Patrimônio de Zema cresce R$ 49 milhões em quatro anos

patrimônio cresceu 150% desde 2018, enquanto inflação foi 51%
Zema acumulou riqueza em ritmo muito superior ao da economia durante seus mandatos públicos.
Mark

Como se explica um crescimento de 38% em patrimônio quando a inflação foi apenas 19%?

Mimi

A diferença vem principalmente da valorização dos ativos que Zema possui — a holding familiar e o fundo de investimentos cresceram em valor real, não apenas acompanharam a inflação. Mas é um crescimento que merece ser visto no contexto mais amplo.

Mark

Qual é esse contexto mais amplo?

Mimi

Desde 2018, quando ele primeiro concorreu ao governo, o patrimônio cresceu 150% enquanto a inflação foi 51%. Isso significa que sua riqueza real triplicou em oito anos, período em que ele ocupou o cargo de governador.

Mark

Isso é necessariamente problemático?

Mimi

Não é necessariamente ilegal. Mas levanta perguntas legítimas: como a riqueza de alguém que trabalha no setor público cresce tão acima da inflação? Zema é empresário, então tem fontes de renda privada, mas a magnitude do crescimento durante mandatos públicos é o que chama atenção.

Mark

E quanto aos bens que não mudam de valor?

Mimi

Alguns imóveis foram declarados com o mesmo valor por anos. Isso pode significar que não foram reavaliados, ou que realmente não mudaram. Mas em um contexto de inflação, é incomum um ativo manter exatamente o mesmo preço.

Mark

Por que Zema não respondeu?

Mimi

Sua assessoria foi contatada mas não se manifestou. Isso deixa as perguntas em aberto — não há explicação pública para o crescimento ou para as avaliações que parecem estáticas.

Mark

O que isso significa para a campanha presidencial?

Mimi

Em uma eleição, a trajetória financeira de um candidato importa. Eleitores querem saber de onde vem a riqueza e como ela cresceu. Zema terá que lidar com essas perguntas conforme a campanha avança.

  • O patrimônio de Zema cresceu R$ 49,1 milhões em quatro anos, superando em dobro a inflação acumulada de 19% no mesmo período.
  • Desde sua estreia política em 2018, a fortuna do candidato saltou 150%, enquanto a economia brasileira acumulou inflação de apenas 51% — uma disparidade que alimenta o debate público.
  • A holding familiar e o fundo de investimentos ligados ao Grupo Zema respondem por quase toda a riqueza declarada, embaralhando as fronteiras entre o empresário e o político.
  • Detalhes da declaração — como imóveis com valor congelado e a reavaliação de cotas societárias — levantam perguntas sobre a metodologia de avaliação patrimonial adotada.
  • Zema não respondeu aos pedidos de comentário, e o silêncio de sua assessoria amplifica o escrutínio em plena corrida presidencial.
  • Com o prazo de registro de candidaturas encerrando em 15 de agosto, novas declarações patrimoniais devem chegar à Justiça Eleitoral e aprofundar as comparações entre os postulantes.

Em democracias maduras, a transparência patrimonial dos candidatos funciona como espelho da sociedade que pretendem governar. Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência pelo Novo, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 178,8 milhões — crescimento de 38% em quatro anos, o dobro da inflação do período. O dado, por si só, não é ilícito, mas convida à reflexão sobre a relação entre poder público e acumulação privada em tempos de campanha.

Romeu Zema entregou à Justiça Eleitoral uma declaração de bens que revela um salto patrimonial de R$ 49,1 milhões nos últimos quatro anos. Sua fortuna passou de R$ 129,7 milhões em 2022 para R$ 178,8 milhões em 2026 — crescimento de 38% num período em que a inflação acumulada ficou em 19%. O ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato à presidência pelo Novo, não respondeu aos pedidos de comentário sobre os números.

A riqueza de Zema está concentrada em duas frentes: uma holding familiar avaliada em R$ 94 milhões e um fundo de investimentos de R$ 56,2 milhões, ambos ligados ao Grupo Zema, conglomerado fundado por seu pai em Araxá e que reúne varejo e serviços financeiros. A perspectiva de longo prazo é ainda mais expressiva: desde 2018, quando disputou o governo mineiro pela primeira vez com patrimônio de R$ 69,7 milhões, sua fortuna cresceu 150% — três vezes acima da inflação do período.

A declaração também chama atenção por detalhes técnicos: um imóvel residencial manteve o mesmo valor ao longo de todo o período analisado, e a cota societária na holding familiar subiu de R$ 72,3 milhões para R$ 94 milhões, sugerindo reavaliação ou reorganização dos ativos. O vice na chapa, senador Eduardo Girão, declarou R$ 34,1 milhões, incluindo depósito no exterior em dólares. No outro extremo do espectro, a candidata Samara, da União Popular, declarou R$ 33 mil em carro e poupança. O prazo para registro de candidaturas encerra em 15 de agosto, quando o retrato patrimonial da disputa presidencial deve se completar.

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e agora candidato à presidência pelo partido Novo, viu seu patrimônio saltar em R$ 49,1 milhões nos últimos quatro anos. A declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral na quinta-feira passada mostra que sua fortuna cresceu de R$ 129,7 milhões em 2022 para R$ 178,8 milhões em 2026 — um aumento de 38% em um período em que a inflação acumulada foi de apenas 19%.

O crescimento patrimonial de Zema é substancial e merece contexto. Sua riqueza vem principalmente de duas fontes: uma holding familiar que soma R$ 94 milhões e um fundo de investimentos avaliado em R$ 56,2 milhões. Há ainda R$ 4,3 milhões em aplicações de renda fixa. Esses números refletem sua participação nos negócios do Grupo Zema, empresa fundada por seu pai Ricardo e que inclui uma rede varejista e uma instituição financeira. O grupo começou em Araxá, cidade mineira onde Zema nasceu. Formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas, Zema é empresário de carreira antes de sua trajetória política.

O quadro fica ainda mais expressivo quando se amplia a perspectiva temporal. Desde 2018, quando Zema disputou pela primeira vez o governo de Minas Gerais, seu patrimônio cresceu 150%, passando de R$ 69,7 milhões para os atuais R$ 178,8 milhões. Naquele período de oito anos, a inflação acumulada foi de 51%. Isso significa que o crescimento real de sua riqueza — descontada a inflação — foi significativamente superior ao que a economia como um todo experimentou.

Alguns detalhes da declaração chamam atenção. Certos bens, como um imóvel residencial, permaneceram com o mesmo valor declarado ao longo de todo o período analisado, o que levanta questões sobre como a avaliação de propriedades é feita em declarações patrimoniais. Em 2022, sua cota de 27,14% na empresa Ricardo Zema Participações era avaliada em R$ 72,3 milhões; hoje, sua participação na holding familiar é de R$ 94 milhões, sugerindo uma reavaliação ou reorganização dos ativos.

Zema não respondeu aos pedidos de comentário sobre o crescimento patrimonial. Sua assessoria foi contatada mas não se manifestou até a publicação da reportagem. A questão do acúmulo de riqueza durante mandatos públicos é particularmente relevante em uma campanha presidencial, onde a trajetória financeira dos candidatos tende a receber escrutínio público.

O vice na chapa de Zema, o senador Eduardo Girão do Ceará, declarou patrimônio total de R$ 34,1 milhões, incluindo um depósito bancário exterior de US$ 1,8 milhão. Até o momento da publicação, apenas dois candidatos à presidência haviam apresentado suas declarações de bens: Zema e Samara, da União Popular, cuja fortuna soma R$ 33 mil em um automóvel e uma caderneta de poupança. O prazo para registro de candidaturas se encerra em 15 de agosto, quando outras declarações patrimoniais devem chegar à Justiça Eleitoral.

A assessoria de Zema foi contatada, mas não respondeu até a publicação da reportagem
— Folha de S.Paulo
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