Messi estreou pela Argentina em 2004 aos 17 anos e conquistou seu primeiro título na Copa do Mundo Sub-20 na Holanda, consolidando-se como jogador excepcional. Após quatro finais perdidas e uma renúncia temporária em 2016, Messi finalmente conquistou a Copa América de 2021 e o título máximo na Copa do Mundo de 2022 no Catar.
Os 10 momentos que definiram a trajetória de Messi na seleção argentina
Ele tropeçou, mas se levantou quando tudo parecia perdido
Por que a história de Messi na seleção começou com uma fita VHS? Parece quase improvável nos dias de hoje.
Porque em 2003, quando Claudio Vivas colocou aquela fita nas mãos de Marcelo Bielsa, não havia redes sociais, não havia vídeos em alta definição disponíveis instantaneamente. Um jovem de dezesseis anos jogando em Barcelona era praticamente invisível para a Argentina. A fita foi o portal.
Mas espera — Bielsa pediu para reproduzir em velocidade normal porque achava que havia um truque? Isso é uma anedota bonita, mas como sabemos que é verdade? Quem contou essa história?
É parte do relato histórico sobre como Messi foi descoberto pela seleção. Vivas estava lá, viu o vídeo, e a história se tornou parte da narrativa oficial.
Entendo. Mas é atribuído a quem especificamente? Porque há uma diferença entre "Bielsa pediu isso" e "alguém diz que Bielsa pediu isso".
E quanto à renúncia em 2016? Isso parece ter sido um ponto de virada real.
Foi devastador. Quatro finais perdidas, a segunda derrota para o Chile em um ano. Messi estava quebrado. Mas a nação não o deixou ir. Um mês depois, ele voltou.
A questão é: o que mudou em um mês? Mudou Edgardo Bauza, o técnico. Mas Messi realmente mudou de ideia, ou foi pressionado a voltar?
Provavelmente ambas as coisas. O apoio massivo da Argentina certamente pesou. Mas também havia algo dentro dele que não estava pronto para desistir.
E então, vinte e oito anos depois, ele finalmente ganhou um título com a seleção em 2021.
Sim, na Copa América. E depois o Catar em 2022, que foi o auge absoluto. Naquele momento, tudo fez sentido.
Mas em 2026, aos trinta e nove anos, ele voltou e perdeu a final para a Espanha. Então o final não foi exatamente um conto de fadas perfeito.
Não, mas talvez seja mais honesto assim. Ele lutou até o fim. Isso é o que importa.
Le Pouls
- Estreia em 29 de junho de 2004, aos 17 anos, no estádio do Argentinos Juniors
- Primeiro título na Copa do Mundo Sub-20 na Holanda em 2005
- Renúncia temporária em 27 de junho de 2016 após perder a final da Copa América Centenário
- Copa América 2021 quebrou jejum de 28 anos sem títulos
- Copa do Mundo 2022 no Catar; 8 gols na Copa do Mundo 2026; recorde de 34 partidas em Copas do Mundo
Messi estreou pela Argentina em 2004 aos 17 anos e conquistou seu primeiro título na Copa do Mundo Sub-20 na Holanda, consolidando-se como jogador excepcional. Após quatro finais perdidas e uma renúncia temporária em 2016, Messi finalmente conquistou a Copa América de 2021 e o título máximo na Copa do Mundo de 2022 no Catar.
Lionel Messi se despede da seleção argentina após mais de 20 anos, deixando um legado de glórias, recordes e superação de desafios que o consolidam como um dos maiores ídolos do futebol mundial.
Lionel Messi se despediu da seleção argentina nesta terça-feira, encerrando uma trajetória de mais de vinte anos que começou em 2004, quando um jovem de dezessete anos saiu de Rosário para Barcelona e precisou ser convencido a vestir a camisa azul-celeste. A história de sua chegada à seleção é ela mesma uma odisseia: foi preciso que uma fita VHS caísse nas mãos de Claudio Vivas, auxiliar técnico, para que Marcelo Bielsa compreendesse a magnitude do talento. Bielsa pediu a Vivas que reproduzisse o vídeo em velocidade normal, convencido de que havia algum truque por trás da genialidade do garoto de dezesseis anos. Um funcionário administrativo da Associação de Futebol Argentino, Omar Souto, começou a fazer perguntas de uma cabine telefônica até localizar Messi. Quando finalmente conseguiu falar com Jorge, pai de Lionel, ouviu: "Finalmente, Lionel e eu estávamos esperando por essa ligação". Em 29 de junho de 2004, no estádio do Argentinos Juniors, Messi entrou em campo no segundo tempo com a camisa número 17 contra o Paraguai e marcou um gol na vitória por oito a zero.
Seu primeiro título chegou um ano depois, na Copa do Mundo Sub-20 na Holanda. Com dezoito anos, Messi não era titular na partida de estreia contra os Estados Unidos, que a Argentina perdeu por um a zero. Mas no segundo jogo, contra o Egito, começou como titular e deixou sua marca. Marcou contra a Colômbia nas oitavas, contra a Espanha nas quartas e foi crucial contra o Brasil na semifinal. Na final, converteu dois pênaltis e conquistou seu primeiro título com a seleção, terminando como artilheiro e melhor jogador do torneio.
Na Copa do Mundo de 2006, no Brasil, José Néstor Pékerman, técnico da Argentina, disse a Messi: "O que aconteceu com Diego não vai acontecer com você. Esta Copa do Mundo ainda não será sua. Sua Copa do Mundo será na África do Sul, em 2010. E você jogará pela seleção por muitos anos". Messi tinha dezoito anos e era titular absoluto do Barcelona ao lado de Ronaldinho. Tornou-se o estreante mais jovem da Argentina na história da Copa do Mundo e marcou um gol contra a Sérvia e Montenegro em uma vitória por seis a zero. Nas quartas de final, a Argentina empatou com a Alemanha em um a um e perdeu nos pênaltis. Messi não entrou em campo — uma decisão que gerou duras críticas ao técnico.
Em Pequim 2008, Messi insistiu com Pep Guardiola, então técnico do Barcelona, para que o deixasse jogar nos Jogos Olímpicos. "Ninguém queria que eu fosse. E quando estou com raiva ou algo está errado, não escondo e isso transparece no meu rosto. Guardiola foi fantástico e me deu permissão", relembrou Messi. A Argentina teve uma campanha perfeita e conquistou a medalha de ouro, com Messi marcando contra a Costa do Marfim e a Holanda.
A Copa do Mundo de 2014, no Brasil, foi o momento em que Messi chegou mais perto de se sentar à mesa dos maiores ídolos de todos os tempos. Com quatro Bolas de Ouro já conquistadas, vestindo a camisa número 10 e a braçadeira de capitão, ele foi fundamental durante toda a fase de grupos, marcando contra a Bósnia e Herzegovina, o Irã e dois contra a Nigéria. Nas oitavas, deu a assistência para o gol da vitória de Di María. Na final, a Alemanha frustrou suas esperanças com um gol de Mario Götze na prorrogação. Messi foi escolhido como o melhor jogador do torneio, mas não conseguiu levantar a taça.
Após perder a final da Copa América Centenário de 2016 para o Chile nos pênaltis — a segunda derrota contra o mesmo rival em um ano —, Messi se aposentou da seleção. "Acabou para mim na seleção. Quatro finais, não é para mim. Tentei, não aconteceu, mas acho que é isso", disse ele à imprensa no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, em 27 de junho de 2016. "Acho que é uma decisão final. Perdi o pênalti. Era crucial para abrirmos o placar. Hoje foi a minha vez de errar". O impacto reverberou pelo mundo. Na Argentina, um apoio massivo começou a surgir para que o ícone revertesse sua decisão, o que finalmente aconteceu um mês depois, com Edgardo Bauza como técnico.
O título tão aguardado finalmente chegou com Lionel Scaloni no comando da Argentina na Copa América de 2021, realizada no Brasil. O torneio foi disputado sem público devido à pandemia de COVID-19, mas a equipe conseguiu inspirar seus torcedores à distância. A Argentina venceu todas as partidas até as semifinais, onde enfrentou a Colômbia nos pênaltis. A final foi contra o Brasil no estádio do Maracanã, onde a Albiceleste de Messi finalmente triunfou. Messi marcou quatro gols no torneio, deu cinco assistências e foi eleito o melhor jogador da competição. Após quebrar um jejum de vinte e oito anos sem títulos, as lágrimas e a alegria do camisa 10 foram as de todo seu país.
Mas foi no Catar que Messi finalmente alcançou o reconhecimento absoluto. Após uma surpreendente derrota na estreia contra a Arábia Saudita, foi fundamental na recuperação. Marcou contra a Austrália nas oitavas, contra a Holanda nas quartas — além de dar uma assistência e converter um pênalti — e contra a Croácia nas semifinais. Na final, Argentina e França protagonizaram talvez a partida mais emocionante da história das Copas do Mundo. Messi marcou um gol no tempo regulamentar, outro na prorrogação e um pênalti na disputa. Após trinta e seis anos, a Argentina estava mais uma vez no auge do futebol mundial.
Messi chegou a colocar em dúvida sua participação na Copa do Mundo de 2026, mas compareceu ao torneio aos trinta e oito anos, completando trinta e nove durante a competição. Fez um torneio fascinante, marcando oito gols em sua sexta Copa do Mundo e alcançando o recorde de trinta e quatro partidas na principal competição da Fifa. A equipe argentina não teve o mesmo frescor do Catar 2022, mas possuía a experiência e o espírito de luta de campeões. Messi liderou sua equipe do início ao fim, marcando gols nas cinco primeiras partidas. Isso os levou à sua terceira final de Copa do Mundo, mas perderam de forma contundente para a Espanha. Como se diz na Argentina, Messi lutou até o fim, e suas lágrimas foram as de toda uma nação.
Citations marquantes
Acabou para mim na seleção. Quatro finais, não é para mim. Tentei, não aconteceu, mas acho que é isso— Lionel Messi, após a final da Copa América Centenário de 2016
Ninguém queria que eu fosse. E quando estou com raiva ou algo está errado, não escondo e isso transparece no meu rosto. Guardiola foi fantástico e me deu permissão— Lionel Messi, sobre sua participação nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008