Paulo Figueiredo ameaça Gilmar Mendes após fala sobre sanções dos EUA

A sua hora vai chegar. A Justiça tarda, mas não falha
Ameaça de Paulo Figueiredo contra Gilmar Mendes após o ministro minimizar sanções americanas em entrevista televisiva.

Em tempos em que sanções internacionais se tornaram moeda de pressão política, o blogueiro Paulo Figueiredo escolheu as redes sociais para transformar uma entrevista serena do ministro Gilmar Mendes em alvo de intimidação pública. A frase 'A sua hora vai chegar' não é apenas retórica: ela revela uma estratégia deliberada de coerção contra membros do Judiciário brasileiro, articulada desde o exterior por aliados do bolsonarismo. O episódio situa-se num arco mais longo de tentativas de exportar conflitos políticos internos para o palco das relações entre Brasil e Estados Unidos.

  • Paulo Figueiredo publicou uma ameaça direta contra o ministro Gilmar Mendes no X, usando a expressão 'A sua hora vai chegar' como recado de retaliação futura.
  • A provocação surgiu após Mendes demonstrar indiferença pública à revogação de seu visto americano, respondendo com tranquilidade ao ser questionado no programa Roda Viva.
  • Diferente de Alexandre de Moraes — atingido por bloqueios sob a Lei Magnitsky —, Mendes sofreu apenas a revogação do visto, mas isso não o poupou da mira dos bolsonaristas.
  • Figueiredo e Eduardo Bolsonaro articulam sanções contra autoridades brasileiras desde 2025, usando canais nos EUA para pressionar o governo americano contra magistrados que consideram adversários.
  • As ameaças contra Mendes especificamente se intensificaram desde julho do ano passado, quando ele se solidarizou publicamente com Moraes após a aplicação das sanções americanas.

Na segunda-feira, o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo publicou uma ameaça contra o ministro do STF Gilmar Mendes no X. O gatilho foi uma entrevista de Mendes no Roda Viva, da TV Cultura, em que o magistrado respondeu com notável desapego às perguntas da jornalista Mônica Bergamo sobre a revogação de seu visto americano. Mendes explicou que tinha dinheiro em Portugal, onde costuma passar férias, e simplesmente decidiu deixá-lo lá e seguir em frente.

Figueiredo capturou o trecho e o repostou acompanhado da mensagem: 'A sua hora vai chegar, Gilmar Mendes. A Justiça tarda, mas não falha.' A frase funciona como aviso velado de retaliação — não um comentário político, mas um recado de que consequências estão sendo preparadas.

O episódio não é isolado. Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro trabalham desde 2025 para pressionar o governo americano a aplicar sanções contra autoridades brasileiras que consideram adversários. As ameaças contra Mendes se intensificaram desde julho do ano passado, quando ele se solidarizou com Alexandre de Moraes — este sim atingido por bloqueios de bens sob a Lei Magnitsky, medida mais severa do que a simples revogação de visto sofrida por Mendes.

O que o episódio revela é um padrão: usar as redes sociais não para debater, mas para intimidar. Na lógica de Figueiredo e seus aliados, quem se opõe ao bolsonarismo terá um preço a pagar — e a mensagem precisa chegar antes da conta.

Na segunda-feira, o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo postou uma ameaça contra o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal na rede social X. A provocação veio após Mendes aparecer no programa Roda Viva, da TV Cultura, onde minimizou os efeitos das sanções americanas que atingiram sua conta no exterior.

Durante a entrevista, quando questionado pela jornalista Mônica Bergamo sobre o impacto da revogação de seu visto pelos Estados Unidos, Mendes respondeu com desapego. Explicou que não se preocupou em investigar os detalhes da sanção. Disse que refletiu sobre o que fazer — tinha dinheiro em Portugal, onde costuma passar férias — e simplesmente resolveu deixar a quantia lá e prosseguir com sua vida. A resposta foi tranquila, quase indiferente.

Figueiredo capturou esse trecho e o compartilhou em sua conta no X com uma mensagem ameaçadora: "A sua hora vai chegar, Gilmar Mendes. A Justiça tarda, mas não falha". A frase é uma clara alusão a retaliação futura, um aviso velado de que o ministro enfrentará consequências.

O contexto importa aqui. Mendes não sofreu bloqueios de bens sob a Lei Magnitsky, diferentemente de Alexandre de Moraes, outro ministro do STF que foi alvo mais severo das sanções americanas. Mendes recebeu apenas a revogação de seu visto — uma medida menos drástica. Ainda assim, a ameaça de Figueiredo o alcançou.

Este não é um episódio isolado. Figueiredo, junto com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, vem articulando sanções contra autoridades brasileiras desde o ano passado. Os dois têm trabalhado nos bastidores para pressionar o governo americano a tomar medidas contra magistrados e funcionários públicos que consideram adversários políticos. As ameaças contra Mendes especificamente intensificaram-se desde julho do ano anterior, quando o ministro se solidarizou publicamente com Moraes após a aplicação da Lei Magnitsky contra ele.

O que emerge desse episódio é um padrão: Figueiredo usa as redes sociais não apenas para comentar sobre sanções, mas para intimidar. A ameaça "sua hora vai chegar" não é um comentário casual. É um recado de que, na visão de Figueiredo e seus aliados, o acerto de contas virá — seja através de novas sanções americanas, seja através de outros mecanismos que ele não especifica. A mensagem é clara: quem se opõe ao bolsonarismo terá um preço a pagar.

Não fui procurar saber. Decidi deixar o dinheiro que tinha lá e decidi seguir a vida
— Gilmar Mendes, em entrevista ao Roda Viva
A sua hora vai chegar, Gilmar Mendes. A Justiça tarda, mas não falha
— Paulo Figueiredo, em postagem no X
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Figueiredo se sente no direito de ameaçar um ministro do Supremo?

Model

Porque ele acredita que tem poder de fogo internacional. Ele e Bolsonaro articulam sanções americanas contra autoridades brasileiras. Para ele, isso não é uma ameaça vazia — é uma promessa baseada em capacidade real de pressão.

Inventor

Mas Mendes foi bem leve na entrevista, não? Quase ignorou a sanção.

Model

Exatamente. E isso provavelmente irritou Figueiredo ainda mais. Mendes recusou-se a dramatizar, a sofrer publicamente. Figueiredo quer que as pessoas tenham medo. A indiferença de Mendes é um desafio direto.

Inventor

Qual é a diferença entre o que aconteceu com Mendes e com Moraes?

Model

Moraes levou o golpe completo — bloqueio de bens pela Lei Magnitsky. Mendes apenas perdeu o visto. Mas Figueiredo não faz distinção. Para ele, qualquer sanção é um começo, e qualquer ministro que não sofrer ainda é um alvo em aberto.

Inventor

Isso é crime? Ameaçar um ministro assim?

Model

Tecnicamente, sim. Mas Figueiredo está em um espaço cinzento — ele não diz explicitamente "vou fazer algo". Ele diz "sua hora vai chegar". É vago o suficiente para ser interpretado como opinião política, mas claro o suficiente para ser entendido como ameaça.

Inventor

E por que desde julho passado?

Model

Porque foi quando Mendes se solidarizou com Moraes. Figueiredo vê isso como traição — Mendes deveria ter se distanciado, não se aproximado. A lealdade ao bolsonarismo é o que importa.

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