Pelo menos 22 mortos em ataque armado à Universidade de Cabul

Pelo menos 22 pessoas mortas, incluindo dez raparigas, e 22 feridas num ataque à Universidade de Cabul; centenas de estudantes e funcionários foram resgatados durante a operação.
Os alunos têm direito de estudar em paz
Abdullah Abdullah condenou o ataque à Universidade de Cabul como um crime hediondo contra a educação.
Mark

Porque é que os atacantes escolheram especificamente uma universidade e, mais ainda, a primeira hora da manhã?

Mimi

A escolha do horário não foi acidental. Queriam o máximo de pessoas possível no campus — 15 mil pessoas é um alvo imenso. Uma universidade de manhã cedo é um espaço aberto, com muitos pontos de entrada e saída, difícil de defender.

Mark

E o facto de nenhum grupo ter assumido a responsabilidade — o que nos diz isso?

Mimi

Diz-nos que a situação é confusa. Os talibãs negam envolvimento, mas isso não significa que não haja outras facções, grupos dissidentes ou até células que atuam de forma independente. No Afeganistão, a responsabilidade nem sempre é clara.

Mark

Isto é o segundo ataque em dez dias. Parece coordenado?

Mimi

Pode ser, ou pode ser apenas que as instituições educacionais se tornaram alvos preferenciais. Talvez porque representam o futuro, talvez porque são fáceis de atingir. Mas a verdade é que ninguém sabe ao certo.

Mark

As negociações de paz em Doha — serão afetadas por isto?

Mimi

Deveriam ser. Mas a história do Afeganistão mostra que ataques como este raramente param as conversações. Continuam em paralelo, como se dois países diferentes coexistissem no mesmo espaço.

Mark

O que mais vos preocupa nesta história?

Mimi

O padrão. Não é um ataque isolado. É o segundo em dez dias contra educação. Quando começam a atacar sistematicamente as escolas e universidades, estão a atacar a esperança de uma geração inteira.

  • Homens armados invadiram o campus da Universidade de Cabul na hora de maior afluência, com cerca de 15 mil pessoas presentes, transformando salas de aula em zonas de combate.
  • Vídeos gravados por estudantes em fuga espalharam-se pelas redes sociais em tempo real, mostrando jovens a saltar muros enquanto tiros ecoavam e corpos jaziam nos corredores.
  • As forças de segurança travaram um cerco de quase cinco horas, resgatando centenas de universitários e desativando explosivos não detonados espalhados pelo campus.
  • Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque; os talibãs negaram envolvimento, mas as condenações foram imediatas por parte das mais altas autoridades afegãs e da NATO.
  • Este é o segundo ataque a uma instituição de ensino em Cabul em dez dias, expondo a vulnerabilidade das universidades num país cujas negociações de paz em Doha ainda não produziram segurança no terreno.

Na manhã de uma segunda-feira comum, homens armados transformaram a Universidade de Cabul num campo de batalha, escolhendo o momento de maior presença humana para semear o terror entre estudantes e professores. O ataque de cinco horas ceifou pelo menos 22 vidas — incluindo dez raparigas — e feriu outras tantas, revelando a fragilidade das instituições de ensino num país que tenta, ao mesmo tempo, negociar a paz em Doha. É o segundo ataque a um centro educacional em dez dias, e recorda-nos que o conhecimento, quando ameaçado, torna-se ele próprio um ato de resistência.

Na manhã de segunda-feira, homens armados entraram na Universidade de Cabul durante a hora de maior afluência, quando cerca de 15 mil pessoas ocupavam o campus. O cerco durou quase cinco horas e deixou pelo menos 22 mortos — incluindo três dos próprios atacantes e pelo menos dez raparigas — e outras 22 feridas, entre estudantes, professores, funcionários e um motorista de táxi.

As redes sociais encheram-se rapidamente de vídeos gravados pelos próprios alunos: jovens de ambos os sexos a saltar muros para escapar, tiros ao fundo, corpos espalhados pelas salas de aula. As forças de segurança conseguiram resgatar centenas de pessoas e remover explosivos não detonados da área antes de encerrar a operação.

Nenhum grupo insurgente reivindicou o ataque. Os talibãs negaram qualquer envolvimento, enquanto Abdullah Abdullah, a mais alta autoridade no processo de paz afegão, classificou o ato como um crime hediondo. O gabinete do Presidente Ashraf Ghani também condenou veementemente a ação.

O representante da NATO para o Afeganistão, Stefano Pontecorvo, sublinhou que este era o segundo ataque a um centro educacional em Cabul em apenas dez dias — o anterior, contra um centro de estudos da minoria Hazara, havia matado 24 pessoas, maioritariamente estudantes. O padrão é perturbador: universidades e salas de aula tornaram-se alvos recorrentes num país que, desde setembro, tenta negociar a paz em Doha, mas que permanece profundamente vulnerável no interior das suas próprias fronteiras.

Na manhã de segunda-feira, homens armados entraram na Universidade de Cabul durante a hora de pico, quando cerca de 15 mil estudantes, professores e funcionários ocupavam o campus. O que se seguiu foi um cerco de cinco horas que deixaria pelo menos 22 pessoas mortas — incluindo três dos próprios atacantes — e outras 22 feridas.

Os agressores escolheram deliberadamente o momento de maior afluência para iniciar o ataque. Tariq Arian, porta-voz do Ministério do Interior, confirmou que três terroristas foram mortos durante a operação, enquanto 19 civis perderam a vida. Entre as vítimas fatais estavam pelo menos dez raparigas. Os feridos incluíam estudantes, docentes, pessoal administrativo e até um motorista de táxi — todos em condição estável, segundo Akmal Samsour, porta-voz do Ministério da Saúde Pública, embora a maioria tivesse sido atingida por disparos.

As redes sociais rapidamente encheram-se com vídeos gravados por alunos em tempo real. Imagens mostravam jovens de ambos os sexos a saltar muros para escapar do campus enquanto tiros ecoavam ao fundo. Os meios de comunicação locais transmitiram cenas do interior da universidade: corpos espalhados pelas salas de aula e corredores. Durante as quase cinco horas de operação, as forças de segurança conseguiram resgatar centenas de universitários e funcionários, enquanto trabalhavam para remover explosivos não detonados da área.

Nenhum grupo insurgente assumiu imediatamente a responsabilidade pelo ataque. Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibãs, emitiu um breve comunicado negando qualquer envolvimento do Emirado Islâmico no ocorrido. As condenações, porém, foram imediatas e vieram de múltiplos níveis do poder afegão. Abdullah Abdullah, a mais alta autoridade no processo de paz afegão, descreveu o ataque como um crime hediondo e afirmou que os alunos têm direito de estudar em paz. O gabinete do Presidente Ashraf Ghani também condenou veementemente a ação.

O ataque revelou uma vulnerabilidade perturbadora nas instituições educacionais do país. Stefano Pontecorvo, representante da NATO para o Afeganistão, sublinhou que este era o segundo ataque contra um centro educacional em Cabul em apenas dez dias. Dez dias antes, um atentado contra um centro de estudos da minoria xiita Hazara havia deixado 24 mortos, principalmente estudantes, e 57 feridos. O histórico é ainda mais preocupante: em outubro do ano anterior, uma bomba explodiu numa sala de aula na província de Ghazni, ferindo 23 estudantes, a maioria mulheres. Em agosto de 2016, um ataque de dez horas à Universidade Americana de Cabul causou 17 mortos e 45 feridos.

O ataque de segunda-feira ocorre num momento particularmente delicado para o Afeganistão. Desde setembro, negociações de paz decorrem em Doha entre representantes dos talibãs e do Governo afegão, com o objetivo de encerrar quase duas décadas de guerra. A série de ataques contra instituições educacionais sugere que, independentemente dos diálogos em curso, a segurança dentro do país permanece frágil e as universidades continuam a ser alvos vulneráveis.

Condeno veementemente o cobarde ataque terrorista contra a Universidade de Cabul. Atacar instituições de ensino é um crime hediondo.
— Abdullah Abdullah, autoridade máxima no processo de paz afegão
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