Perimenopausa aumenta risco cardiovascular em mulheres antes da menopausa

Não estou me sentindo eu mesma é uma queixa comum
Mulheres na perimenopausa frequentemente não conseguem nomear as mudanças que experimentam.
Mark

Por que a perimenopausa é tão importante para a saúde do coração se a menopausa é o que todos conhecem?

Mimi

Porque as mudanças que aumentam o risco cardiovascular começam antes da menopausa ser oficialmente diagnosticada. A menopausa só é confirmada após 12 meses sem menstruação, mas o corpo já está mudando anos antes.

Luke

Mas como sabemos que essas mudanças na perimenopausa realmente causam doença cardíaca depois? O texto diz que placas se formam, mas não cita estudos que rastreiem mulheres da perimenopausa até um infarto real.

Mark

E por que os sintomas de infarto são tão diferentes nas mulheres?

Mimi

O estrogênio regula os vasos sanguíneos e o metabolismo do colesterol. Quando oscila, afeta como o corpo responde. Mas também pode ser que os sintomas sempre foram assim — apenas não foram reconhecidos porque os padrões foram definidos a partir de homens.

Luke

Exatamente. O texto não deixa claro se as mulheres realmente têm sintomas diferentes ou se simplesmente não foram ouvidas historicamente. Há uma diferença importante.

Mark

Como uma mulher sabe se está na perimenopausa?

Mimi

O ciclo menstrual fica irregular — mais curto, mais longo, depois meses pulados. Pode começar aos 40, 45 anos. Também surgem ondas de calor, suor noturno, alterações de humor, sono ruim.

Luke

Mas muitas dessas coisas também podem ser estresse, problemas de tireoide, outras condições. O texto não aborda como diferenciar perimenopausa de outras causas.

Mark

E a terapia hormonal? Deveria ser prescrita para prevenir infarto?

Mimi

Não, segundo os especialistas citados. A reposição hormonal é para sintomas da menopausa, não para prevenção cardiovascular. Mas pode começar na perimenopausa se os sintomas forem clássicos e os exames estiverem adequados.

Luke

O texto não menciona os riscos conhecidos da terapia hormonal — trombose, câncer de mama. Isso é uma omissão importante para uma leitora decidindo sobre tratamento.

  • Mulheres entre 45 e 55 anos que sofrem infarto têm maior risco de morte do que homens da mesma faixa etária — um dado que contraria a percepção popular de que doenças cardíacas são um problema predominantemente masculino.
  • Os sintomas de infarto feminino — dor no estômago, náusea, cansaço extremo, suor frio — são frequentemente confundidos com gastrite ou ansiedade, atrasando diagnósticos e tratamentos decisivos.
  • A queda progressiva do estrogênio na perimenopausa altera o perfil lipídico, favorece o acúmulo de gordura abdominal e inicia silenciosamente a formação de placas nas paredes dos vasos sanguíneos.
  • A Sociedade Brasileira de Cardiologia reconheceu formalmente em 2025 que doenças cardiometabólicas em mulheres são subdiagnosticadas e subtratadas — um problema sistêmico que começa na invisibilidade dos sintomas.
  • Conhecer os próprios números — pressão, colesterol, glicemia, circunferência abdominal — e adotar hábitos saudáveis a partir dos 40 anos são as ferramentas mais concretas disponíveis para mudar essa trajetória.

Antes mesmo da última menstruação, o corpo feminino já começa a reescrever silenciosamente sua relação com o coração. A perimenopausa — essa travessia hormonal que pode durar anos — altera o colesterol, redistribui a gordura e pressiona os vasos sanguíneos de formas que raramente se anunciam com clareza. No Brasil, onde doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres e ainda assim permanecem subdiagnosticadas, compreender esse período de transição não é apenas uma questão médica: é um ato de autoconhecimento e de justiça com o próprio corpo.

O risco cardíaco feminino não espera pela menopausa. Ele começa antes, durante a perimenopausa, quando o corpo ainda menstrua mas já está mudando por dentro: gordura se acumulando no abdômen, colesterol piorando, pressão subindo discretamente. Ninguém sente isso acontecer — mas está acontecendo.

No Brasil, doenças cardiovasculares matam mais mulheres do que qualquer outra causa, inclusive o câncer. Ainda assim, são diagnosticadas tarde e tratadas de forma inadequada. Um estudo da PUC do Paraná, de 2025, revelou que mulheres entre 45 e 55 anos que sofrem infarto têm maior risco de morte do que homens da mesma idade — e parte disso se explica pelo modo como os sintomas se apresentam: não a dor clássica no peito, mas dor no estômago, náusea, cansaço extremo, suor frio. Sinais que parecem gastrite, que parecem ansiedade, e que muitas vezes enganam tanto as pacientes quanto os médicos.

Por trás dessas mudanças está o estrogênio — hormônio que regula vasos sanguíneos, distribui gordura e gerencia o metabolismo do colesterol. Na perimenopausa, sua produção oscila, e essa oscilação altera o perfil lipídico e favorece o acúmulo de gordura abdominal. O processo é silencioso: meio quilo por ano, pequenas subidas de pressão, ciclos menstruais que ficam irregulares. A perimenopausa começa por volta dos 40 a 45 anos e pode durar anos antes da menopausa oficial — definida como 12 meses sem menstruação, em média aos 50 anos.

O desafio é distinguir os sintomas da transição hormonal — palpitações, ondas de calor, insônia, esquecimento — de sinais que exigem avaliação médica imediata, como falta de ar persistente ou desconforto no peito e nas costas. Atribuir tudo aos hormônios pode ser um erro com consequências graves.

O que as mulheres podem fazer é concreto: conhecer seus números de saúde, praticar atividade física regular, dormir bem, não fumar e ajustar a alimentação. A partir dos 40 anos, exames como dosagem de colesterol, glicemia de jejum e hormônios da tireoide devem entrar na rotina. A saúde cardiovascular se constrói ao longo da vida — e nunca é tarde para começar.

O risco de doença cardíaca em mulheres não começa na menopausa. Começa antes, durante a perimenopausa — aquele período de transição que antecede a última menstruação, quando o corpo ainda menstrua mas já está mudando profundamente. É nessa fase que surgem os primeiros sinais discretos: gordura acumulando na barriga, colesterol piorando, pressão arterial subindo levemente. Ninguém sente isso acontecer. Mas está acontecendo.

No Brasil, doenças cardiovasculares matam mais mulheres do que qualquer outra causa, inclusive câncer. Mesmo assim, essas doenças são frequentemente diagnosticadas tarde demais e tratadas inadequadamente. A Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou um posicionamento em 2025 reconhecendo exatamente isso: as doenças cardiometabólicas em mulheres são subdiagnosticadas e subtratadas. Um estudo da PUC do Paraná, também de 2025, mostrou algo ainda mais preocupante — mulheres entre 45 e 55 anos que sofrem infarto têm maior risco de morte do que homens da mesma idade.

Parte do problema está em como reconhecemos um infarto. Nos homens, é aquela dor clássica no peito que irradia para o braço. Nas mulheres, pode ser dor no estômago, náusea, cansaço extremo, suor frio. Sintomas que parecem gastrite, que parecem ansiedade. Muitas mulheres — e muitos médicos — confundem os sinais com algo completamente diferente.

O culpado por trás dessas mudanças é o estrogênio. Esse hormônio faz muito mais do que a maioria das pessoas imagina: regula os vasos sanguíneos, controla como o corpo distribui gordura, gerencia o metabolismo do colesterol. Na perimenopausa, a produção de estrogênio oscila. Essa oscilação altera o perfil do colesterol, favorece ganho de peso e acúmulo de gordura no abdômen — fatores de risco cardiovascular bem estabelecidos. A alteração no colesterol vai formando placas nas paredes dos vasos, um processo silencioso que pode levar anos para se manifestar como doença.

O que torna tudo mais complicado é que essas mudanças são quase imperceptíveis no dia a dia. Ganho de 500 a 600 gramas por ano. Aumento gradual da gordura abdominal. Pequenas subidas da pressão arterial. Não são sinais de doença — são sinais de alerta, avisos de que fatores de risco como obesidade e hipertensão podem estar se desenvolvendo. A perimenopausa começa por volta dos 40 a 45 anos, quando o ciclo menstrual começa a ficar irregular. Pode ficar mais curto, mais longo, depois meses são pulados inteiros. O intervalo entre uma menstruação e outra pode chegar a 60 dias ou mais. Nessa mesma época, surgem palpitações, ondas de calor, suor noturno, sono entrecortado, esquecimento. Muitas mulheres não conseguem nem nomear o que sentem. "Não estou me sentindo eu mesma" é uma queixa que os ginecologistas ouvem constantemente.

O desafio é não confundir esses sintomas da transição hormonal com sinais de um problema cardíaco real. Um novo sintoma, intenso ou persistente — falta de ar, desconforto no peito, desconforto nas costas ou na mandíbula — não deve ser automaticamente atribuído aos hormônios. Deve ser avaliado. A menopausa é definida oficialmente como 12 meses sem menstruação, e ocorre por volta dos 50 anos em média. Mas as mudanças que aumentam o risco cardiovascular começam anos antes.

O que as mulheres podem fazer é conhecer seus próprios números: pressão arterial, colesterol, glicemia, circunferência abdominal. Atividade física regular, alimentação saudável, sono adequado e não fumar têm efeito concreto. A partir dos 40 anos, a rotina deve incluir mamografia anual, dosagem de colesterol e suas frações, glicemia de jejum e hormônios da tireoide — o risco de disfunção tireoidiana aumenta cerca de 20% nessa fase. Reduzir alimentos ultraprocessados, preferir gorduras saudáveis, frutas e alimentos ricos em cálcio ajuda. Musculação, caminhada rápida e corrida leve estimulam a formação óssea. Como o metabolismo desacelera com a idade, a dieta precisa mudar para que o excesso de calorias não se acumule na região abdominal. A saúde cardiovascular é construída ao longo da vida — quem não tem bons hábitos ainda pode começar.

Um sintoma novo, intenso ou persistente deve ser avaliado, e não atribuído automaticamente aos hormônios
— Carlos Japhet, presidente do Departamento da Mulher da SBC
A saúde cardiovascular é construída ao longo da vida
— Lucia Helena Paiva, presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo
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