Ouro cai mais de 2% e vai à mínima do mês com dólar forte e juros dos EUA em alta

O ouro não paga rendimento, e os juros americanos estão subindo
A lógica central da queda: treasuries perto de máximas em quase um ano encarecem manter ouro.
Mark

Por que o ouro cai justamente num momento de tensão no Oriente Médio? Não deveria subir?

Mimi

É o que muita gente espera. Mas o texto mostra que a tensão elevou o petróleo, e o petróleo alimenta a inflação. Isso mantém os juros altos.

Mark

E juros altos prejudicam o ouro por quê?

Mimi

Porque o ouro não paga rendimento. Com os treasuries de 10 anos perto das máximas em quase um ano, segurar ouro fica mais caro em termos de oportunidade.

Luke

Vale separar o que está medido do que é interpretação. A queda de 2,63% a US$ 4.561,9 e a perda semanal de 3,27% são números de mercado, e a semana ainda não fechou.

Mark

E o dólar?

Mimi

Ele encarece o metal para quem usa outras moedas, o que reduz a atratividade para investidores internacionais.

Luke

A relação causal é a explicação habitual do mercado. A reportagem não traz dados que meçam quanto da queda vem do dólar, quanto vem dos juros.

Mark

E sobre os cortes de juros?

Mimi

Pela ferramenta FedWatch, da CME, as apostas em cortes nos EUA neste ano praticamente sumiram.

Luke

Isso é a precificação do mercado, não uma decisão do Fed. E a reportagem não diz por quanto tempo o Estreito de Ormuz ficará fechado, o que é a grande incógnita.

  • Os contratos de ouro para junho caíram 2,63%, cotados a US$ 4.561,9 por onça, e acumulam perda semanal de 3,27%.
  • Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos sobem em direção a máximas de quase um ano, tornando mais caro segurar um ativo que não paga juros.
  • O dólar se fortalece e aumenta a aversão global ao risco, empurrando investidores para longe do metal.
  • O Brent ultrapassa US$ 109 por barril com o Estreito de Ormuz em grande parte fechado, alimentando o receio de inflação persistente.
  • Pelo FedWatch, o mercado praticamente zerou as apostas em cortes de juros nos EUA este ano, e o ouro segue sob pressão enquanto esse cenário durar.

Numa sexta-feira de meados de maio, o ouro perdeu terreno nos mercados de Nova York e voltou ao menor patamar desde o início do mês, em um movimento que reflete uma pergunta antiga da economia: o que vale guardar um metal que não rende nada quando o dinheiro em títulos passa a pagar mais? A resposta, por ora, favorece a renda fixa americana, sustentada por um dólar forte e pelo temor de que a guerra no Oriente Médio mantenha a inflação em alta. Assim, o brilho do metal cede espaço ao peso das taxas de juros que o mundo financeiro voltou a prezar.

Nesta sexta-feira (15), o ouro abriu em queda firme. Os contratos para junho, os mais negociados do mercado, recuavam 2,63% e eram cotados a US$ 4.561,9 por onça-troy na New York Mercantile Exchange. É o menor nível desde 5 de maio, e a semana já acumula perda de 3,27%.

Dois fatores pesam sobre o metal. Os títulos do Tesouro americano de 10 anos disparam e se aproximam das máximas de quase um ano, enquanto o dólar se fortalece em um ambiente de maior aversão ao risco. Como o ouro não paga rendimento e é negociado em dólares, ambos os movimentos o tornam menos atraente.

Ao fundo está a inflação. O petróleo Brent subiu 7,7% na semana, acima de US$ 109 por barril, por causa das tensões no Oriente Médio e do Estreito de Ormuz, que segue em grande parte fechado. Combustíveis mais caros são repassados aos consumidores e forçam os bancos centrais a manter juros elevados.

Os dados de inflação americanos divulgados nesta semana mostram que a pressão sobre preços já chega às famílias e às empresas. Pelo FedWatch, da CME, o mercado praticamente eliminou as apostas em cortes de juros nos EUA neste ano. Enquanto o petróleo seguir caro, Ormuz seguir fechado e os juros permanecerem altos, o ouro deve continuar pressionado.

Nesta sexta-feira (15), o ouro amanheceu em queda firme. Os contratos futuros para junho, os mais líquidos do mercado, recuavam 2,63% e eram cotados a US$ 4.561,9 por onça-troy, na divisão de metais da New York Mercantile Exchange. É o menor patamar desde 5 de maio. Na semana, a perda acumulada até o momento chega a 3,27%.

Dois movimentos pesam sobre o metal. O primeiro é a disparada dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Os treasuries de 10 anos, referência do mercado dos Estados Unidos, se aproximam das máximas em quase um ano. O segundo é o fortalecimento do dólar. Tudo isso acontece em um ambiente de maior aversão global ao risco.

O mecanismo é conhecido. Quando a renda fixa americana rende mais, aumenta o custo de oportunidade de manter posições em ouro, ativo que não paga rendimento. O dólar mais forte, por sua vez, reduz o apelo do metal para investidores de outras moedas, já que o ouro é negociado em dólares.

Por trás desse movimento está a inflação. O petróleo Brent acumula alta de 7,7% na semana e é negociado acima de US$ 109 por barril. O motivo são as tensões no Oriente Médio e os riscos em torno do Estreito de Ormuz, que segue em grande parte fechado.

Combustíveis mais caros tendem a alimentar a inflação, à medida que fabricantes repassam os custos aos consumidores. Isso força os bancos centrais a manter os juros elevados, o que reduz o atrativo do ouro.

Os dados de inflação dos Estados Unidos divulgados nesta semana indicaram que consumidores e empresas já começam a sentir um forte aumento das pressões de preços por causa da guerra. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado praticamente eliminou as apostas em cortes de juros nos Estados Unidos neste ano.

O que fica no radar é a combinação de petróleo acima de US$ 109, Ormuz fechado em grande parte e juros americanos altos. Enquanto esse quadro persistir, o ouro segue sob pressão.

O mercado praticamente eliminou as apostas em cortes de juros nos EUA neste ano.
— Ferramenta FedWatch, da CME (segundo a reportagem)
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