Oscilações de sentimento sobre IA movem mercado entre medo e ganância

É difícil explicar isso do ponto de vista dos fundamentos.
Um estrategista reflete sobre a volatilidade de centenas de bilhões de dólares em duas semanas.
Mark

Como um pedido por desaceleração da IA conseguiu apagar US$ 600 bilhões em valor de mercado em dois dias?

Mimi

Porque o mercado de IA é movido por narrativas que mudam semana sim, semana não. Quando líderes do setor como Amodei, Altman e Musk pediram uma desaceleração, investidores imediatamente temeram que os gastos com equipamentos de computação caíssem. Ações de infraestrutura despencaram mais de 9%.

Luke

Mas isso era especulação, certo? Ninguém sabia se a desaceleração realmente aconteceria ou se afetaria os gastos. O mercado reagiu ao sentimento, não a fatos concretos.

Mark

E então a Meta lançou a Muse e tudo virou?

Mimi

Não exatamente tudo. A Muse gerou entusiasmo, e operadores correram de volta para ações de IA. A Meta subiu 11%, o Nasdaq 100 atingiu recorde desde junho, e US$ 3 trilhões foram adicionados em uma semana. Mas também houve vendas em ações de empresas que dependem de cobranças recorrentes — Allstate caiu 8,9%, Charter 12%, Planet Fitness 14%.

Luke

Porque agentes de IA podem se tornar mais eficientes em comparação de preços e atendimento ao cliente. Mas novamente, isso é especulação sobre o futuro, não algo que já aconteceu.

Mark

Então o mercado está apenas apostando em narrativas?

Mimi

Sim, mas há fundamentos reais por baixo. Os gastos em IA realmente dispararam. A Nvidia realmente domina o mercado de chips. Essas empresas realmente têm avaliações mais baratas agora do que tinham em 2025.

Luke

Verdade. Mas o risco é real também. Taxas de juros estão subindo, oposição a centros de dados está crescendo, e ninguém sabe se esse ritmo de gastos é sustentável. O índice SOX ainda está 13% abaixo do pico de junho.

Mark

Isso significa que o mercado está saudável ou doente?

Mimi

Alguns diriam saudável. Nancy Tengler acha que o ceticismo abundante é bom — melhor do que a euforia que tivemos no fim dos anos 1990, que levou à bolha das ponto-com.

Luke

Mas a volatilidade em si é preocupante. Rhys Williams disse que é difícil explicar esses movimentos do ponto de vista dos fundamentos. Quando o mercado se move assim, é porque está precificando incerteza extrema, não confiança.

  • Nasdaq 100 caiu 1,5% em 14-15 de setembro, apagando US$ 600 bilhões
  • Meta subiu 11% na segunda-feira seguinte; Nasdaq 100 ganhou US$ 3 trilhões até o fim da semana
  • Nvidia negocia a menos de 17 vezes o lucro esperado — metade do múltiplo de 2025
  • Índice SOX despencou 29% entre junho e julho, ainda 13% abaixo do pico

Pedidos de desaceleração da IA por líderes do setor desencadearam queda de US$ 600 bilhões no Nasdaq 100, com ações de infraestrutura de IA despencando mais de 9%. Entusiasmo com a assistente Muse da Meta reverteu o movimento, levando o índice a ganhos de US$ 3 trilhões e recordes no Nasdaq 100 desde junho.

O mercado de ações oscilou dramaticamente em duas semanas entre temores sobre riscos da IA e entusiasmo com novos produtos, movimentando centenas de bilhões de dólares em ações de tecnologia.

Em duas semanas de setembro, o mercado de ações viveu uma montanha-russa movida por narrativas conflitantes sobre inteligência artificial. Centenas de bilhões de dólares entraram e saíram de ações ligadas à IA enquanto investidores tentavam acompanhar uma volatilidade que parecia desconectada dos fundamentos econômicos.

Tudo começou em 12 de setembro, quando Dario Amodei, presidente da Anthropic, publicou um artigo pedindo uma desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados de IA. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX, rapidamente apoiaram a ideia. As declarações pareceram validar uma série de alertas do próprio setor sobre riscos existenciais da tecnologia. O mercado reagiu com pânico. No primeiro pregão após a publicação, ações de infraestrutura para IA despencaram. Investidores temiam que uma desaceleração reduzisse os gastos com equipamentos de computação. O Nasdaq 100, fortemente concentrado em tecnologia, caiu 1,5% entre 14 e 15 de setembro, apagando mais de US$ 600 bilhões em valor de mercado. Empresas como CoreWeave e Lam Research recuaram mais de 9%.

Mas uma semana depois, o sentimento virou completamente. O entusiasmo com a assistente pessoal Muse, da Meta Platforms, levou operadores a correr de volta para ações ligadas à IA. As ações da Meta saltaram 11% na segunda-feira, colocando a controladora do Facebook e do Instagram no caminho de registrar seu melhor mês em mais de uma década. A Arm Holdings avançou 17%, enquanto Intel e Advanced Micro Devices subiram mais de 9% cada. O índice Philadelphia Stock Exchange Semiconductor Index acumulou alta de 6% em dois dias, ajudando o Nasdaq 100 a atingir seu primeiro recorde desde o início de junho. Até o fim da semana, US$ 3 trilhões haviam sido adicionados ao Nasdaq 100 desde a mínima de 15 de setembro.

O movimento também desencadeou vendas em ações de empresas que dependem de cobranças recorrentes e preços negociáveis. Espera-se que agentes de IA se tornem mais eficientes em tarefas como comparação de preços, reservas de viagens e atendimento ao cliente. A seguradora Allstate caiu 8,9% na semana, a operadora de TV a cabo Charter Communications recuou 12% e a Planet Fitness perdeu 14%. Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management, resumiu o absurdo: "Os movimentos são impressionantes em ambas as direções. É difícil explicar isso do ponto de vista dos fundamentos."

Essas oscilações não são novidade neste mercado impulsionado pela IA há quase quatro anos. No início de 2025, temores de uma retração nos gastos após o lançamento de um modelo de IA da DeepSeek, desenvolvido a baixo custo na China, fizeram as ações de semicondutores despencarem. A Nvidia caiu 17% em um único dia. Embora esses receios tenham se mostrado equivocados, a IA tornou-se ainda mais importante para o mercado e para a economia, à medida que os gastos de gigantes da tecnologia e startups dispararam. Isso deixou os investidores extremamente sensíveis a possíveis disrupções.

Além dos riscos de segurança, investidores enfrentam outras preocupações. As taxas de juros estão subindo rapidamente, tornando o desenvolvimento de IA mais caro. Cresce também a oposição à construção de centros de dados. Os receios de que esse fluxo de recursos possa diminuir ficaram evidentes nas ações de semicondutores. Depois de dobrar de valor entre o início do ano e 22 de junho, o índice SOX despencou 29% até a mínima de 29 de julho. Embora tenha se recuperado, ainda acumula queda de 13% em relação ao pico de junho.

A correção retirou boa parte dos excessos dos preços, deixando muitas empresas preparadas para novas valorizações. As ações da Nvidia atingiram recentemente sua avaliação mais barata em mais de uma década, negociadas a menos de 17 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses — metade do múltiplo observado em 2025. JoAnne Feeney, gestora de portfólio da Advisors Capital Management, vê oportunidade: "Você não precisa acreditar que esse ritmo de crescimento continuará pelos próximos cinco anos para possuir ações de empresas como Nvidia e Broadcom, porque suas avaliações realmente recuaram."

Outros investidores adotam postura mais cautelosa. Daniel Pilling, gestor da Sands Capital Management, ainda vê muitos riscos no tema porque ninguém sabe exatamente o que está por vir. Nancy Tengler, diretora-presidente da Laffer Tengler Investments, observa que o ceticismo abundante é saudável: "O que você não quer é euforia, que foi o que tivemos no fim dos anos 1990." Os investidores terão uma nova leitura das perspectivas para gastos com IA nesta semana, quando a Micron Technology divulgar seus resultados. Mas há uma coisa sobre a qual quase todos parecem concordar: as rápidas oscilações de sentimento não devem desaparecer tão cedo.

Este tem sido um mercado movido por narrativas, e a narrativa muda semana sim, semana não.
— Nancy Tengler, diretora-presidente da Laffer Tengler Investments
É fácil focar no argumento da destruição, e é igualmente fácil focar no argumento da criação potencial. Essa será a nossa realidade nos mercados por algum tempo.
— Bill Mann, estrategista-chefe de investimentos da Motley Fool Asset Management
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