Em voo de retorno da França ao Vaticano, o papa Leão 14 colocou em palavras o que muitos hesitam em nomear: que o crescimento da extrema direita na Europa levanta questões profundas sobre a alma do continente e sobre o que o cristianismo realmente significa. Diante do avanço de partidos nacionalistas como a AfD alemã, o pontífice distinguiu com clareza entre fé autêntica — fundada em compaixão e diálogo — e sua apropriação por movimentos de divisão e ódio. Suas palavras, proferidas sobre o céu europeu, ecoaram tanto a história do continente quanto a urgência do presente.
Papa rejeita extrema direita como expressão autêntica do cristianismo
Os valores do Evangelho não dizem respeito ao ódio, mas à compreensão
Por que o papa sente necessidade de falar sobre a extrema direita alemã especificamente? Não é uma questão política?
Ele vê isso como uma questão de fé. Quando pessoas que se identificam como cristãs abraçam ideias de ódio e divisão, há uma contradição que ele precisa nomear. Não é sobre política de partido, é sobre o que o cristianismo realmente ensina.
Mas ele não oferece dados sobre quantos cristãos alemães apoiam a AfD. Ele fala de uma "associação", mas não sabemos a escala real dessa sobreposição.
Ele mencionou que gostaria de visitar a Alemanha. É um sinal de que pode haver uma intervenção mais direta?
Talvez. Mas note que ele não marcou data. Pode ser um gesto simbólico, uma abertura para diálogo. Ele está dizendo que quer entender melhor a situação antes de agir.
Verdade. E ele também deixou claro que já está conversando com lideranças católicas e protestantes alemãs. Então o diálogo já existe — a visita seria mais um reforço público.
O que ele quer dizer com "danos que talvez ainda não sejam plenamente conhecidos" sobre o extremismo?
Acho que ele está sugerindo que as consequências completas do crescimento da extrema direita ainda não se manifestaram totalmente. É um aviso, não uma análise do que já aconteceu.
Mas isso é especulativo. Ele não cita quais danos específicos ele prevê. É mais uma intuição papal do que um argumento fundamentado.
E quanto ao que ele disse sobre a UE e seus valores fundadores? Isso foi uma crítica indireta à AfD?
Sim, mas também uma defesa mais ampla. Ele estava em Metz, uma cidade simbólica para a história europeia, então estava reafirmando o que a Europa deveria ser.
Exato. Ele não atacou a AfD diretamente naquele momento. Apenas reafirmou os princípios que a AfD questiona.
O Pulso
- A extrema direita avança com força na Europa: a AfD obteve 20,8% nas eleições federais alemãs de 2025 e chegou a 44% na Saxônia-Anhalt em 2026, enquanto serviços de inteligência monitoram o partido por suspeitas de extremismo.
- O papa rompe o silêncio ao afirmar publicamente que o extremismo de direita não representa o cristianismo autêntico, desafiando a fusão entre nacionalismo religioso e fé evangélica.
- Leão 14 propõe que a Igreja incentive participação política consciente dos cidadãos, para que rejeitem ideias extremistas cujos danos, em sua visão, ainda não são plenamente compreendidos.
- Além da Alemanha, o pontífice critica o aumento dos gastos militares europeus e chama a guerra na Ucrânia de 'novo massacre sem sentido', pedindo disposição para concessões em prol da paz.
- As declarações reacendem o debate sobre os valores fundadores da União Europeia — Estado de Direito, igualdade, dignidade — num momento em que esses pilares enfrentam pressão crescente em todo o continente.
Em voo de retorno da França ao Vaticano, o papa Leão 14 colocou em palavras o que muitos hesitam em nomear: que o crescimento da extrema direita na Europa levanta questões profundas sobre a alma do continente e sobre o que o cristianismo realmente significa. Diante do avanço de partidos nacionalistas como a AfD alemã, o pontífice distinguiu com clareza entre fé autêntica — fundada em compaixão e diálogo — e sua apropriação por movimentos de divisão e ódio. Suas palavras, proferidas sobre o céu europeu, ecoaram tanto a história do continente quanto a urgência do presente.
Enquanto sobrevoava a Europa de retorno ao Vaticano, o papa Leão 14 respondeu a perguntas sobre o declínio religioso na Alemanha com uma afirmação que foi além das estatísticas: a associação entre extremismo de direita e expressão cristã, disse ele, não representa o cristianismo autêntico. O tom era de preocupação genuína, não de condenação política.
O pano de fundo era concreto. A Alternativa para a Alemanha conquistou 20,8% dos votos nas eleições federais de 2025 e, em setembro de 2026, venceu eleições estaduais na Saxônia-Anhalt com cerca de 44%. Os serviços de inteligência alemães monitoram o partido por suspeitas de extremismo, mas os principais partidos mantêm uma barreira: nenhum forma aliança com a AfD. Leão 14 sugeriu que valeria investigar se existe conexão entre a crise de fé alemã e esse crescimento — uma pergunta que poucos líderes religiosos ousariam fazer em voz alta.
Para o pontífice, os valores do Evangelho falam de compreensão, compaixão e acompanhamento — não de ódio e divisão. Ele indicou que lideranças católicas e protestantes alemãs já se manifestaram contra a fusão de posições extremistas com formas de religião, e que pretende manter diálogo com essas lideranças.
As declarações ocorreram ao fim de uma visita de quatro dias à França. Em Metz, cidade ligada ao legado de Robert Schuman, o papa havia defendido os valores fundadores da União Europeia diante do avanço da extrema direita em todo o continente. No mesmo discurso, chamou a guerra na Ucrânia de 'novo massacre sem sentido' e pediu disposição para concessões em prol da paz — ecoando um apelo semelhante feito pelo papa Bento 15 em 1917.
Leão 14 também criticou o maior crescimento dos gastos militares europeus desde o fim da Guerra Fria, advertindo contra 'a ilusão de que o rearmamento seja a resposta'. A pergunta que deixou no ar era incômoda: a Europa está trabalhando pela paz, ou apenas se preparando para novos conflitos? Para ele, a resposta dirá muito sobre quem o continente realmente é.
O papa Leão 14 desceu do avião que o trazia de volta à França com uma questão pesando na mente: o que acontece quando uma nação abandona a fé? Na segunda-feira, 28 de setembro, enquanto sobrevoava a Europa de retorno ao Vaticano, o pontífice respondeu a perguntas sobre o declínio de fiéis na Alemanha — e sua resposta tocou em algo que vai muito além de estatísticas religiosas.
A associação entre extremismo de direita e certas formas de expressão cristã na Alemanha, disse ele, não representa o cristianismo autêntico. A afirmação era direta, mas o tom era de preocupação genuína. Leão 14 expressou interesse em visitar o país em algum momento, embora nenhuma data tenha sido marcada. Mais importante, sugeriu que seria valioso investigar se existe uma conexão entre a crise de fé alemã e o crescimento dos movimentos de extrema direita — uma pergunta que poucos líderes religiosos ousariam fazer em voz alta.
A Alternativa para a Alemanha, partido nacionalista e contrário à imigração, oferecia o pano de fundo concreto para essa preocupação. Nas eleições federais de 2025, a AfD conquistou 20,8% dos votos, ficando em segundo lugar. Mas o momentum continuou. Em setembro de 2026, venceu as eleições estaduais da Saxônia-Anhalt com cerca de 44% dos votos e liderou em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Os serviços de inteligência alemães monitoram o partido por suspeitas de extremismo. Apesar do avanço eleitoral, os principais partidos alemães mantêm uma barreira: nenhum deles forma alianças com a AfD.
O papa foi claro sobre o que o cristianismo realmente ensina. Os valores do Evangelho, disse, falam de compreensão, compaixão e acompanhamento — não de ódio e divisão. Ele defendeu que a Igreja incentive a participação política consciente dos cidadãos, para que façam escolhas informadas e rejeitem ideias extremistas cujos danos, em sua visão, talvez ainda não sejam plenamente compreendidos. Leão 14 também indicou que lideranças católicas e protestantes alemãs já se manifestaram contra a fusão de posições extremistas com formas de religião, e que pretende manter diálogo com essas lideranças.
As declarações ocorreram durante o voo de retorno de uma visita oficial de quatro dias à França. Em Metz, cidade próxima à fronteira alemã e ligada ao legado de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, o papa havia apresentado sua visão sobre os desafios políticos do continente num momento em que partidos de extrema direita avançam por toda a região. Ele defendeu os valores fundadores da UE — Estado de Direito, igualdade entre pessoas sem distinção de raça, cor, classe ou profissão.
Mas a preocupação de Leão 14 não se limitava à Alemanha ou à extrema direita. No mesmo discurso, abordou a guerra na Ucrânia, chamando-a de um "novo massacre sem sentido" que mata civis diariamente. Pediu aos negociadores que estivessem dispostos a abrir mão de algumas posições para alcançar a paz — um apelo que ecoava um pedido semelhante feito pelo papa Bento 15 em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial.
Ele também criticou o aumento dos gastos militares europeus, que registraram no ano anterior o maior crescimento desde o fim da Guerra Fria. "Devemos nos precaver contra a ilusão de que o rearmamento seja a resposta", disse. A pergunta que deixou no ar era incômoda: os países europeus estão realmente trabalhando pela paz mundial, ou apenas se preparando para conflitos futuros? Para Leão 14, a resposta que a Europa dá a essa pergunta dirá muito sobre quem ela realmente é.
Citações Notáveis
Os valores do Evangelho não dizem respeito ao ódio e à divisão, mas à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento— Papa Leão 14
Devemos nos precaver contra a ilusão de que o rearmamento seja a resposta— Papa Leão 14, sobre gastos militares europeus