Diante de uma crise de violência que abalou as escolas peruanas, a presidente Keiko Fujimori anunciou, em outubro de 2026, um conjunto de novas regras de conduta para as instituições públicas do país — proibindo maquiagem, celulares e prevendo expulsão para casos graves de agressão. O ponto de partida foi a denúncia de violência sexual contra um adolescente de 16 anos durante uma viagem escolar em setembro, episódio que revelou não uma falha isolada, mas uma ferida sistêmica. O governo responde com disciplina visível, mas a pergunta que permanece é se normas de aparência e punição são capazes
Peru proíbe maquiagem e unhas pintadas em escolas sob novo código de conduta
Há limites, direitos, mas também obrigações
Por que o governo decidiu proibir maquiagem e unhas pintadas? Isso parece desproporcionalmente focado em aparência quando o problema real é violência.
A proibição de aparência é parte de um código de conduta mais amplo. O governo está tentando estabelecer um ambiente escolar com regras claras e uniformes. Fujimori argumenta que isso cria limites e disciplina.
Mas a pergunta de Mark é válida. A proibição de maquiagem resolve o problema de um adolescente ter sofrido violência sexual? Parece que o governo está usando regulações cosméticas como substituto para lidar com a violência real.
Não é substituto. As proibições de aparência são uma parte. A expulsão para casos graves de violência é outra. Sanções proporcionais para bullying e assédio sexual são a terceira.
Então a aparência é apenas um símbolo de disciplina geral?
Sim. O ministro Chang disse explicitamente que as regras sobre aparência fazem parte de um esforço para impedir agressão entre estudantes. É uma abordagem holística de conduta.
Mas não há evidência de que proibir maquiagem reduz violência. Isso é uma correlação que o governo está assumindo, não provando.
Quantas denúncias de violência surgiram após o caso de setembro?
A fonte não especifica um número. Diz que "outras denúncias" emergiram, mas não quantifica.
Exatamente. Sabemos que houve um caso grave em 15 de setembro, seis adolescentes foram internados, e depois "uma onda de indignação" começou. Mas não sabemos a escala real do problema.
Então o governo está respondendo a uma crise cuja dimensão não conhecemos completamente?
Está respondendo a um evento específico que gerou repercussão pública significativa. Isso é suficiente para justificar uma mudança de política.
Suficiente politicamente, talvez. Mas não sabemos se as medidas vão funcionar ou se endereçam as causas reais da violência.
Le Pouls
- A denúncia de violência sexual contra um estudante de 16 anos no Liceo Naval Almirante Guise abriu uma avalanche de relatos de bullying, racismo e elitismo em escolas peruanas.
- Seis adolescentes foram enviados ao centro juvenil Maranguita por ordem de um tribunal de Lima, sinalizando que o Estado não trataria o caso como rotina.
- O governo transferiu a administração do Liceo Naval para o Ministério da Educação e anunciou tolerância zero, com expulsão para agressores e encaminhamento ao Ministério Público.
- As novas regras proíbem maquiagem, unhas pintadas, cabelos tingidos e celulares em sala de aula — medidas que misturam disciplina estética com resposta a uma crise de segurança.
- A sociedade civil ainda terá espaço para contribuir na elaboração das normas antes de sua entrada em vigor, deixando o desfecho em aberto.
Diante de uma crise de violência que abalou as escolas peruanas, a presidente Keiko Fujimori anunciou, em outubro de 2026, um conjunto de novas regras de conduta para as instituições públicas do país — proibindo maquiagem, celulares e prevendo expulsão para casos graves de agressão. O ponto de partida foi a denúncia de violência sexual contra um adolescente de 16 anos durante uma viagem escolar em setembro, episódio que revelou não uma falha isolada, mas uma ferida sistêmica. O governo responde com disciplina visível, mas a pergunta que permanece é se normas de aparência e punição são capazes de curar o que está adoecido nas fundações.
Na segunda-feira, 12 de outubro, a presidente Keiko Fujimori apresentou um pacote de novas regras de conduta para as escolas públicas peruanas. As medidas incluem proibições de maquiagem, unhas pintadas, cabelos tingidos e aparelhos eletrônicos sem autorização do professor — restrições que, à primeira vista, parecem disputar espaço com questões muito mais graves.
O cerne do anúncio, porém, é a violência. Estudantes envolvidos em agressões graves serão expulsos. Casos de bullying e assédio sexual receberão sanções proporcionais. Fujimori foi direta: há limites, há direitos, mas também há obrigações. Suspeitos serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Nacional.
O gatilho para tudo isso foi uma denúncia que veio à tona em 15 de setembro: um estudante de 16 anos teria sido vítima de violência sexual durante uma viagem escolar no Liceo Naval Almirante Guise, instituição administrada pela Marinha. Seis adolescentes foram levados ao centro juvenil Maranguita por ordem de um tribunal de Lima. O caso não ficou sozinho — outras denúncias de bullying, racismo e elitismo na mesma escola emergiram, e o governo decidiu transferir a administração do colégio para o Ministério da Educação.
Antes de as regras entrarem em vigor, a sociedade civil poderá participar de sua elaboração. O anúncio marca um ponto de inflexão na política educacional peruana — movido não por teoria, mas por eventos que expuseram falhas profundas em instituições que deveriam proteger.
Na segunda-feira, 12 de outubro, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, apresentou um conjunto de novas regras de conduta para as escolas públicas do país, medidas que refletem uma resposta direta a uma crise de violência que tomou conta das instituições de ensino peruanas nos últimos meses. O pacote inclui proibições que vão além do tradicional: maquiagem, unhas pintadas, cabelos tingidos ou excessivamente longos ficarão banidos das salas de aula. Celulares e outros aparelhos eletrônicos também serão proibidos sem autorização explícita do professor. Mas as restrições à aparência são apenas a camada mais visível de um conjunto de medidas muito mais severo.
O cerne da política diz respeito à violência. Estudantes envolvidos em casos graves de agressão serão expulsos. O bullying e o assédio sexual enfrentarão sanções e advertências proporcionais à gravidade de cada ocorrência. Fujimori foi clara em sua justificativa: "Temos que entender que há limites, que existem direitos, mas também obrigações". Ela pediu aos alunos que denunciem qualquer caso de violência ou assédio às autoridades, com a promessa de que os suspeitos serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Nacional. O tom era de tolerância zero.
O ministro da Educação, José Antonio Chang, detalhou as restrições de aparência com precisão. Maquiagem não será permitida. Unhas pintadas desaparecem. Cabelos excessivamente longos ou tingidos ficarão fora das escolas. Até o comprimento das saias escolares será regulado. Chang enquadrou essas medidas como parte de um esforço mais amplo para impedir novos casos de agressão entre estudantes dentro das instituições.
O que levou o governo a anunciar essas regras foi uma onda de indignação que começou em 15 de setembro. Naquela data, uma denúncia de violência sexual contra um estudante de 16 anos durante uma viagem escolar veio à tona. O caso envolveu seis adolescentes do Liceo Naval Almirante Guise, uma instituição de ensino administrada pela Marinha. Um tribunal de Lima ordenou quatro meses de internação preventiva para os seis envolvidos, que foram levados ao Centro Juvenil de Diagnóstico e Reabilitação de Lima, conhecido como Maranguita, no distrito de San Miguel.
Esse episódio abriu as comportas. Outras denúncias de bullying e violência começaram a emergir em escolas peruanas. Relatos de racismo e elitismo na mesma instituição naval vieram à superfície. A repercussão foi tanta que o governo decidiu transferir a administração do Liceo Naval para o Ministério da Educação, pelo menos até o próximo ano. A crise não era isolada; era sistêmica.
Antes de as novas regras entrarem em vigor, a sociedade civil terá oportunidade de contribuir com sua elaboração. Fujimori deixou claro que o governo não aceitará mais casos de bullying, violência ou assédio sexual nas escolas peruanas. O anúncio marca um ponto de inflexão na política educacional do país, movido não por uma reflexão teórica sobre disciplina, mas por uma série de eventos que expuseram falhas profundas nas instituições de ensino.
Citations marquantes
Temos que entender que há limites, que existem direitos, mas também obrigações— Keiko Fujimori, presidente do Peru
Não serão permitidas maquiagens, unhas pintadas, cabelos excessivamente longos e tingidos, e o uso das saias escolares deverá ter um comprimento adequado— José Antonio Chang, ministro da Educação do Peru