O levantamento, porém, expõe fragilidades do atual governo: 53,6% desaprovam Lula e 50,8% avaliam sua gestão como ruim ou péssima. Apenas 40,2% a consideram ótima ou boa. O paradoxo é revelador — muitos que rejeitam a gestão ainda hesitam diante das alternativas, mantendo o resultado eleitoral genuinamente em aberto.
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (29 de setembro) pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apresenta um cenário de segundo turno presidencial onde o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados. Quando se consideram apenas os votos válidos, ambos chegam a exatamente 50% das intenções de voto. No quadro geral, incluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 47,7% enquanto Lula marca 47,6% — uma diferença de apenas um décimo de ponto percentual, dentro da margem de erro da pesquisa.
O levantamento ouviu 5.005 pessoas entre 23 e 28 de setembro por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04391/2026. Na simulação específica de segundo turno entre os dois candidatos, 4,8% dos entrevistados indicaram que votariam em branco, anulariam o voto ou ainda não sabiam em quem votar — esse contingente, quando excluído do cálculo, resulta no empate perfeito de 50% a 50%.
No cenário de primeiro turno, porém, o quadro é distinto. Lula aparece numericamente à frente com 45,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42,2%. Renan Santos, da Missão, aparece em terceiro com 5,2%, seguido por Augusto Cury (Avante) com 2%, Ronaldo Caiado (PSD) com 1,8% e Romeu Zema (Novo) com 0,9%. Outros candidatos somam 0,5%, enquanto 0,9% indicam voto em branco ou nulo e 1,2% não souberam responder. Quando se consideram apenas os votos válidos nesse primeiro turno, Lula chega a 46,2% contra 43,1% de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também testou Lula contra outros possíveis adversários em simulações de segundo turno. Contra Ronaldo Caiado, o presidente aparece com 45,9% das intenções de voto diante de 43,4% do ex-governador de Goiás, com 10,8% de brancos, nulos ou indecisos. Em votos válidos, o resultado é 51,4% para Lula e 48,6% para Caiado. Frente a Romeu Zema, Lula registra 47,4% contra 41,2% do ex-governador de Minas Gerais, com 11,4% de indecisos. Entre votos válidos, os números são 53,5% a 46,5%. Contra Augusto Cury, Lula tem 46,2% ante 36,1%, com 17,7% de indecisos, resultando em 56,1% a 43,9% em votos válidos. Na comparação com Renan Santos, Lula alcança 46,4% contra 28,9%, com 24,7% de indecisos, chegando a 61,6% a 38,4% em votos válidos.
Mas a pesquisa também revela desafios para o presidente. Sua desaprovação chega a 53,6%, enquanto 45,2% aprovam seu desempenho e 1,2% não souberam responder. Na avaliação do governo, 50,8% classificam a gestão como ruim ou péssima, 40,2% consideram ótima ou boa e 9% avaliam como regular. Esse cenário de desaprovação elevada contrasta com a capacidade de Lula de vencer em simulações de segundo turno contra a maioria dos adversários testados, sugerindo que embora muitos desaprovem sua gestão, a escolha entre ele e seus potenciais concorrentes ainda permanece em aberto.
Citações Notáveis
Com a exclusão do grupo de indecisos, brancos e nulos para o cálculo dos votos válidos, os dois candidatos ficam rigorosamente empatados em 50% a 50%— Pesquisa Atlas/Bloomberg