Os cinco Pablos de 'Qual é a Música?': legado de Carlos Cesare e trajetórias dos atores

Carlos Cesare, ator que interpretou Pablo entre 1986 e 1990, faleceu aos 60 anos em São José dos Campos.
O trabalho ficou escasso, tive que fazer algo para o meu futuro
Aníbal Beltran explicou por que se afastou da televisão após o encerramento do programa em 1991.
Mark

Por que Pablo se tornou tão importante para o programa? Qual era exatamente o papel dele?

Mimi

Pablo era quem revelava as músicas. Era o rosto pintado, o personagem que dava a resposta que o público esperava. Mas era mais que isso — era a marca visual do programa, aquela figura que as pessoas reconheciam e lembravam.

Mark

E por que cinco atores diferentes? O programa durou tanto assim?

Mimi

Não exatamente. O programa original foi de 1986 até 1991, e depois retornou em 1999 em um novo formato. Então tivemos mudanças naturais — atores que saíram para outras coisas, e o programa precisava de novos Pablos.

Mark

Carrascal parece ter sido especial. Ele criou a identidade visual do personagem, certo?

Mimi

Sim. Silvio Santos sugeriu Kiss, mas Carrascal pensou melhor. Ele escolheu as purpurinas porque sabia que Silvio amava brilho. Aquele detalhe — as purpurinas — virou a marca. Foi uma decisão criativa que definiu como as pessoas viam Pablo.

Mark

E o que aconteceu com eles depois? Parece que ninguém continuou na televisão.

Mimi

Alguns tentaram. Beltran dançou mais dois anos no SBT, mas viu as coisas fecharem. Ele disse que não havia perspectiva. Goya continuou com arte, mas em musicais, cruzeiros. Apenas Campos conseguiu se reinventar, indo para o jornalismo.

Mark

Cesare parece ter sido diferente. Ele continuou criando coisas.

Mimi

Sim. Cesare não desistiu das artes. Criou peças, shows. Voltou a fazer teatro em 2023. Ele manteve vivo aquele espírito criativo mesmo depois de sair da TV. Talvez por isso tenha deixado um legado diferente.

  • Carlos Cesare interpretou Pablo de 1986 a 1990 e morreu aos 60 anos em 18 de agosto
  • Cinco atores diferentes fizeram o papel de Pablo ao longo das décadas
  • Augusto Carrascal foi o primeiro Pablo e criou a marca visual com purpurinas inspiradas em Kiss
  • Felipeh Campos é o único Pablo que mantém destaque na mídia como jornalista e apresentador

Carlos Cesare foi o segundo Pablo, atuando de 1986 a 1990, e continuou com trabalhos artísticos após deixar a TV, incluindo criação de peças teatrais. Augusto Carrascal foi o primeiro Pablo e criou a marca visual do personagem com inspiração em Kiss; atualmente mora na Europa.

Após a morte do ator Carlos Cesare aos 60 anos, reportagem resgata a história dos cinco atores que interpretaram o personagem Pablo no programa Qual é a Música do SBT ao longo de suas décadas de transmissão.

Carlos Cesare morreu na terça-feira, dia 18 de agosto, aos 60 anos, em São José dos Campos. Ele era o ator que deu vida a Pablo, o personagem que revelava as músicas no programa "Qual é a Música?" do SBT entre 1986 e 1990. Mas Cesare não foi o único a ocupar esse papel ao longo dos anos. Cinco atores diferentes interpretaram Pablo desde o nascimento do programa, cada um deixando sua marca no personagem que se tornou sinônimo daquela atração televisiva.

Cesare começou sua carreira no teatro em 1986, no mesmo ano em que ingressou na TV como dublador de Pablo. Antes disso, havia atuado como Palhaço Cotonete. Quando deixou a televisão em 1990, continuou desenvolvendo trabalhos artísticos. Em 2003, criou o show "Armazém do Eugênio", que retomou em 2023 em parceria com Gustavo Delfino, novamente em São José dos Campos. No ano seguinte, foi convidado para apresentar no Clubinho de Leitura do Parque Vicentina Aranha.

Antes de Cesare, houve Augusto Carrascal, o primeiro Pablo. Carrascal era um espanhol que vivia no Brasil quando foi convidado por Silvio Santos para o programa. Em entrevista ao Globo Repórter em 2024, logo após a morte do criador do SBT, Carrascal falou sobre sua dívida com Abravanel. A ideia de pintar o rosto veio do próprio Silvio Santos, que sugeriu uma inspiração na banda Kiss. Carrascal, porém, achou que ficar totalmente preto seria demasiado gótico. Pensou em purpurinas porque sabia que Silvio Santos adorava paetê e lantejoula, e essa escolha se tornou a marca visual do personagem. Carrascal hoje mora na Europa.

Após Cesare, Aníbal Beltran assumiu o papel entre 1990 e 1991, até o encerramento do programa. Beltran tinha uma trajetória inusitada: trabalhava em um banco quando foi convidado por uma bailarina para assistir a um ensaio no SBT. Como o balé estava desfalcado naquele dia, ele acabou substituindo um dançarino que faltou e permaneceu no lugar. Dois anos depois, foi convidado para fazer um teste para substituir Cesare. Seu desempenho foi tão bom que as imagens do teste foram usadas em três programas. Quando o "Qual é a Música" foi encerrado em 1991, Beltran soube disso apenas quando chegou à emissora para trabalhar. Continuou como dançarino no SBT por mais dois anos, mas viu várias atrações serem canceladas. "O trabalho ficou escasso, tive que fazer algo para o meu futuro. Não vi muita perspectiva dentro da televisão", disse em entrevista de 2017. Depois disso, se afastou do mundo artístico e prefere o anonimato.

Em 1999, o programa retornou em um novo formato, e Felipeh Campos se tornou o terceiro Pablo. Campos venceu um concurso que selecionou o substituto entre mais de 700 candidatos. Ficou quatro anos no programa, usando aquele período para custear seus estudos de jornalismo. Diferentemente dos outros, Campos é o único Pablo que mantém destaque na indústria da mídia, agora como jornalista e apresentador.

O último Pablo foi Alberto Goya, que interpretou o personagem entre 2007 e 2008. Goya é bailarino e ator de musicais, tendo também trabalhado dançando em cruzeiros. Após deixar o programa, participou de musicais tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, prefere viver de forma mais anônima, compartilhando imagens de viagens e espetáculos nas redes sociais.

Dos cinco Pablos, apenas Felipeh Campos mantém visibilidade pública. Carrascal vive na Europa. Beltran se afastou completamente do mundo artístico. Goya continua trabalhando com arte, mas longe dos holofotes. E Cesare, que interpretou o personagem no período em que o programa ganhou força, deixou um legado que transcendeu a televisão, mantendo-se ativo nas artes cênicas até sua morte.

A pessoa que me empurrou, que me ajudou e que praticamente devo tudo, o senhor Abravanel
— Augusto Carrascal, em entrevista ao Globo Repórter em 2024
O trabalho ficou escasso, tive que fazer algo para o meu futuro. Não vi muita perspectiva dentro da televisão
— Aníbal Beltran, em entrevista ao UOL em 2017
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