Pacientes com câncer não conseguem acessar terapias-alvo revolucionárias

Pacientes com câncer, especialmente pobres, negros, hispânicos e sem seguro saúde, deixam de receber tratamentos potencialmente salvadores, resultando em progressão da doença e morte prematura.
Estamos em um período no qual nossa compreensão molecular não tem precedentes. Mas a infraestrutura está realmente desmoronando.
Um cientista de Stanford descreve o paradoxo: a medicina avançou, mas o sistema para entregar esses avanços aos pacientes não acompanhou.
Mark

Por que tantos médicos não estão fazendo esses testes genéticos se eles podem mudar tudo?

Mimi

Há várias razões. Alguns médicos simplesmente não sabem que esses medicamentos existem — a FDA aprova um novo tratamento de câncer por semana em média. Os hospitais não conseguem acompanhar. E há o custo: esses medicamentos podem custar US$ 10 mil por mês.

Luke

Mas espera — o artigo diz que os testes genéticos revelam quais medicamentos funcionam. Não é o teste que custa US$ 10 mil, é o medicamento depois. Qual é o custo real do teste?

Mimi

O artigo não especifica o custo do teste em si. Ele foca nos medicamentos e nas barreiras para prescrevê-los.

Mark

E quanto aos pacientes pobres? O artigo diz que eles têm menos acesso. Por quê?

Mimi

Porque não têm seguro ou têm Medicaid. Quando um medicamento custa US$ 10 mil por mês, eles não conseguem pagar, mesmo com assistência financeira. O processo de encontrar ajuda leva tempo demais para pacientes com câncer metastático.

Luke

O artigo menciona que os médicos tentam encontrar programas de assistência, mas "nem sempre têm sucesso". Isso é vago. Quantos pacientes realmente conseguem esses medicamentos através desses programas?

Mimi

O artigo não diz. Ele documenta que a tentativa acontece, mas não o resultado.

Mark

Então a história de John Ebers — ele conseguiu o medicamento certo porque foi para a Mayo Clinic. Isso é sorte ou é porque a Mayo Clinic é melhor?

Mimi

Provavelmente ambos. Ele teve a sorte de poder procurar uma segunda opinião. Mas a Mayo Clinic também tinha um oncologista que sabia procurar biomarcadores desde o início.

Luke

E o primeiro oncologista dele? O artigo diz que o Cancer & Hematology Centers respondeu que os testes eram recomendados "no momento do diagnóstico de metástase". Ebers tinha estágio 3 quando começou. Então tecnicamente eles estavam seguindo as diretrizes?

Mimi

Sim, mas as diretrizes podem estar desatualizadas. O artigo sugere que os testes deveriam ter sido feitos mais cedo.

Mark

Qual é o resultado final? Ebers está vivo porque conseguiu o teste certo, mas quantas outras pessoas estão morrendo porque não conseguem?

Mimi

O artigo não tem números sobre mortalidade. Mas documenta que 34% dos pacientes com câncer de pulmão nunca foram testados, 60% com câncer de mama metastático. Esses números sugerem que muitas pessoas estão deixando de receber tratamentos que poderiam ajudá-los.

  • Apenas 34% dos pacientes com câncer de pulmão e 51% com câncer de cólon metastático fazem testes genéticos recomendados
  • Medicamentos de terapia-alvo custam US$ 10 mil ou mais por mês
  • A FDA aprova, em média, um novo tratamento de câncer por semana
  • John Ebers, apicultor de 46 anos, só recebeu testes genéticos após procurar segunda opinião na Mayo Clinic

Testes genéticos podem revelar mutações específicas do câncer que respondem a medicamentos de terapia-alvo, oferecendo alternativas menos debilitantes à quimioterapia tradicional. Apenas 34% dos pacientes com câncer de pulmão e 51% com câncer de cólon metastático fazem testes genéticos recomendados, apesar de avanços revolucionários na medicina de precisão.

Muitos pacientes com câncer não recebem testes genéticos que poderiam indicar medicamentos de terapia-alvo mais eficazes e menos tóxicos. Barreiras incluem falta de conhecimento médico, custos elevados e desigualdades demográficas.

John Ebers estava em uma estação de esqui quando o cansaço o derrubou. O apicultor comercial de 46 anos olhou para a esposa e disse que precisava entrar em forma. Quatro semanas depois, descobriu que o problema era um tumor que havia perfurado a parede do cólon e se espalhado para os gânglios linfáticos. Ele tinha câncer colorretal em estágio 3.

Seu oncologista no Cancer & Hematology Centers, em Grand Rapids, Michigan, prescreveu quimioterapia — o tratamento padrão, embora frequentemente debilitante. Para Ebers, foi quase insuportável. O que ninguém lhe disse era que existia outro caminho: testes genéticos que poderiam ter revelado se seu tumor responderia a medicamentos de terapia-alvo, drogas desenvolvidas para desativar os genes específicos que alimentam certos cânceres. Christopher Lieu, do Centro de Câncer Anschutz da Universidade do Colorado, explica que esses testes são especialmente importantes para pacientes que não toleram quimioterapia ou cujo câncer já se espalhou. "Se Ebers tivesse feito testes de biomarcadores, isso poderia ter aberto caminho para terapias novas, mais eficazes e potencialmente menos tóxicas", diz Lieu, consultor da Colorectal Cancer Alliance.

Mas a situação de Ebers é comum demais. Muitos pacientes poderiam se beneficiar desses medicamentos revolucionários, mas os médicos frequentemente não enviam as células tumorais para análise ou, mesmo quando o fazem, não prescrevem o tratamento apropriado. Paul Mischel, médico e cientista da Universidade Stanford, observa que "estamos em um período no qual nossa compreensão molecular não tem precedentes. Mas a infraestrutura está realmente desmoronando." Os obstáculos são múltiplos: médicos podem não realizar biópsias, as amostras podem conter células insuficientes para análise, ou as células podem nunca chegar a um laboratório de testes genéticos. Mesmo quando chegam, o medicamento apropriado pode não ser prescrito. Os médicos talvez desconheçam os tratamentos aprovados recentemente, ou os hospitais podem estar atrasados na atualização de seus protocolos.

O custo é uma barreira monumental. Esses medicamentos podem custar US$ 10 mil ou mais por mês — cerca de R$ 49 mil. David Gerber, especialista em câncer de pulmão do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, explica que embora o Medicare estabeleça limites para coparticipações, pacientes sem seguro ou com planos privados podem receber contas capazes de levá-los à falência. Gerber e sua equipe tentam encontrar programas de assistência financeira, mas nem sempre conseguem, e o processo frequentemente se prolonga demais para pacientes com câncer metastático. Pesquisas mostram que fatores demográficos e econômicos determinam quem tem acesso: pessoas pobres, negras, hispânicas, sem seguro ou beneficiárias do Medicaid têm menor probabilidade de receber esses tratamentos inovadores. Adicione-se a isso o ritmo acelerado de aprovações — a FDA aprova, em média, um novo tratamento contra câncer por semana nos últimos cinco anos — e fica claro por que tantos pacientes deixam de receber terapias que poderiam transformar suas vidas.

O câncer de pulmão exemplifica o que é possível. Matthew Meyerson, pesquisador do Instituto de Câncer Dana-Farber, observa que "se voltarmos 20 anos, o câncer de pulmão metastático era uma sentença de morte. Agora há um número enorme de pacientes sobrevivendo cinco, dez, 20 anos." Isso ocorre porque existem dezenas de medicamentos desenvolvidos para atingir 12 a 14 mutações genéticas associadas à doença. Roy Herbst, especialista em câncer de pulmão e diretor do Centro de Câncer Dartmouth, diz que os efeitos "podem ser fenomenais". Para alguns pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células que passam por cirurgia e iniciam cedo um medicamento de terapia-alvo, oncologistas agora se atrevem até mesmo a pronunciar a palavra "cura". Mas um estudo abrangente revelou que 34% dos pacientes com câncer de pulmão nunca fizeram testes genéticos, assim como 60% com câncer de mama metastático, 50% com câncer de próstata metastático e 49% com câncer de pâncreas metastático. No câncer de cólon metastático, apesar das diretrizes recomendarem testes para cinco mutações com "profundas implicações terapêuticas", apenas 51% dos pacientes foram testados.

Ebers só passou pelos testes quando procurou uma segunda opinião na Mayo Clinic. Depois de oito sessões iniciais de quimioterapia, mais 28 sessões, radioterapia e cirurgia, ele estava tão emagrecido que conseguia envolver o bíceps com uma mão. Estava desanimado, vendo apenas mais quimioterapia em seu futuro e acreditando que lhe restavam dois anos de vida. Nos primeiros minutos de sua consulta na Mayo Clinic, seu oncologista Hao Xie informou que havia uma lesão em seu pulmão — o câncer agora estava em estágio 4. "Precisamos procurar biomarcadores", disse Xie. Quando o tumor no pulmão ficou grande o suficiente para biópsia, Xie enviou as células para testes genéticos. Os resultados mostraram que Ebers tinha uma mutação presente em apenas 2% a 4% dos cânceres de cólon, mas que pode ser atacada com terapia-alvo em vez de quimioterapia. Um representante do Cancer & Hematology Centers respondeu que os testes eram recomendados "no momento do diagnóstico de metástase" e "não no diagnóstico inicial nem nos estágios iniciais da doença".

Ebers não está curado. Mas alguns de seus tumores pararam de crescer, e outros crescem apenas lentamente. Ele está se exercitando na academia e se sente bem. Se seus tumores se tornarem resistentes ao tratamento atual, há outra terapia-alvo à espera. O fim daqueles dois anos que supostamente restavam a Ebers se aproxima rapidamente. Mas ele não está com medo. "Estou apostando em mim", disse.

Se Ebers tivesse feito testes de biomarcadores, isso poderia ter aberto caminho para terapias novas, mais eficazes e potencialmente menos tóxicas para tratar seu câncer
— Christopher Lieu, Centro de Câncer Anschutz da Universidade do Colorado
Se voltarmos 20 anos, o câncer de pulmão metastático era uma sentença de morte. Agora há um número enorme de pacientes sobrevivendo cinco, dez, 20 anos
— Matthew Meyerson, pesquisador do Instituto de Câncer Dana-Farber
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