Pará implanta teste de DNA-HPV para rastreamento do câncer do colo do útero

Se estiver tudo normal, elas terão mais tempo para se organizar
Enfermeira do Marajó explica como o intervalo de cinco anos entre exames pode melhorar a adesão ao rastreamento em regiões distantes.
Mark

Por que esse novo teste é tão diferente do Papanicolau que as mulheres fazem há décadas?

Mimi

O Papanicolau procura por alterações já presentes nas células do colo do útero. O DNA-HPV detecta o vírus que causa essas alterações antes delas aparecerem. É como a diferença entre procurar o incêndio ou procurar o fogo que o causa.

Luke

Mas o Papanicolau também funciona, certo? Qual é a taxa de falsos negativos em cada um?

Mimi

O DNA-HPV tem menor possibilidade de resultados falsos, segundo a coordenadora. Mas os números específicos de comparação não estão no treinamento que recebi.

Mark

E essa coisa de cinco anos entre exames — isso é seguro?

Mimi

Segundo o Ministério da Saúde, sim. Se o resultado é negativo, cinco anos é o intervalo recomendado. Reduz muito a necessidade de retornos frequentes.

Luke

Mas quem garante que uma mulher vai voltar em cinco anos? Especialmente em regiões como o Marajó, onde a adesão já é um problema?

Mimi

Essa é a aposta. A enfermeira Carla Barbosa acredita que ter mais tempo para se organizar vai facilitar a volta. Mas é verdade que é uma mudança de comportamento que ainda precisa ser testada.

Mark

E a autocoleta — a mulher colhe em casa mesmo?

Mimi

Sim, com orientação da equipe de saúde. É pensada especialmente para quem enfrenta barreiras geográficas ou sociais.

Luke

Mas há treinamento específico para garantir que a coleta em casa seja tão boa quanto a feita por um profissional?

Mimi

O segundo dia da capacitação aborda orientações práticas sobre coleta. Mas os detalhes sobre validação da autocoleta não estão descritos aqui.

Mark

Cinco mil exames já foram feitos. Isso é muito ou pouco para um estado inteiro?

Mimi

Para um estado com 144 municípios, é um começo. Mas não temos dados sobre quantas mulheres deveriam ter feito o exame nesse período.

Luke

Exatamente. Cinco mil soa bem, mas sem saber a população-alvo, não sabemos se é 5% ou 50% de cobertura.

Mimi

É verdade. O que sabemos é que o Estado vem trabalhando desde 2025 para organizar a rede.

  • O câncer do colo do útero segue sendo uma ameaça desigual no Brasil — e no Pará, onde distâncias e vulnerabilidades sociais dificultam o rastreamento regular, a urgência de uma solução mais eficaz é concreta.
  • O novo teste de DNA-HPV Oncogênico detecta os tipos virais de maior risco antes que alterações celulares apareçam, reduzindo falsos negativos e tornando o rastreamento mais confiável que o Papanicolau tradicional.
  • A autocoleta rompe barreiras invisíveis — vergonha, medo, quilômetros de rio e estrada — permitindo que mulheres em situação de vulnerabilidade participem do programa sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde.
  • Com mais de cinco mil exames já realizados e todos os 144 municípios paraenses envolvidos, o Estado avança na implementação das novas diretrizes nacionais, expandindo também a faixa etária atendida de 30–49 para 30–64 anos.
  • O Ministério da Saúde reconheceu o Pará como referência nacional nessa transição, sinalizando que o que está sendo construído aqui pode moldar o caminho de outros estados brasileiros.

No Pará, uma mudança silenciosa mas profunda está sendo tecida na saúde das mulheres: o Estado capacita profissionais para adotar o teste de DNA-HPV Oncogênico, uma tecnologia que detecta o vírus antes que ele transforme as células, ampliando a precisão do rastreamento e estendendo o intervalo entre exames para cinco anos. A iniciativa alcança especialmente as regiões mais distantes, como o Marajó, onde a autocoleta surge como ponte entre a ciência e as mulheres que o sistema ainda não conseguia alcançar. É um passo na direção de eliminar uma doença que, apesar de prevenível, ainda cobra vidas com crueldade.

O Pará está reformulando seu programa de rastreamento do câncer do colo do útero. Esta semana, a Secretaria de Estado de Saúde Pública realiza uma capacitação de dois dias para profissionais das regiões do Marajó e Tocantins, com foco na adoção do teste de DNA-HPV Oncogênico — uma tecnologia que muda a lógica do exame: em vez de buscar alterações já presentes nas células, como faz o Papanicolau, o novo teste identifica diretamente os tipos do vírus que podem causá-las.

A diferença prática é significativa. Quando o resultado é negativo, a mulher só precisa repetir o rastreamento após cinco anos — um intervalo que, segundo Michele Monteiro, da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica, facilita a adesão e reduz a sobrecarga sobre os serviços. O teste também apresenta menor taxa de resultados falsos. Quando os tipos 16 ou 18 do HPV são detectados, a paciente é encaminhada para colposcopia; se outros tipos oncogênicos aparecerem, o mesmo material já coletado pode ser reaproveitado para análise complementar. O Instituto Evandro Chagas processa os exames, e casos mais complexos seguem para o Hospital Ophir Loyola ou o Hospital Universitário João de Barros Barreto.

Uma das inovações mais relevantes é a autocoleta: a própria mulher coleta o material em casa, com orientação da equipe de saúde. No Marajó, onde a distância entre comunidades e serviços é um obstáculo permanente, a enfermeira Carla Barbosa vê na medida uma mudança real. A região enfrenta baixa adesão ao rastreamento, em parte porque os retornos frequentes ao preventivo tradicional são difíceis de manter. Com o novo teste e o intervalo de cinco anos, ela acredita que mais mulheres conseguirão se organizar para participar.

Desde 2025, mais de cinco mil exames já foram realizados nos 144 municípios paraenses, e a faixa etária atendida está sendo ampliada de 30–49 para 30–64 anos. Na abertura da capacitação, Flávia Alvarenga, diretora adjunta do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, reconheceu os avanços do Estado, afirmando que o Pará está à frente de muitos outros na implementação dessas diretrizes — e que os profissionais estão participando de uma história que o país está apenas começando a escrever.

O Pará está mudando a forma como rastreia o câncer do colo do útero. Nesta semana, a Secretaria de Estado de Saúde Pública realiza um treinamento de dois dias para preparar profissionais de saúde das regiões do Marajó e Tocantins para usar um novo exame: o teste de DNA-HPV Oncogênico. A mudança é significativa porque funciona de forma diferente do Papanicolau tradicional, que procura por alterações já presentes nas células. O novo teste detecta a presença dos tipos de HPV que podem causar essas alterações — uma abordagem mais direta e, segundo os coordenadores, mais precisa.

Desde 2025, o Estado vem organizando a rede para incorporar essa tecnologia. Mais de cinco mil exames já foram realizados, e os 144 municípios paraenses passaram por ações de atualização. Michele Monteiro, representante da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica, explica que o teste oferece uma vantagem prática importante: quando o resultado é negativo, a mulher só precisa repetir o rastreamento após cinco anos. Isso reduz significativamente a necessidade de exames frequentes e, na prática, facilita a adesão ao programa. O teste também apresenta menor possibilidade de resultados falsos quando comparado ao exame citopatológico convencional.

O procedimento de coleta é semelhante ao preventivo tradicional, mas o material é armazenado em meio líquido e encaminhado para análise laboratorial. O teste identifica, entre outros, os tipos 16 e 18 do HPV, considerados de maior risco para o desenvolvimento do câncer. Quando esses tipos são detectados, a paciente é encaminhada para colposcopia. Se outros tipos oncogênicos aparecerem, o mesmo material já coletado pode ser usado para análise complementar, sem necessidade de nova coleta. O Instituto Evandro Chagas atua como referência para processar os exames, enquanto o Hospital da Mulher integra a rede de atendimento para investigação de casos que precisam de avaliação especializada. Quando há confirmação de câncer, as pacientes são encaminhadas para unidades de alta complexidade como o Hospital Ophir Loyola e o Hospital Universitário João de Barros Barreto.

Uma das mudanças mais significativas é a introdução da autocoleta — a possibilidade de a própria paciente coletar o material necessário para o exame, com orientação da equipe de saúde. Essa estratégia é pensada especialmente para mulheres que enfrentam barreiras geográficas, sociais ou pessoais. Monteiro destaca que a autocoleta é fundamental para lugares distantes e para pessoas em situação de vulnerabilidade, reduzindo barreiras como vergonha, medo e dificuldades de acesso. A faixa etária atendida também está se expandindo: de 30 a 49 anos para 30 a 64 anos.

No Marajó, onde a distância entre comunidades e serviços de saúde é um desafio permanente, a enfermeira Carla Barbosa vê na nova tecnologia uma oportunidade real de melhorar o acompanhamento. A região enfrenta um problema grande de adesão das mulheres ao rastreamento, em parte porque a necessidade de retornos frequentes para o preventivo dificulta a continuidade. Com o DNA-HPV, se o resultado for normal, as mulheres terão mais tempo para se organizar até o próximo exame — cinco anos depois. Barbosa acredita que isso vai facilitar o rastreamento e trazer mais tranquilidade.

A implantação integra as novas diretrizes nacionais para rastreamento do câncer do colo do útero e faz parte das estratégias do Ministério da Saúde para reduzir incidência e mortalidade pela doença. Durante a abertura da capacitação, Flávia Alvarenga, diretora adjunta do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, reconheceu os avanços do Pará. Ela afirmou que o Estado está bem à frente de muitos outros estados brasileiros em relação a essa causa, e que os profissionais estão fazendo parte de uma história que o país está começando: tentar eliminar uma doença que ainda causa tanto sofrimento e mata tantas mulheres.

Ao longo dos dois dias de capacitação, os participantes recebem orientações sobre HPV, vacinação, novas diretrizes de rastreamento e organização dos serviços municipais. No segundo dia, as atividades se concentram em orientações práticas sobre coleta e fluxo do exame, desde o acondicionamento e transporte do material até o processamento laboratorial e entrega dos resultados. Também serão discutidas formas de abordagem das pacientes, estudos de caso e a importância de garantir continuidade do cuidado quando houver necessidade de investigação ou tratamento.

Vocês estão fazendo parte de uma história que estamos começando no nosso país, de tentar eliminar uma doença que ainda causa tanto sofrimento e mata tantas mulheres.
— Flávia Alvarenga, diretora adjunta do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde
No Marajó, temos um problema muito grande de adesão dessas mulheres. Com o DNA-HPV, se estiver tudo normal, elas terão mais tempo para se organizar até o próximo exame.
— Carla Barbosa, enfermeira que atua no Marajó
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