Ouro da Venezuela em Londres irá para contas do Tesouro dos EUA para reconstrução

Terremoto de 24 de junho causou danos que afetaram população em áreas que receberão investimentos em habitação, saúde e educação.
O ouro seja bem utilizado e auditado por empresas internacionais
Deputado venezuelano enfatiza a prioridade de garantir controle sobre os recursos destinados à reconstrução.
Mark

Por que o ouro da Venezuela estava em Londres e não no país?

Mimi

É uma história longa de desconfiança. Governos anteriores movimentaram ouro para o exterior por razões de segurança e acesso a mercados internacionais. Ficou lá, e depois virou moeda de negociação política.

Mark

E agora, por que os EUA? Por que não devolver direto para a Venezuela?

Mimi

Porque ninguém confia em ninguém. Os EUA oferecem a garantia de que o dinheiro não desaparece em contas privadas ou é desviado. É um terceiro neutro — teoricamente.

Mark

Mas isso não é uma perda de soberania?

Mimi

Tecnicamente, sim. Mas quando seu país está rachado por um terremoto e as pessoas precisam de casa e médico, soberania abstrata pesa menos que teto concreto.

Mark

E se o dinheiro não chegar onde precisa?

Mimi

Por isso as auditorias internacionais. Não é perfeito, mas é mais do que havia antes. Alguém de fora está olhando.

Mark

Isso resolve o problema político de fundo?

Mimi

Não. Resolve a emergência. O problema político — quem governa, como funciona a justiça — continua sendo negociado em paralelo. São duas batalhas ao mesmo tempo.

  • O terremoto de 24 de junho deixou comunidades venezuelanas sem moradia, saúde e escolas — e a pressão por respostas concretas tornou inevitável a negociação sobre recursos bloqueados há anos.
  • O ouro venezuelano no Banco da Inglaterra, há muito paralisado por disputas políticas, agora é mobilizado como instrumento de reconstrução, com destino ao Tesouro dos EUA e uso restrito a três áreas específicas.
  • A desconfiança mútua entre a AN 2015 e o chavismo exigiu a criação de mecanismos rígidos de controle — empresas internacionais de auditoria acompanharão cada gasto para evitar desvios.
  • Negociadores insistem que a liberação do ouro não está atrelada à reforma do Tribunal Supremo, tentando isolar o alívio humanitário das disputas políticas estruturais que correm em paralelo.
  • Após cinco sessões técnicas e cinco plenárias conjuntas, o processo tem metodologia aprovada — mas as comunidades afetadas ainda aguardam que os compromissos se convertam em obras reais.

No cruzamento entre a tragédia natural e a complexidade política venezuelana, o ouro guardado no Banco da Inglaterra emerge como símbolo de uma tentativa de reconciliar urgência humanitária com desconfiança histórica. A promessa de transferir esses recursos para o Tesouro americano, destinando-os à reconstrução após o terremoto de junho, representa um raro momento em que adversários políticos buscam um terreno comum — não por convicção, mas pela pressão do sofrimento humano. O rigor da auditoria internacional proposta é, ao mesmo tempo, condição técnica e gesto de boa-fé num contexto onde a boa-fé raramente é gratuita.

O deputado Ramón López, da Assembleia Nacional venezuelana eleita em 2015, anunciou que o ouro do país custodiado no Banco da Inglaterra será transferido para contas do Tesouro americano e destinado exclusivamente à reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto de 24 de junho. A declaração, dada em entrevista à Venevisión e confirmada pelo jornal El Nacional, detalha um plano com controles rígidos sobre o uso de cada recurso.

O mecanismo é claro: os recursos só serão liberados mediante plano detalhado e fiscalização contínua. O dinheiro se destina a três frentes nas regiões afetadas — construção de moradias, ampliação de centros de saúde e reforma de escolas. Empresas internacionais de auditoria acompanharão os gastos permanentemente, e López sublinhou que a prioridade é garantir que o ouro seja bem utilizado e rastreável em cada etapa.

O deputado negou qualquer vínculo entre a liberação do ouro e uma eventual reforma do Tribunal Supremo de Justiça, tema que também circula nas negociações. Segundo ele, os instrumentos criados impedem desvios sem configurar cogoverno ou divisão de poder — a intenção é aliviar o sofrimento da população sem alterar a estrutura política.

O acordo entre as delegações da AN 2015 e do chavismo se apoia em três pilares: recuperação dos ativos para atender as vítimas, transparência total e auditoria contínua. As negociações correm em duas mesas paralelas — uma focada na emergência do terremoto, outra no fortalecimento da democracia, com ênfase no Judiciário e no sistema eleitoral. Após cinco sessões técnicas e cinco plenárias conjuntas, a metodologia para os próximos passos foi aprovada. O desafio agora é transformar compromissos em ação concreta, enquanto as comunidades afetadas aguardam habitação, atendimento médico e escolas funcionando.

Um deputado da Assembleia Nacional venezuelana anunciou que o ouro do país guardado no Banco da Inglaterra será transferido para contas do Tesouro americano, destinado à reconstrução após o terremoto devastador de 24 de junho. Ramón López, membro da AN eleita em 2015, fez a declaração em entrevista à Venevisión, confirmada pelo jornal El Nacional, detalhando um plano que promete controle rigoroso sobre como cada dólar será gasto.

O mecanismo previsto é direto: os recursos só serão liberados mediante um plano detalhado e sistemas de fiscalização. O dinheiro irá para três áreas específicas nas regiões afetadas pelo terremoto — construção de moradias, ampliação de centros de saúde e reforma de escolas. Empresas internacionais de auditoria acompanharão continuamente os gastos, garantindo que nenhum recurso se desvie do propósito declarado. López enfatizou que a prioridade é assegurar que "o ouro seja bem utilizado e auditado por empresas internacionais", com monitoramento permanente.

O deputado negou que a liberação do ouro esteja vinculada a uma reforma do Tribunal Supremo de Justiça, tema que também aparece nas negociações entre a AN 2015 e o governo. Segundo ele, foram criados instrumentos específicos "para que nada se desvie do propósito do gasto" durante a reconstrução, sem que isso configure uma divisão de poder ou cogoverno. A ênfase é aliviar o sofrimento da população sem comprometer a estrutura política.

O acordo entre os negociadores da AN 2015 e representantes do chavismo estabelece três pilares: recuperação dos ativos vinculados ao ouro para atender as vítimas dos terremotos, transparência total sobre o uso dos recursos e auditoria contínua. Em comunicado conjunto divulgado na quarta-feira, as delegações informaram que as negociações ocorrem em duas frentes paralelas. A primeira mesa técnica focou especificamente na resposta à emergência do 24 de junho, enquanto a segunda abordou "fortalecimento da democracia", com ênfase particular no Poder Judiciário e no Poder Eleitoral.

O primeiro ciclo de negociações já completou cinco sessões de trabalho nas mesas técnicas e cinco plenárias conjuntas, com aprovação da metodologia que guiará os próximos passos. O processo sinaliza um esforço para separar a questão humanitária imediata — a reconstrução — de questões políticas estruturais de longo prazo, ainda que ambas avancem simultaneamente. O desafio agora é transformar esses compromissos em ação no terreno, onde as comunidades afetadas aguardam habitação, atendimento médico e escolas funcionando.

O ouro seja bem utilizado e auditado por empresas internacionais, com acompanhamento permanente dos gastos.
— Ramón López, deputado da Assembleia Nacional
Foram desenhados instrumentos para que nada se desvie do propósito do gasto durante a reconstrução.
— Ramón López
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