Há séculos, o mundo aprendeu a ver-se através de uma lente que encolhe África e engrandece o Norte — não por má-fé, mas por necessidade náutica. Quando a ONU votou, em setembro de 2026, para recomendar mapas mais fiéis às proporções reais dos continentes, parecia um gesto de justiça cartográfica. Mas a geometria do planeta nunca é apenas geometria: ao tentar corrigir uma distorção visual, a resolução revelou que cada linha traçada num mapa carrega o peso de soberanias, memórias e disputas que nenhuma projeção consegue neutralizar.