De um quarto de hospital em Roma, o Papa Leão XIV estendeu a mão através das linhas de conflito para falar com Vladimir Putin sobre os 1700 habitantes esquecidos de Oleshky — uma cidade ucraniana ocupada onde comer, receber cuidados médicos ou simplesmente sair de casa se tornou um ato de coragem. O apelo papal por uma trégua humanitária e acesso para socorro é um lembrete de que, mesmo nos conflitos mais endurecidos, a voz moral ainda procura abrir passagem. O Kremlin respondeu com palavras de apoio; o que se segue dirá se essas palavras têm peso.
Papa manifesta "profunda preocupação" com Oleshky em conversa telefónica com Putin
Apenas 1700 pessoas permanecem numa cidade que tinha 24 mil
O Papa estava ainda no hospital quando fez esta chamada. Porque é que isto importa?
Porque mostra que considerou a situação em Oleshky urgente o suficiente para não esperar. Não era uma conversa de rotina — era um apelo direto feito de uma cama de hospital.
Mas temos de ser claros: o Kremlin disse que apoia a iniciativa. Isso não significa que as coisas vão mudar no terreno. Promessas e ações são coisas diferentes.
Quantas pessoas estamos a falar que estão em risco?
1700 residentes, incluindo 47 crianças. Comparado com os 24 mil que viviam lá antes da guerra, é um número devastador.
E esses números vêm de onde? A ONU tem acesso direto à cidade para verificar, ou está a trabalhar com informações de segunda mão?
O Papa pediu uma trégua. É realista esperar que Putin concorde com isso?
O Kremlin disse que apoia a iniciativa vaticana. Mas o que isso significa exatamente — se significa acesso humanitário, se significa uma trégua militar real — ainda não está claro.
Exatamente. "Apoiar a iniciativa" é vago. Pode significar muitas coisas. Precisamos de ver se há mudanças concretas nos próximos dias.
Qual é o estado atual da cidade? Como é que as pessoas lá vivem?
Sem alimentos suficientes, sem serviços médicos adequados, com medo de sair de casa porque há drones e campos minados. É uma situação de cerco humanitário.
E ambos os lados — Ucrânia e Rússia — acusam-se mutuamente de bloquear o acesso. Portanto, mesmo que o Kremlin queira cooperar, há questões complexas sobre quem controla o quê e como é que a ajuda chega lá.
Le Pouls
- Oleshky, com apenas 1700 residentes — incluindo 47 crianças — vive sob bloqueio efetivo: sem comida suficiente, sem serviços médicos funcionais, e com o medo constante de drones e campos minados a impedir qualquer movimento.
- O Papa Leão XIV, ainda a recuperar de cirurgia pulmonar no hospital Gemelli, considerou a crise urgente o suficiente para ligar pessoalmente a Putin antes de ter recebido alta.
- O pedido foi concreto e direto: trégua, entrada de equipas de primeiros socorros, fornecimento de alimentos e medicamentos, e liberdade para os civis saírem voluntariamente.
- O Kremlin surpreendeu ao responder positivamente, declarando apoio à iniciativa vaticana e comprometendo-se com cooperação para garantir segurança e bens essenciais à população.
- A distância entre a promessa russa e a ação concreta permanece a grande incógnita — e para os 1700 que ficaram em Oleshky, essa distância mede-se em refeições, medicamentos e vidas.
De um quarto de hospital em Roma, o Papa Leão XIV estendeu a mão através das linhas de conflito para falar com Vladimir Putin sobre os 1700 habitantes esquecidos de Oleshky — uma cidade ucraniana ocupada onde comer, receber cuidados médicos ou simplesmente sair de casa se tornou um ato de coragem. O apelo papal por uma trégua humanitária e acesso para socorro é um lembrete de que, mesmo nos conflitos mais endurecidos, a voz moral ainda procura abrir passagem. O Kremlin respondeu com palavras de apoio; o que se segue dirá se essas palavras têm peso.
Na manhã de sexta-feira, 16 de outubro, o Papa Leão XIV pegou no telefone a partir do hospital Gemelli, em Roma, onde ainda recuperava de uma cirurgia pulmonar. Do outro lado da linha estava Vladimir Putin. O assunto era Oleshky.
A cidade ucraniana, na região de Kherson, tinha 24 mil habitantes antes da guerra. Desde a ocupação russa em 2022, ficaram apenas 1700 pessoas — incluindo 47 crianças. Segundo a ONU, a população enfrenta uma crise extrema: falta de alimentos, colapso dos serviços médicos, e o medo paralisante de drones e campos minados que torna até sair de casa um risco de vida. Ucrânia e Rússia acusam-se mutuamente de bloquear o acesso humanitário.
O Papa pediu a Putin uma trégua. Pediu que equipas de socorro pudessem entrar, que alimentos e medicamentos chegassem aos residentes, e que os civis tivessem liberdade para partir se assim o desejassem. Era um apelo direto, feito por alguém que, apesar do estado de saúde, não quis esperar. O boletim clínico desse dia registava "melhoras constantes" — mas a urgência de Oleshky não admitia adiamentos.
Não era a primeira conversa entre os dois: já tinham falado em junho de 2025. Desta vez, o Vaticano quis sublinhar o seu compromisso com qualquer iniciativa que pudesse conduzir à paz.
A resposta do Kremlin foi inesperadamente positiva. Putin declarou apoio à iniciativa vaticana, reconheceu os problemas críticos de alimentação e saúde em Oleshky, e comprometeu-se com cooperação. O governo russo garantiu que os militares estão a trabalhar numa solução.
O que se segue permanece incerto. Promessas e ações raramente andam juntas com a mesma velocidade em conflitos desta escala. Para os 1700 que ainda vivem em Oleshky, a questão não é diplomática — é se amanhã haverá comida, medicamentos e a possibilidade de sair em segurança.
Ainda internado no hospital Gemelli, em Roma, a recuperar de uma cirurgia pulmonar, o Papa Leão XIV pegou no telefone na sexta-feira, 16 de outubro, para falar com Vladimir Putin. A conversa não foi casual. O chefe da Igreja Católica tinha uma mensagem urgente: a situação humanitária em Oleshky, uma cidade ucraniana ocupada pela Rússia desde 2022, tinha atingido um ponto crítico, e ele queria que o presidente russo soubesse disso.
Oleshky fica na região de Kherson, no sul da Ucrânia. Antes da guerra, tinha cerca de 24 mil habitantes. Agora, apenas 1700 pessoas permanecem lá — incluindo 47 crianças. Segundo Danielle Bell, chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, a população que ficou enfrenta uma crise extrema. Não há alimentos suficientes. Os serviços médicos estão colapsados. As pessoas têm medo de sair de casa porque temem ser atingidas por ataques com drones ou pisar campos minados. Ucrânia e Rússia acusam-se mutuamente de bloquear o acesso dos civis a mantimentos.
Durante a conversa, o Papa pediu a Putin uma trégua. Pediu-lhe especificamente para permitir que equipas de primeiros socorros entrassem na cidade, que alimentos e medicamentos chegassem aos residentes, e que a população civil pudesse sair voluntariamente se quisesse. Era um apelo direto, feito por alguém que, apesar de estar ainda em recuperação, considerou a questão importante o suficiente para fazer a chamada.
Esta não foi a primeira vez que os dois falaram. Em junho de 2025, já tinham tido uma conversa telefónica. Desta vez, porém, o Vaticano quis deixar claro que a Santa Sé estava comprometida com qualquer iniciativa que pudesse levar à paz. O comunicado do Vaticano foi direto: o Papa reafirmou esse compromisso durante a chamada.
A resposta do Kremlin, divulgada através de um comunicado oficial, foi surpreendentemente positiva. Putin disse ao Papa que apoiava a iniciativa vaticana. O Kremlin declarou que "a intenção do Vaticano de ajudar a criar as condições necessárias para garantir a segurança da população da cidade e organizar o fornecimento de itens essenciais recebeu apoio". Mais ainda: ficou acordado que haveria cooperação nesta questão. O governo russo reconheceu também que existem problemas críticos relacionados com alimentos e serviços médicos, e garantiu que os militares estão a trabalhar numa solução.
O timing da chamada é relevante. O Papa estava ainda no hospital, a recuperar. O boletim clínico de sexta-feira indicava que apresentava "melhoras constantes" e que já conseguia trabalhar e realizar atividades diárias normais. Mesmo assim, fez questão de contactar Putin. Isto sugere que a situação em Oleshky era considerada urgente o suficiente para não esperar.
O que vem a seguir é incerto. O Kremlin prometeu cooperação, mas promessas e ações nem sempre caminham juntas em conflitos desta escala. A população de Oleshky continua presa numa cidade onde falta comida, onde os serviços médicos estão em colapso, e onde sair de casa é potencialmente fatal. O Papa fez o seu apelo. Agora, a questão é se essa cooperação prometida vai traduzir-se em alimentos, medicamentos, e segurança para as 1700 pessoas que ainda vivem lá.
Citations marquantes
A intenção do Vaticano de ajudar a criar as condições necessárias para garantir a segurança da população da cidade e organizar o fornecimento de itens essenciais recebeu apoio— Kremlin, em comunicado oficial
Ficou acertado que haverá cooperação nessa questão— Kremlin