Os cenários reais por trás dos palácios fictícios de 'The Crown'

Ficção sobre ficção: casas que nunca foram reais
Os locais de filmagem de The Crown são mansões históricas que substituem os palácios reais, criando uma camada adicional de dramatização.
Mark

Como é que a Netflix consegue filmar uma série sobre a família real britânica sem usar os palácios reais?

Mimi

Bem, a maioria dos palácios reais não está disponível para filmagens comerciais. Então os produtores encontraram mansões históricas que têm características semelhantes — a mesma arquitetura, os mesmos interiores luxuosos — e usam-nas como substitutos.

Luke

Mas isso significa que o que vemos na série não é realmente onde a rainha vivia?

Mimi

Exatamente. O Palácio de Buckingham real nunca aparece. Em vez disso, veem-se Wilton House, Lancaster House e o Old Royal Naval College — três locais completamente diferentes.

Mark

E as pessoas conseguem visitar estes locais?

Mimi

Muitos deles, sim. Wilton House abre ao público em certas épocas. Lancaster House é usada para eventos governamentais. Somerleyton Hall permite visitas aos jardins entre abril e outubro.

Luke

Portanto, os fãs da série podem literalmente andar pelos mesmos corredores que viram na televisão?

Mimi

Podem, embora estejam a andar por casas que não têm nada a ver com a história real que está a ser contada. É uma camada interessante de ficção sobre ficção.

Mark

Qual é o cenário mais usado?

Mimi

Provavelmente Somerleyton Hall — aparece como Sandringham House e também como Highgrove House em temporadas diferentes.

Luke

Isso não é confuso para os espectadores? Ver o mesmo local representar duas casas diferentes?

Mimi

Talvez, mas a maioria dos espectadores provavelmente não sabe que está a ver um cenário de substituição em primeiro lugar. A série funciona como drama, não como documentário.

  • A série mais assistida sobre a realeza britânica nunca filmou nos palácios reais — cada cenário icónico tem um duplo cinematográfico cuidadosamente escolhido.
  • O Palácio de Buckingham é representado por três propriedades distintas ao longo das temporadas, incluindo uma mansão em Wiltshire e outra a apenas cinco minutos do palácio verdadeiro.
  • Castelos como Windsor e Balmoral, e residências como Sandringham e Highgrove, são substituídos por propriedades históricas com séculos de história própria e famílias que ainda as habitam.
  • A ilusão estende-se até à Casa Branca: uma cena com a princesa Margarida e o presidente Johnson foi filmada numa mansão em Chelmsford cujas colunas e jardins verdes evocavam o escritório oval.
  • Muitos destes locais estão abertos ao público, transformando fãs da série em viajantes que percorrem a história britânica através dos bastidores de uma ficção.

Por trás dos palácios e castelos que surgem no ecrã de 'The Crown', a série da Netflix sobre o reinado de Isabel II, existe uma geografia paralela e discreta: mansões históricas britânicas que emprestam a sua pedra, os seus salões e os seus jardins para encarnar residências que jamais abriram as suas portas às câmaras. É uma prática antiga no cinema — a ilusão como ofício —, mas que aqui adquire uma dimensão quase filosófica: a história de uma monarquia é contada não pelos seus próprios espaços, mas pelos seus espelhos.

Desde a sua estreia em 2016, 'The Crown' conquistou o mundo com a sua dramatização do reinado de Isabel II. Mas por trás dos palácios que aparecem no ecrã existe uma realidade diferente: os produtores raramente filmam nos locais reais, recorrendo a mansões históricas britânicas cuidadosamente selecionadas como substitutos cinematográficos.

O Palácio de Buckingham é representado por três cenários ao longo da série. Nas primeiras temporadas, Wilton House em Wiltshire — construída em 1544 e considerada uma das melhores casas de campo da Grã-Bretanha — assume o papel. Nas temporadas seguintes, a produção muda-se para Lancaster House, a apenas cinco minutos do verdadeiro Buckingham, com os seus interiores no estilo Luís XIV e candelabros imponentes. Para cenas exteriores, o Old Royal Naval College em Greenwich, projetado por Christopher Wren no local onde nasceram Henrique VIII e Isabel I, serve de pano de fundo.

O Castelo de Windsor é representado pelo Castelo de Belvoir em Leicestershire nas primeiras temporadas e na quinta, e por Burghley House em Lincolnshire na quarta. A Abadia de Westminster, palco de todas as coroações reais desde 1066, é retratada pela Catedral de Ely em Cambridgeshire, cujos azulejos medievais evocam a grandiosidade da abadia original.

Sandringham House é substituída por Somerleyton Hall em Suffolk — onde Emma Corrin, como Diana, dança no salão de baile —, enquanto Highgrove House cede o lugar a Somerley House na quarta temporada. Clarence House é representada por High Canons House em Borehamwood, uma mansão com longa história de filmagens que inclui 'Um Crime no Expresso do Oriente'.

O Castelo de Balmoral, onde Isabel II morreu em setembro de 2022, é encarnado pela Ardverikie House em Newtonmore, propriedade da mesma família há quase 150 anos e com casas de férias disponíveis para alugar. Gatcombe Park é substituído por Wrotham Park em Hertfordshire, uma das maiores casas particulares perto de Londres, usada em mais de 60 filmes. Até o iate real Britannia foi recriado em estúdio, e uma reunião na Casa Branca foi filmada numa mansão em Chelmsford cujas colunas e jardins verdes bastaram para evocar o poder presidencial americano.

Muitos destes locais estão abertos ao público, permitindo que os fãs da série percorram, em carne e osso, os cenários que deram vida à história da monarquia britânica.

Desde que estreou em 2016, a série "The Crown" da Netflix conquistou milhões de espectadores ao redor do mundo com sua dramatização do reinado de Isabel II, que ocupou o trono britânico durante 75 anos até sua morte no Castelo de Balmoral, na Escócia, em 8 de setembro deste ano. Mas por trás dos palácios e castelos que aparecem na tela há uma realidade bem diferente: os produtores raramente filmam nos locais reais. Em vez disso, recorrem a um conjunto cuidadosamente selecionado de mansões históricas britânicas que servem como substitutos cinematográficos para as residências mais icônicas da monarquia.

O Palácio de Buckingham, residência oficial e principal local de trabalho dos monarcas britânicos em Londres, é representado por três cenários distintos ao longo da série. Nas primeiras três temporadas, a produção usou Wilton House, uma mansão rural em Wiltshire, a cerca de 160 quilómetros de Buckingham. Construída em 1544 pelo primeiro conde de Pembroke, a propriedade apresenta roseirais, um salão gótico e uma torre Tudor, e é considerada uma das melhores casas de campo da Grã-Bretanha. Atualmente pertence ao 18.º conde e condessa de Pembroke, William Herbert e Victoria Bullough, que abrem as portas ao público em determinadas épocas do ano. Para as temporadas seguintes, os produtores mudaram-se para Lancaster House, localizada a apenas cinco minutos a pé do verdadeiro Buckingham. Encomendada em 1825 pelo duque de Iorque, a mansão possui interiores no estilo Luís XIV, uma escadaria ampla, uma sala de música, candelabros e colunas coríntias. Classificada como Grau I pelo seu significado histórico, Lancaster House agora é administrada pelo governo britânico e serve como local para cimeiras internacionais, jantares formais e conferências. O Old Royal Naval College em Greenwich, projetado por Sir Christopher Wren, foi utilizado para cenas exteriores do palácio e seu pátio. O local, que foi outrora o Palácio de Greenwich e local de nascimento do rei Henrique VIII e das rainhas Maria I e Isabel I, foi demolido após a Guerra Civil Britânica e reconstruído como Royal Hospital for Seamen em 1694, convertendo-se posteriormente no Royal Naval College em 1873.

O Castelo de Windsor, que serviu de lar a mais de 40 reis e rainhas britânicos nos últimos mil anos, é representado por duas propriedades diferentes conforme a série progride. Nas primeiras temporadas, o Castelo de Belvoir em Leicestershire assume o papel, uma propriedade aberta ao público que já foi cenário de produções como "Enigma da Pirâmide" (1985) e "O Código de Da Vinci" (2006). Belvoir tem sido residência da família Manners nos últimos 500 anos e sede dos Duques de Rutland há mais de três séculos. Na quinta temporada, quando a série retrata o incêndio de 1992 em Windsor, Belvoir novamente serve como cenário. Na quarta temporada, Burghley House, uma mansão Tudor em Lincolnshire construída entre 1555 e 1587 pelo Lorde Tesoureiro da rainha Isabel I, toma o lugar de Windsor. A propriedade, com suas janelas arqueadas e paredes imponentes, permite que visitantes pernoitem na quinta, optem por tendas de luxo ou reservem quartos dentro da propriedade.

A Abadia de Westminster, a histórica igreja em Londres que tem sido palco de todas as coroações reais desde 1066 e de pelo menos 16 casamentos reais, é retratada na série pela Catedral de Ely em Cambridgeshire. Com seus distintos azulejos estampados e detalhes medievais, o monumento histórico apresenta semelhanças suficientes com a abadia real e é visitado por milhares de pessoas todos os anos. Sandringham House, a residência particular do rei Carlos III desde meados do século XIX, é representada por Somerleyton Hall em Suffolk. Na série, a princesa Diana, interpretada por Emma Corrin, dança no salão de baile desta propriedade. Atualmente, Somerleyton Hall é residência de Hugh Crossley e Lara Bailey, lordes de Somerleyton, portanto está fechada ao público, embora os jardins da propriedade possam ser visitados entre abril e outubro.

Highgrove House em Gloucestershire, uma das casas particulares do rei Carlos III desde 1980, é substituída por Somerley House na quarta temporada. Construída em 1653 pela família Okden, a propriedade original foi totalmente destruída por um incêndio, e a Somerley House atual foi reconstruída no final do século XVIII. Os atuais proprietários, o 7.º Conde e a Condessa de Normanton, restauraram grande parte da casa. Clarence House, uma das últimas residências aristocráticas em Londres projetada por John Nash entre 1825 e 1827, é representada por High Canons House em Borehamwood, uma mansão rural a cerca de 30 minutos de Londres. Embora não tenha ligações à realeza britânica, High Canons House data de 1800 e tem sido usada como local de filmagem para vários filmes e programas de televisão, incluindo "Um Crime no Expresso do Oriente" (1974), "Inspector Morse" (1990) e "Agatha Christie: Poirot" (2013).

O Castelo de Balmoral, a amada casa de férias da rainha Isabel nas Terras Altas da Escócia e sua propriedade pessoal desde 1852, é retratado pela Ardverikie House em Newtonmore. A propriedade está na mesma família há quase 150 anos e passou por várias transformações ao longo das décadas. Ao contrário de Balmoral, o público pode explorar o terreno a pé e há seis casas de férias disponíveis para alugar. Gatcombe Park, a residência de campo da Princesa Real construída entre 1771 e 1774, é substituída por Wrotham Park em Hertfordshire na quarta temporada. A propriedade de 18 quartos, construída em 1754 pelo arquiteto Isaac Ware, é uma das maiores casas particulares perto de Londres e foi usada como local de filmagem em mais de 60 filmes, incluindo "O Diário de Bridget Jones" e "Kingsman: O Serviço Secreto". O iate real Britannia, conhecido como "o palácio flutuante" e que serviu a rainha e a família real durante mais de 40 anos, é visto na última temporada, embora as cenas tenham sido filmadas dentro de um estúdio que recriou o navio em vez de na embarcação real. Na terceira temporada, cenas que retratam a princesa Margarida e seu marido Antony Armstrong-Jones em uma reunião na Casa Branca com o presidente Lyndon B. Johnson foram na verdade filmadas na Hylands House em Chelmsford, uma propriedade que geralmente hospeda casamentos e eventos privados, com seu exterior perolado, colunas frontais e pano de fundo verde que lembram o escritório presidencial dos Estados Unidos.

A série é vagamente baseada em eventos passados e é uma obra de ficção
— Descrição editorial da série
O iate real Britannia navegou mais de um milhão de milhas náuticas globalmente, da Escócia ao sul do Iémen
— Informação histórica sobre o iate real
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