Um padre de 58 anos, já condenado em 2009 por crimes sexuais contra uma criança de 10 anos, foi preso novamente no litoral paulista — desta vez sob suspeita de estupro de vulnerável envolvendo uma jovem de 19 anos. O caso coloca em evidência uma tensão antiga e persistente entre a confiança depositada nas instituições religiosas e a responsabilidade de proteger os mais frágeis sob sua guarda. A trajetória de Jucelino de Oliveira, que continuou exercendo o sacerdócio mesmo após condenação criminal, levanta perguntas que vão além do indivíduo: como as instituições respondem quando a autoridade m
Padre preso por estupro em SP já foi condenado por abuso infantil em Franca
Condenado em 2009, continuou atuando no clero
Como um padre condenado por abuso sexual conseguiu continuar atuando na Igreja depois de cumprir pena?
Os registros da Diocese de Santos mostram que ele foi nomeado administrador de paróquia em 2008, enquanto ainda respondia ao processo em Franca. Depois trabalhou como padre cooperador em Praia Grande entre 2011 e 2015. Não está claro se a Diocese tinha conhecimento completo da condenação quando o recolocou em funções.
Mas aí está o ponto — a gente não sabe se a Diocese sabia ou não. O artigo não traz nenhuma declaração da Igreja explicando como isso aconteceu. Só temos a cronologia que eles publicaram.
E quanto à vítima de 2006? O que aconteceu com ela depois?
O artigo não fornece informações sobre o que ocorreu com a menina após a condenação. Sabemos que ela tinha 10 anos quando o crime aconteceu, mas não há detalhes sobre seu acompanhamento ou situação atual.
Isso é uma lacuna importante. A reportagem se concentra nos fatos legais — datas, sentenças, nomeações — mas não traz a perspectiva das vítimas ou qualquer contexto sobre o impacto dos crimes.
A defesa diz que a investigação atual envolve uma pessoa maior de idade. Isso muda alguma coisa?
Juridicamente, sim. A vulnerabilidade em um caso de estupro de vulnerável pode estar ligada a outras circunstâncias além da idade — como a relação de autoridade que um padre tem sobre coroinhas. Mas a defesa ainda não explicou qual seria essa vulnerabilidade específica.
E aqui temos outro problema: a defesa alega que não teve acesso integral aos documentos do processo. Então não sabemos exatamente quais são as acusações específicas contra ele neste novo caso. Estamos trabalhando com informações incompletas.
Qual é a situação dele agora?
Está preso em caráter temporário. A defesa impetrou habeas corpus para tentar revogar a prisão. As medidas de proteção às vítimas incluem proibição de aproximação a menos de 300 metros.
A prisão é temporária, o que significa que tem prazo. A investigação corre sob sigilo, então não sabemos quanto tempo levará ou qual será o próximo passo. Tudo está em aberto.
The Pulse
- Um padre com condenação por estupro de criança volta a ser preso por crime sexual — o padrão de reincidência institucional é o que mais alarma investigadores e comunidade.
- A jovem de 19 anos relatou que o religioso oferecia bebidas alcoólicas a ela e ao namorado, ambos coroinhas, revelando um padrão de aproximação e manipulação.
- A defesa corre contra o tempo: advogados impetram habeas corpus em plantão judiciário, argumentando que a prisão é cautelar e que a investigação não envolve menor de idade.
- A Diocese de Santos, pega de surpresa na noite da prisão, promete providências canônicas — mas o silêncio sobre como o padre permaneceu ativo por anos após a condenação ainda ressoa.
- Medidas protetivas foram impostas, proibindo o padre de se aproximar a menos de 300 metros das vítimas, enquanto a investigação segue sob sigilo judicial.
Um padre de 58 anos, já condenado em 2009 por crimes sexuais contra uma criança de 10 anos, foi preso novamente no litoral paulista — desta vez sob suspeita de estupro de vulnerável envolvendo uma jovem de 19 anos. O caso coloca em evidência uma tensão antiga e persistente entre a confiança depositada nas instituições religiosas e a responsabilidade de proteger os mais frágeis sob sua guarda. A trajetória de Jucelino de Oliveira, que continuou exercendo o sacerdócio mesmo após condenação criminal, levanta perguntas que vão além do indivíduo: como as instituições respondem quando a autoridade moral e o abuso de poder coexistem sob o mesmo hábito?
Na noite de sexta-feira, agentes da Delegacia de Defesa da Mulher de Praia Grande prenderam o padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, acusado de estupro de vulnerável. O que transforma o caso em algo de gravidade excepcional é o passado do religioso: em julho de 2009, ele já havia sido condenado a 12 anos de reclusão por estupro e atentado violento ao pudor contra uma menina de 10 anos em Franca. O crime ocorreu em janeiro de 2006 — o padre era parente da família e frequentava a casa da criança — e só chegou à polícia meses depois, quando a menina contou o ocorrido a uma prima.
Apesar da condenação, Jucelino continuou atuando no clero. Registros da Diocese de Santos mostram nomeações e atividades pastorais mesmo durante o período em que a ação penal tramitava. Quando foi preso desta vez, administrava a Casa Pime em Praia Grande e celebrava missas em ao menos duas igrejas da cidade. Segundo o boletim de ocorrência, uma jovem de 19 anos relatou que o religioso oferecia bebidas alcoólicas a ela e ao namorado de 18 anos, ambos coroinhas.
A defesa do padre sustenta que a prisão é de natureza cautelar, que os processos anteriores foram integralmente cumpridos e extintos, e que os fatos investigados não envolvem menor de idade. Os advogados informaram que impetram habeas corpus para pedir a revogação da prisão, alegando ainda não ter acesso completo aos fundamentos da decisão judicial. A Diocese de Santos afirmou que tomou conhecimento da prisão na noite de sexta-feira e que adotará as providências canônicas cabíveis. O caso reacende o debate sobre os mecanismos — ou a ausência deles — que permitem a figuras condenadas por crimes sexuais continuar exercendo autoridade sobre comunidades vulneráveis.
Um padre de 58 anos foi preso na noite de sexta-feira em Praia Grande, no litoral paulista, acusado de estupro de vulnerável. O que torna o caso particularmente grave é que Jucelino de Oliveira já havia sido condenado pela Justiça por crime sexual contra uma criança. Em julho de 2009, ele recebeu sentença de 12 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, por estupro e atentado violento ao pudor contra uma menina de 10 anos em Franca. O juiz Paulo Sérgio Jorge Filho, da 3ª Vara Criminal de Franca, proferiu a condenação quando o padre tinha 41 anos e integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, na capital.
O crime em Franca ocorreu em janeiro de 2006, mas só chegou ao conhecimento da polícia em outubro daquele ano. A menina contou o ocorrido a uma prima, e os pais registraram a ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher de Franca. O padre era parente da família e frequentava a casa da criança. Ele morava em São Paulo e viajava a Franca algumas vezes por ano, onde sua mãe residia. Durante o processo, Jucelino ficou preso preventivamente por cerca de seis meses em 2007, mas foi solto após habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça. Respondeu ao restante do processo em liberdade. Quando a condenação foi anunciada, seu advogado à época, Wilson Inácio da Costa, afirmou que recorreria da decisão.
Apesar da condenação anterior, o padre continuou atuando no clero. Registros da Diocese de Santos mostram que, em 2008 — enquanto a ação penal ainda tramitava em Franca —, Jucelino foi nomeado administrador de paróquia e coordenador de pastoral na Região Grajaú, ainda na Diocese de Santo Amaro. Trabalhou como padre cooperador em Praia Grande entre 2011 e 2015, e não há registros de nomeações entre 2015 e agosto de 2020. Quando foi preso, administrava a Casa Pime em Praia Grande e celebrava missas em pelo menos duas igrejas da cidade.
A prisão de sexta-feira foi cumprida por agentes da Delegacia de Defesa da Mulher de Praia Grande, após decisão da Justiça. Segundo boletim de ocorrência obtido pela reportagem, uma jovem de 19 anos relatou que o religioso oferecia bebidas alcoólicas a ela e ao namorado, de 18 anos, ambos coroinhas. Foram fixadas medidas de proteção às vítimas, incluindo proibição de aproximação a menos de 300 metros e de qualquer tipo de contato. A investigação corre sob sigilo.
A defesa do padre, representada pelo advogado João Paulo Silva Rocha, afirma que a prisão tem natureza temporária e exclusivamente cautelar, não representando condenação ou reconhecimento de culpa. Segundo a nota da defesa, os processos anteriores foram devidamente resolvidos, com as sanções integralmente cumpridas e extintas. A defesa também argumenta que a expressão "estupro de vulnerável" não significa necessariamente que a pessoa envolvida seja criança ou adolescente, e afirma que os fatos investigados não envolvem pessoa menor de idade. Os advogados informaram que impetram habeas corpus em plantão judiciário para pedir a revogação da prisão e que não tiveram acesso integral à representação policial, ao parecer do Ministério Público nem aos fundamentos completos da decisão judicial.
A Diocese de Santos informou que tomou conhecimento da prisão na noite de sexta-feira e afirmou confiar no trabalho da Justiça para o esclarecimento dos fatos. A instituição disse que adotará as providências canônicas cabíveis. O caso levanta questões sobre a continuidade de atuação do padre no clero após condenação por crime sexual e sobre os procedimentos de proteção de menores nas instituições religiosas.
Notable Quotes
A prisão tem natureza temporária e exclusivamente cautelar, não representando condenação ou reconhecimento de culpa— Advogado João Paulo Silva Rocha, defesa do padre
Adotará as providências canônicas cabíveis— Diocese de Santos, em nota sobre o caso