Perfil 'Mates derrubados' viraliza nas redes com desastres do chimarrão

Queríamos transformar a nossa tragédia em humor
Os criadores da página explicam o objetivo simples que se tornou fenômeno viral.
Mark

Por que você acha que isso virou viral? Tem milhões de páginas de humor na internet.

Mimi

Porque não é humor inventado. É o humor que já existe na vida das pessoas. Quando você toma mate, você derruba. É inevitável. A página só documentou o que todo gaúcho já sabe que vai acontecer.

Mark

Mas por que agora? Por que não virou viral há cinco anos?

Mimi

Talvez porque as redes sociais ficaram melhores em amplificar coisas que fazem as pessoas se sentirem vistas. Quando você vê seu próprio desastre refletido na tela, você se sente menos sozinho. E você quer compartilhar.

Mark

Os criadores trabalham durante o dia e administram à noite. Isso não é exaustivo?

Mimi

Provavelmente é. Mas há algo que mantém as pessoas fazendo isso: a comunidade que se formou. Cem mensagens por dia significa cem pessoas que se identificaram com algo. Isso tem peso.

Mark

E as celebridades acompanhando? Isso muda a coisa?

Mimi

Muda porque valida. Quando Thiago Lacerda segue a página, ele está dizendo: isso é importante, isso é cultura. Não é só um meme descartável. É tradição sendo vivida agora.

  • O que nasceu como brincadeira privada de um casal explodiu em fenômeno digital, acumulando quase cem envios por dia de seguidores que reconhecem cada acidente como se fosse seu.
  • Animais com patas verdes de erva, carros respingados e câmeras de segurança flagrando o momento exato da queda — o conteúdo ressoa porque é universalmente familiar entre quem toma mate.
  • A página ultrapassou as fronteiras do Brasil e chegou ao Uruguai e à Argentina, revelando que o desastre com a cuia é um problema sem passaporte.
  • Com 36,7 mil seguidores e mais de 320 publicações, o projeto exige que o casal trabalhe de dia e administre a comunidade à noite, de forma voluntária e movida apenas pela diversão.
  • Celebridades como Thiago Lacerda e Neto Fagundes já acompanham a página, consolidando-a como expressão legítima de uma tradição cultural que transforma até o fracasso em celebração.

Em Porto Alegre, um casal anônimo descobriu que o chimarrão derramado não é apenas um acidente doméstico — é uma experiência coletiva compartilhada por milhões. Ao transformar esses pequenos desastres em humor, criaram sem querer um arquivo vivo da identidade gaúcha, que atravessa fronteiras e une comunidades do Sul do Brasil ao Uruguai e à Argentina. A página @matesderrubados lembra que a cultura mais profunda muitas vezes se revela não nos momentos de glória, mas naqueles em que a cuia cai no chão.

Há alguns meses, um casal anônimo da região metropolitana de Porto Alegre resolveu transformar seus próprios desastres com chimarrão em motivo de riso. Criaram o Instagram @matesderrubados e postaram o primeiro vídeo — sem imaginar o que viria a seguir.

A página virou fenômeno rapidamente. Hoje recebe quase cem mensagens por dia: vídeos de pets com as patas tingidas de verde, carros sujos de erva, câmeras de segurança capturando o segundo exato em que a cuia cai. Qualquer gaúcho reconhece a cena na hora. Os criadores apostaram numa lógica simples — se eles viviam essas situações, milhares de outras pessoas também. A aposta superou todas as expectativas: 36,7 mil seguidores e mais de 320 publicações.

A maioria dos registros vem do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mas o alcance foi além das fronteiras brasileiras. Uruguai e Argentina também enviam seus acidentes, provando que o mate — e o desastre com ele — é uma experiência sem fronteiras.

Conciliar o sucesso com a rotina exigiu disciplina. O casal trabalha durante o dia e reserva as noites para responder mensagens e programar publicações. É tudo voluntário, movido pela satisfação de manter viva uma comunidade que se vê refletida naqueles vídeos.

O fenômeno não passou despercebido por nomes como o ator Thiago Lacerda e o músico Neto Fagundes, ambos ligados às tradições gaúchas. O que começou como uma brincadeira doméstica tornou-se espelho de uma cultura inteira — aquela que encontra motivo de celebração coletiva até mesmo na hora em que tudo derrama.

Há alguns meses, um casal anônimo da região metropolitana de Porto Alegre decidiu fazer algo simples: transformar seus próprios desastres domésticos em motivo de riso. Começaram a coletar fotos e vídeos de chimarrão derramado — aquele momento inevitável quando a cuia cai, quando o cachorro passa pela frente no instante errado, quando a câmera de segurança flagra o exato segundo do acidente. Criaram uma página no Instagram chamada @matesderrubados e postaram o primeiro conteúdo.

O que era para ser um projeto pessoal, uma forma de lidar com a "tragédia" cotidiana através do humor, transformou-se em fenômeno. A página recebe agora quase cem mensagens por dia. Pessoas enviam vídeos de animais de estimação com as patas tingidas de verde pela erva. Carros sujos pelo respingo. Câmeras de vigilância capturando o momento preciso em que alguém derruba a cuia. Conteúdo que qualquer gaúcho reconhece instantaneamente — aquele incidente que acontece com frequência demais para ser ignorado, mas que é tão comum que só pode ser encarado com leveza.

Os criadores, que mantêm suas identidades em sigilo, explicam que apostaram em algo óbvio: a comunidade de quem toma mate é enorme. Se eles viviam essas situações, milhares de outras pessoas também. A estratégia funcionou além do esperado. A página agora tem mais de 320 publicações e 36,7 mil seguidores. O volume de interações surpreendeu até os próprios administradores.

A maioria dos registros vem do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná — o coração do consumo de chimarrão no Brasil. Mas a página também recebe envios do Uruguai e da Argentina, países onde a bebida é igualmente enraizada na cultura. O alcance geográfico reflete como o mate transcende fronteiras e como o desastre com a cuia é um problema universal entre seus consumidores.

Conciliar o sucesso com a vida profissional exigiu organização. O casal trabalha durante o dia e dedica as noites para responder mensagens e programar as publicações do dia seguinte. É trabalho voluntário, movido apenas pela diversão de manter viva uma comunidade que se reconhece naqueles vídeos e fotos.

O fenômeno não passou despercebido. Atores como Thiago Lacerda e músicos como Neto Fagundes — ambos apaixonados pelas tradições gaúchas — acompanham regularmente as publicações. A página consolidou-se como expressão autêntica de uma cultura regional, aquela que transforma até mesmo o fracasso em motivo de celebração coletiva. O que começou como uma brincadeira privada virou espelho onde uma comunidade inteira se vê refletida.

Queríamos transformar a nossa 'tragédia' em humor
— Criadores da @matesderrubados
Como a comunidade de pessoas que tomam mate é muito grande, outras pessoas também se identificariam com as situações que a gente vive
— Criadores da @matesderrubados
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ