Paes se diz 'aliado orgulhoso' de Lula, mas nega estar 'escondendo' presidente

Sou aliado do Lula. E um aliado orgulhoso.
Paes rebate acusação de estar escondendo o presidente durante sua campanha ao governo do Rio.
Mark

Paes está tentando ter as duas coisas — apoio de Lula e independência. Isso funciona?

Mimi

Funciona porque ele está mostrando que o apoio é real. Treze milhões por mês do Ministério da Saúde não é retórica. É dinheiro que chega.

Luke

Mas a acusação de Ruas é que ele está escondendo Lula. Paes rebate dizendo que não está escondendo, que está sendo independente. Essas duas coisas não se contradizem?

Mimi

Não, porque Paes está dizendo que pode ser aliado sem ser subordinado. É uma posição política legítima.

Mark

E quanto às acusações contra Ruas? Paes diz que Ruas não pediu direito de resposta porque é verdade. Mas Ruas diz que pediu sim.

Luke

Exatamente. Ruas diz que sua equipe jurídica recorreu de inserções e conseguiu retirar do ar. Então há uma disputa factual aqui que não está resolvida.

Mimi

O que está claro é que há uma investigação do Ministério Público. Isso é verificável.

Mark

Então o que Paes está fazendo é usar a investigação como munição, mas a investigação não é condenação.

Luke

Certo. E Paes está prometendo oito novos Supercentros. Isso é promessa de campanha, não é realidade ainda.

Mimi

Mas ele está mostrando que conseguiu fazer coisas quando era prefeito. O Supercentro de Benfica existe.

Mark

A questão é: ele consegue fazer isso como governador do estado inteiro?

  • Eduardo Paes (PSD) se posiciona como aliado independente de Lula, rejeitando subordinação
  • Ministério da Saúde repassa R$ 13,1 milhões mensalmente ao Supercentro de Benfica (52,5% do custeio)
  • Diferença entre Paes e Douglas Ruas (PL) caiu para 9 pontos na última pesquisa Quaest
  • Ministério Público do Rio investiga Ruas por crimes licitatórios, peculato e lavagem de dinheiro
  • Paes promete construção de oito Supercentros de Saúde e fim da aprovação automática nas escolas

Paes se posiciona como aliado orgulhoso de Lula, mas rejeita a ideia de ser subordinado ao presidente, enfatizando sua autonomia na campanha ao governo do Rio. O candidato do PSD destaca investimentos federais em infraestrutura do Rio durante o governo Lula, como financiamento ao Supercentro de Benfica e salvação do Aeroporto do Galeão.

Eduardo Paes rebate críticas de Douglas Ruas sobre sua relação com Lula, afirmando ser um aliado independente do presidente. O candidato do PSD também intensifica ataques ao rival do PL, acusando-o de corrupção.

Um dia depois do último debate antes do primeiro turno, Eduardo Paes estava em um Supercentro de Saúde em Benfica, o mesmo equipamento que havia inaugurado quando era prefeito do Rio. A visita não era casual. Na noite anterior, seu rival Douglas Ruas havia o acusado de estar escondendo o presidente Lula durante a campanha, e Paes veio para o microfone rebater a crítica de forma direta.

O candidato do PSD foi claro: sabia-se exatamente em quem votava, quem apoiava, como conduzia sua campanha. Mas deixou uma ressalva importante. Lula não mandava nele, não era seu subordinado. Era um aliado — e um aliado orgulhoso. A distinção importava. Paes votava no presidente, mas não estava discutindo a eleição nacional; estava discutindo a do Rio. E não precisava de muleta nenhuma para vencer. Lula era um aliado seu, não o contrário. Enquanto falava, estava acompanhado pela vice Jane Reis, pela candidata ao Senado Benedita da Silva e pelo candidato a deputado federal Daniel Soranz.

Paes aproveitou para lembrar como Lula o havia ajudado. Havia financiamento para o próprio Supercentro onde realizava a agenda. Antes, no governo do PL sob Jair Bolsonaro, nada chegava para aquele equipamento. E havia o exemplo do Aeroporto do Galeão: se dependesse da turma do PL no governo federal, estaria fechado. Mas Lula o salvou. Os números confirmavam a narrativa. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, o Supercentro foi inaugurado em 2022 e, no ano seguinte — primeiro mandato de Lula —, o Ministério da Saúde começou a cofinanciar os serviços especializados. Atualmente, R$ 13,1 milhões são repassados mensalmente pelo ministério, o que representa 52,5% do custeio total do complexo.

Mas Paes não veio apenas para defender sua relação com Lula. Veio também para atacar Ruas. As pesquisas mostravam que a distância entre eles estava diminuindo — na última Quaest, a diferença havia caído para nove pontos. Era hora de apertar. Paes afirmou que Ruas não havia feito nada pelos municípios fluminenses enquanto secretário estadual de Cidades, com exceção de São Gonçalo, cidade governada pelo pai de Ruas, Capitão Nelson. Mas havia mais. Paes acusou o presidente da Alerj de roubar através de uma empreiteira de São Gonçalo. Disse que havia acusado Ruas de desvio de recursos através dessa empreiteira em comerciais de TV durante toda a campanha. E perguntou ao seu advogado: Ruas pediu direito de resposta? Não. Por quê? Porque é verdade, respondeu Paes.

A acusação não era infundada. O Ministério Público do Rio investigava Ruas por suposta prática de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Uma denúncia apontava para suspeitas de conflito de interesses e enriquecimento ilícito envolvendo o presidente da Alerj. Quando procurado, o candidato do PL respondeu que as declarações de Paes eram mentiras e o ligou à velha política. Sua equipe jurídica havia recorrido de inserções ofensivas, conseguindo retirar do ar comerciais em rádio, televisão e redes sociais. Ruas havia tido direito de resposta também no programa eleitoral de Paes. A nota terminava com uma frase contundente: Eduardo Paes terminava a campanha como havia começado, na lama.

Durante a agenda, Paes anunciou ainda a construção de oito Supercentros de Saúde no estado, caso fosse eleito, além da contratação de mais médicos através de concurso. Prometeu também o fim da aprovação automática na rede estadual de Educação como primeiro ato de um eventual mandato. Criticou a política de enxugar gelo dos últimos governadores na Segurança Pública e reforçou a promessa de um novo batalhão em Jacarepaguá, repercutindo a morte de um passageiro no BRT naquela quarta-feira, atingido por um tiro na Zona Sudoeste da capital.

Voto no presidente Lula, mas não estou discutindo a eleição nacional. Estou discutindo a eleição do Rio e não preciso da bengala: o Lula é um aliado meu.
— Eduardo Paes
Ele foi secretário das Cidades de São Gonçalo, secretário da Cidades do pai dele e, além de tudo, para roubar.
— Eduardo Paes, sobre Douglas Ruas
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