Entre 2024 e 2025, o Banco de Brasília foi envolvido em operações que a Polícia Federal agora confirma como fraude sistemática: R$ 17 bilhões movimentados com o Banco Master por meio de documentos falsos e manobras deliberadas para escapar dos controles internos. O caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal com sigilo recém-levantado, revela como instituições podem ser corroídas por dentro — não por descuido, mas por escolha. Seis diretores do BRB foram apontados com responsabilidade técnica pelas decisões, enquanto o banco afirma ter sido vítima, e a Justiça ainda determinará onde reside o
Perícia da PF confirma fraudes de R$ 17 bi entre Master e BRB com participação de seis diretores
Fraude sistemática, não falha isolada
Como a perícia conseguiu chegar à conclusão de que se tratava de fraude sistemática e não apenas má gestão?
Os peritos analisaram o padrão. Vinte e uma das vinte e cinco operações ficaram exatamente no teto de R$ 750 milhões — o limite que não precisava de aprovação do Conselho. Isso não é coincidência. Além disso, as operações continuaram mesmo após relatórios internos alertarem sobre problemas graves: dados fictícios, falta de lastro, controles inadequados.
Mas a perícia só identificou responsabilidade técnica, certo? Não culpa ou dolo. Então ainda não está definido se houve intenção criminosa ou negligência grave.
Verdade. A perícia forneceu os fatos técnicos. Mas os fatos são contundentes: 66 boletins de risco, 13 extrapolações de liquidez, e mesmo assim R$ 7,41 bilhões foram pagos após o primeiro alerta formal.
E o Banco Master? Qual era o interesse dele em manter essa relação?
O Master era praticamente o único fornecedor do BRB naquele momento — 90% de tudo que o banco comprava vinha de lá. Era uma dependência total. Os documentos eram falsos, os ativos não tinham lastro.
Mas quem verificava isso? O BRB tinha uma diretora de Controle e Riscos. Como isso passou?
Luana de Andrade Ribeiro era diretora de Controle e Riscos, e a perícia a identificou como participante das decisões. Os mecanismos de controle existiam, mas não foram aplicados regularmente.
O que acontece agora com esses seis diretores?
A perícia identificou responsabilidade técnica. Agora cabe à Justiça determinar se houve culpa ou dolo. O caso está no Supremo Tribunal Federal.
E o BRB como instituição? Ele vai sofrer consequências?
O banco afirma ter sido vítima. A nova gestão diz que está adotando medidas. Mas R$ 17 bilhões em fraudes é um rombo significativo.
Der Puls
- A perícia da PF concluiu que as fraudes não foram falhas isoladas, mas uma estratégia sistemática para contornar mecanismos de controle e manter aparência de regularidade.
- 21 das 25 operações foram estruturadas exatamente no teto de R$ 750 milhões — o limite que dispensava aprovação do Conselho de Administração, revelando engenharia deliberada.
- Mesmo após relatórios internos alertando para dados fictícios e falta de lastro nos ativos, o BRB pagou R$ 7,4 bilhões adicionais ao Master em 42 transações subsequentes.
- Seis diretores do BRB foram identificados como responsáveis técnicos pelas decisões; a determinação de culpa ou dolo ainda cabe ao Supremo Tribunal Federal.
- O ministro André Mendonça levantou o sigilo dos autos, tornando públicos os achados da perícia e expondo a extensão do esquema ao escrutínio nacional.
Entre 2024 e 2025, o Banco de Brasília foi envolvido em operações que a Polícia Federal agora confirma como fraude sistemática: R$ 17 bilhões movimentados com o Banco Master por meio de documentos falsos e manobras deliberadas para escapar dos controles internos. O caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal com sigilo recém-levantado, revela como instituições podem ser corroídas por dentro — não por descuido, mas por escolha. Seis diretores do BRB foram apontados com responsabilidade técnica pelas decisões, enquanto o banco afirma ter sido vítima, e a Justiça ainda determinará onde reside o dolo.
Uma perícia da Polícia Federal, concluída em agosto deste ano, confirmou que o Banco de Brasília foi envolvido em fraudes financeiras com o Banco Master que somaram cerca de R$ 17 bilhões. O documento, agora público após o levantamento do sigilo pelo ministro André Mendonça no STF, descreve não falhas administrativas, mas uma prática sistemática de gestão fraudulenta.
Entre 2024 e 2025, a diretoria do BRB aprovou R$ 17,5 bilhões em compras de carteiras do Master. O padrão chama atenção: 21 das 25 operações foram estruturadas exatamente no limite de R$ 750 milhões — o teto que dispensava aprovação do Conselho de Administração. Para a perícia, isso não foi coincidência, mas estratégia deliberada para neutralizar os mecanismos de controle enquanto mantinha aparência formal de regularidade.
Os alertas existiam e foram ignorados. Relatórios internos de abril e maio de 2025 já descreviam controles manuais inadequados, dados fictícios e ausência de rastreabilidade. Mesmo assim, após o primeiro relatório, o BRB pagou R$ 5,2 bilhões adicionais ao Master; após o segundo, mais R$ 2,2 bilhões. Sessenta e seis boletins de risco foram registrados. O Índice de Liquidez de Curto Prazo foi extrapolado 13 vezes. As decisões de compra continuaram.
A perícia apontou seis diretores do BRB com responsabilidade técnica pelas decisões: o presidente Paulo Henrique Costa e cinco diretores das áreas de finanças, controle, riscos, tecnologia, atacado e gestão de pessoas. Um sétimo diretor foi isento por constar ausente nas atas. A determinação de culpa ou dolo caberá à Justiça.
O BRB afirmou em nota ter sido vítima de atos criminosos e pediu que ex-dirigentes não sejam confundidos com a instituição. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, não se pronunciou. O caso segue no STF.
Uma perícia realizada pela Polícia Federal em agosto deste ano confirmou o que investigadores vinham apurando: o Banco de Brasília foi envolvido em operações fraudulentas com o Banco Master que somaram aproximadamente R$ 17 bilhões. O documento pericial, que integra os autos do caso no Supremo Tribunal Federal, traz conclusões precisas sobre como essas transações foram estruturadas e executadas — não como resultado de gestão imprudente ou falhas isoladas, mas como prática sistemática de fraude financeira.
Entre 2024 e 2025, a diretoria do BRB aprovou a compra de R$ 17,5 bilhões em carteiras do Banco Master. Dessas 25 operações aprovadas, 21 delas foram estruturadas para ficar exatamente no teto de R$ 750 milhões — o limite máximo que a diretoria podia autorizar sem levar a questão ao Conselho de Administração. A perícia identificou nesse padrão uma estratégia deliberada: usar repetidamente expedientes capazes de contornar, distorcer ou neutralizar os mecanismos de informação, autorização e controle, mantendo a aparência formal de regularidade enquanto a substância econômica das operações era fraudulenta.
O alcance da exposição do BRB ao Banco Master revela a profundidade do problema. Em junho de 2025, quando a situação já era conhecida, o Master representava 90,31% de tudo que o BRB comprava — R$ 19,78 bilhões naquele mês, uma quantia 9,32 vezes maior que a soma de todas as demais instituições com as quais o banco estatal negociava. Mesmo assim, as operações continuaram. Relatórios internos do BRB, datados de 4 de abril e 19 de maio de 2025, já descreviam problemas graves: controles manuais inadequados, arquivos inconsistentes, dados fictícios, ausência de rastreabilidade entre registros analíticos e financeiros, e falta de lastro nos ativos. Após o primeiro relatório, o BRB pagou R$ 5,2 bilhões adicionais ao Master. Após o segundo, pagou mais R$ 2,2 bilhões.
Os alertas de risco foram numerosos e formais. Sessenta e seis boletins de risco foram registrados. O Índice de Liquidez de Curto Prazo do BRB foi extrapolado 13 vezes. Mesmo assim, após a primeira extrapolação formal desse índice, o banco realizou 42 pagamentos ao Master, totalizando R$ 7,41 bilhões. A perícia concluiu que a percepção prudencial, de risco e reputacional relativa ao Banco Master estava disponível — os dados existiam, os avisos foram emitidos — mas não foi incorporada nas decisões de compra dos ativos. As operações não seguiram regularmente o rito de instrução, análise, formalização e aprovação.
A perícia identificou seis diretores do BRB como tendo participação nas decisões que levaram às compras de títulos fraudados: Paulo Henrique Costa, presidente; Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora de Gestão de Pessoas; Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria; Luana de Andrade Ribeiro, diretora de Controle e Riscos; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor de Atacado e Governo; e José Maria Correa Dias Junior, diretor de Tecnologia. Um sétimo diretor, Jacques Mauricio Ferreira Veloso, diretor jurídico, foi isento de responsabilidade porque as atas o registraram como ausente ou sem direito a voto. A perícia, nesta etapa, identificou apenas responsabilidade técnica pelas decisões — a determinação de culpa ou dolo cabe à Justiça.
O Banco de Brasília, em nota oficial, afirmou ter sido vítima de atos criminosos e pediu que ex-dirigentes não sejam confundidos com a instituição. O banco não quis comentar casos ou pessoas específicas. A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não se pronunciou. O caso segue no Supremo Tribunal Federal, onde o ministro André Mendonça, relator, levantou o sigilo dos autos — permitindo que a perícia e seus achados agora sejam conhecidos publicamente.
Bemerkenswerte Zitate
A conclusão não decorre do simples insucesso econômico, da assunção de risco elevado, da existência de prejuízo ou de uma falha procedimental isolada. Decorre da utilização repetida de expedientes objetivamente aptos a distorcer, contornar, neutralizar ou regularizar retrospectivamente os mecanismos de informação, autorização e controle.— Perícia da Polícia Federal
O BRB foi vítima de atos criminosos e ex-dirigentes não devem ser confundidos com a instituição.— Banco de Brasília, em nota oficial