Oito em cada dez brasileiros confiam em investimentos via fintechs e bancos digitais

Oito em cada dez brasileiros dizem que investiriam em contas digitais
Pesquisa do Instituto Locomotiva revela disposição crescente para investimentos via fintechs e bancos digitais entre brasileiros.
Mark

Por que a confiança é tão maior entre quem já tem conta digital? Não deveria ser o contrário — as pessoas desconfiadas é que precisariam ser convencidas?

Mimi

Você tem razão em questionar isso. Mas pense: quem já usa banco digital já venceu a barreira psicológica de confiar seu dinheiro a uma tela. Já experimentou, viu que funciona. Agora investir é só um passo a mais no mesmo lugar. Para quem nunca usou, é tudo novo e distante.

Mark

E por que a classe C aparece com tanta confiança? Historicamente, investimento é coisa de gente rica.

Mimi

Porque para a classe C, fintech não é luxo — é acesso. Banco tradicional cobra taxa, exige saldo mínimo, fica longe. Fintech chega pelo celular, sem burocracia. Quando você estava excluído, qualquer porta aberta parece promissora.

Mark

Mas há essa questão da internet intermitente. Como alguém investe se não tem conexão confiável?

Mimi

Exatamente. Os números mostram confiança, mas a realidade é mais complicada. Você pode confiar em investir digitalmente, mas se sua internet cai na hora que você precisa fazer uma transação, ou receber um alerta importante, a confiança não vale muito. É a diferença entre querer e conseguir.

Mark

YouTube e Instagram como fontes de informação financeira — isso não preocupa você?

Mimi

Preocupa e não. Preocupa porque qualquer um pode fazer vídeo, nem sempre com conhecimento real. Não preocupa porque as pessoas estão buscando informação, estão engajadas. Antes não buscavam nada. É um começo imperfeito, mas é um começo.

Mark

E a inteligência artificial em 9% dos investidores — é muito ou pouco?

Mimi

Pouco hoje. Mas em cinco anos? Pode ser que seja metade. A tecnologia está entrando rápido. O que importa é que não está entrando sozinha — está entrando porque as pessoas estão dispostas a usá-la.

  • 80% dos brasileiros afirmam que fariam investimentos em contas digitais e fintechs
  • 95% de confiança entre quem já possui conta em banco digital ou fintech
  • 87% dos jovens de 18 a 29 anos e 87% da classe C demonstram disposição para investir digitalmente
  • Canais online para investimento cresceram de 49% em 2021 para 63% em 2026
  • YouTube é o canal preferido de 35% dos investidores para informações sobre aplicações financeiras

80% dos brasileiros demonstram disposição para investir em fintechs e contas digitais, com confiança ainda maior entre usuários já bancarizados digitalmente (95%). Jovens de 18-29 anos e classe C lideram a adoção, enquanto 88% concordam que bancos digitais ampliaram as alternativas de investimento acessíveis à população.

Pesquisa do Instituto Locomotiva revela que 80% dos brasileiros fariam investimentos em contas digitais e fintechs, com maior confiança entre jovens de 18-29 anos e classe C. Canais digitais predominam sobre visitas presenciais aos bancos.

Oito em cada dez brasileiros dizem que investiriam dinheiro em contas digitais e fintechs. Essa é a conclusão de uma pesquisa do Instituto Locomotiva encomendada pela 99Pay, que entrevistou 1,8 mil pessoas bancarizadas entre 18 e 65 anos em diferentes regiões do país. O número é expressivo, mas a confiança não é uniforme — ela varia bastante dependendo de quem você pergunta.

Entre quem já tem conta em banco digital ou fintech, a disposição sobe para 95%. Os jovens de 18 a 29 anos também mostram entusiasmo particular: 87% deles afirmam que fariam investimentos por esses canais. A classe C, frequentemente deixada de fora das conversas sobre mercado financeiro, também aparece com 87% de confiança. Esses números sugerem que a desconfiança tradicional em relação a investimentos está cedendo espaço, pelo menos entre certos grupos.

O levantamento aponta ainda que 88% dos entrevistados concordam que bancos digitais e fintechs ampliaram o leque de opções de investimento disponíveis para a população em geral. Essa percepção de acesso expandido é importante: não se trata apenas de confiança abstrata, mas da sensação concreta de que mais portas se abriram.

Os dados encontram eco em pesquisa mais recente da Anbima, a associação que representa o mercado financeiro brasileiro. Seu estudo de abril deste ano, a nona edição do "Raio X do Investidor Brasileiro", mostra uma transformação clara em como os brasileiros buscam informação e realizam transações. Em 2021, 43% das pessoas iam presencialmente ao banco para investir. Cinco anos depois, esse número caiu para 32%. O caminho inverso ocorreu com os canais online: subiram de 49% para 63% no mesmo período.

O YouTube virou o lugar preferido para aprender sobre investimentos — 35% dos investidores o usam para isso. Instagram vem em segundo, com 27%. Esses números refletem uma mudança geracional e cultural: a informação financeira agora é consumida como conteúdo, muitas vezes em vídeo curto, não como consulta formal em agência bancária. Assistentes de inteligência artificial já estão na rotina de 9% dos investidores, um número pequeno mas que tende a crescer.

Há, porém, uma desigualdade importante escondida nesses números positivos. Entre quem investe, 97% tem acesso à internet, e 77% têm acesso constante. Entre quem não investe, 90% tem acesso à internet, mas apenas 62% o têm sempre. Essa diferença de 15 pontos percentuais em acesso permanente pode parecer pequena, mas representa milhões de brasileiros com conexão intermitente, o que afeta sua capacidade de acompanhar mercados, receber alertas ou fazer transações no momento certo. A democratização do acesso aos investimentos digitais, portanto, ainda esbarra em uma democratização mais fundamental: a do próprio acesso à internet.

88% dos entrevistados concordam que bancos digitais e fintechs ampliaram as alternativas de aplicações financeiras que a população tem acesso
— Instituto Locomotiva
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