No outono de 2026, a ofensiva russa de verão na Ucrânia chegou ao fim com o maior recuo territorial e humano do ano — 190 km² perdidos e mais de 64 mil baixas em setembro. O que parecia uma marcha inevitável de Moscovo revelou-se frágil perante a resiliência ucraniana em Lyman e Komar. Incapaz de vencer pelo avanço, Putin reorienta agora a sua teoria de vitória para o desgaste do inverno: bombardear infraestruturas, esgotar a vontade de um povo e forçar uma rendição que o campo de batalha lhe recusou.
Ofensiva russa de verão falha com maior recuo desde junho de 2023; Putin muda estratégia
Putin abandona a vitória no terreno e pivota para a guerra de atrito contra cidades
Como é que sabemos que a ofensiva russa realmente falhou? Não é apenas uma pausa tática?
Os números são claros: 190 quilómetros quadrados perdidos em setembro, o maior recuo desde junho de 2023. E 64.230 baixas russas — mortos, feridos e desaparecidos. Isto não é uma pausa; é uma inversão do padrão.
Mas espera — a Black Bird Group diz que parte dessas perdas territoriais pode ter ocorrido gradualmente ao longo dos meses anteriores, apenas contabilizadas em setembro. Portanto, o colapso não foi tão abrupto quanto parece.
Verdade. Mas o ponto é que o ritmo de avanço russo que era constante em 2024 e 2025 simplesmente parou. Ganhos de 500 quilómetros quadrados por mês caíram para perdas.
E o que mudou no terreno para isto acontecer?
Contra-ataques ucranianos em Lyman e Komar. Operações bem-coordenadas que travaram os avanços russos. E a Operação Vivaldi — uma campanha ucraniana de verão que foi mantida em sigilo operacional rigoroso.
Mas não sabemos todos os detalhes da Operação Vivaldi porque foi mantida em segredo. Os analistas estão a trabalhar com informações incompletas.
Exato. E os analistas admitem isso. Dizem que a recolha e verificação de provas visuais pode demorar semanas. Mas o que vemos agora é que o campo de batalha é mais dinâmico — ambos os lados estão a fazer operações ofensivas de ritmo lento, dependentes de drones.
Então Putin está a mudar de estratégia?
Sim. O ISW diz que Putin está a abandonar a ideia de vitória através de avanços territoriais e está a pivotar para uma campanha de inverno contra infraestruturas críticas. O objetivo é tornar o custo da guerra demasiado alto para a Ucrânia render-se.
Mas isto é uma estratégia que a Rússia já tentou em invernos anteriores — bombardeamentos sistemáticos contra a rede energética desde 2022-2023. Não funcionou antes. Porque é que funcionaria agora?
Boa pergunta. Talvez porque Moscovo não tem outra opção. Se não consegue ganhar no terreno, tenta ganhar através do sofrimento civil.
E a Ucrânia? Como é que está a responder?
Com inovação. Menos militares, menos material, mas a usar drones de vigilância e drones FPV para detetar e eliminar ameaças. É uma guerra de atrito agora, não de movimento.
Mas a Ucrânia consegue sustentar isto durante um inverno inteiro de bombardeamentos contra infraestruturas? Isso é o verdadeiro teste.
Der Puls
- A Rússia perdeu 190 km² em setembro — a maior retração territorial desde junho de 2023 — e registou 64.230 baixas, o pico mais elevado do ano, segundo a consultora Black Bird Group.
- Contraofensivas ucranianas em Lyman e Komar inverteram o ritmo da guerra, travando avanços russos que pareciam consolidados e devolvendo dinamismo a um front que estava a cristalizar.
- Putin abandona a estratégia de conquista territorial e pivota para uma campanha de atrito de inverno 2026-2027, com bombardeamentos sistemáticos contra infraestruturas críticas ucranianas — um padrão já ensaiado desde 2022.
- No terreno, ambos os lados operam agora em modo lento e cirúrgico, dominados pela vigilância de drones, enquanto a Ucrânia compensa a inferioridade numérica com inovação tática e tecnológica.
No outono de 2026, a ofensiva russa de verão na Ucrânia chegou ao fim com o maior recuo territorial e humano do ano — 190 km² perdidos e mais de 64 mil baixas em setembro. O que parecia uma marcha inevitável de Moscovo revelou-se frágil perante a resiliência ucraniana em Lyman e Komar. Incapaz de vencer pelo avanço, Putin reorienta agora a sua teoria de vitória para o desgaste do inverno: bombardear infraestruturas, esgotar a vontade de um povo e forçar uma rendição que o campo de batalha lhe recusou.
A ofensiva russa de verão terminou em colapso. Em setembro de 2026, a Rússia perdeu 190 quilómetros quadrados de território — a maior retração desde junho de 2023 — e sofreu 64.230 baixas entre mortos, feridos e desaparecidos. Os dados da consultora finlandesa Black Bird Group, especializada em análise geoespacial, mostram que o ritmo de conquista que Moscovo mantinha há meses simplesmente inverteu-se.
A viragem começou em Lyman, em Donetsk, onde forças ucranianas lançaram uma contraofensiva que travou os avanços russos, enquanto operações na zona de Komar forçaram Moscovo a recalibrar. Os especialistas classificaram ambas as operações como bem-sucedidas, marcando um retorno a um campo de batalha mais dinâmico. O contraste com os anos anteriores é dramático: em novembro de 2024, a Rússia conquistara cerca de 750 km² num único mês; em 2025, os ganhos mensais oscilavam entre 398 e 538 km².
Parte do sucesso ucraniano em setembro resultou de meses de operações conduzidas sob sigilo rigoroso — a chamada 'Operação Vivaldi' — cujos detalhes só emergiram no outono. Os analistas advertem que a verificação independente do controlo territorial pode demorar semanas, e que parte das perdas russas formalmente contabilizadas em setembro terá ocorrido de forma gradual nos meses anteriores.
Perante este colapso narrativo, o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) identifica uma reorientação estratégica fundamental: Putin parece estar a abandonar a teoria de vitória por avanço territorial e a apostar numa campanha de ataques de longo alcance no inverno de 2026-2027, visando infraestruturas críticas para tornar o custo da guerra insuportável para a Ucrânia. É uma estratégia com precedentes — a Rússia bombardeia sistematicamente a rede energética ucraniana em cada inverno desde 2022-2023.
No terreno, ambos os lados operam agora em modo lento e cirúrgico, dominados pela vigilância de drones FPV e bombardeiros. A Ucrânia, com menos efetivos e menor capacidade material, compensa com inovação tática. O que vem a seguir não é uma batalha pelo território — é uma guerra de atrito contra as cidades e a população ucraniana.
A ofensiva russa de verão terminou em colapso. Os números não deixam margem para interpretação: em setembro, a Rússia perdeu 190 quilómetros quadrados de território — a maior retração desde junho de 2023 — e sofreu 64.230 baixas entre mortos, feridos e desaparecidos, o pico mais elevado do ano. Segundo dados da consultora finlandesa Black Bird Group, especializada em análise geoespacial e fontes abertas, o ritmo de conquista territorial que Moscovo mantinha há meses simplesmente inverteu-se.
A mudança no campo de batalha começou na região de Lyman, em Donetsk, onde as forças ucranianas lançaram uma contraofensiva que travou os avanços russos. Em simultâneo, operações ucranianas nas imediações de Komar, a oeste, forçaram Moscovo a recalibrar. Enquanto isso, a Rússia continuava a pressionar em direção ao que os analistas chamam de "cinturão de fortalezas" — Slovyansk e Kramatorsk — mas as defesas de Kiev conseguiram abrandar significativamente o ritmo. Os especialistas do Black Bird Group classificaram ambas as operações ucranianas como bem-sucedidas, marcando um retorno a um campo de batalha mais dinâmico depois de meses de avanços russos previsíveis.
O contexto mais amplo revela a dimensão da mudança. Ao longo de 2026, os ganhos territoriais russos foram residuais em quase todas as direções operacionais. Moscovo conseguiu apenas pequenos progressos táticos no sentido de Kramatorsk, enquanto estagnava nos outros eixos. Isto contrasta dramaticamente com o padrão dos anos anteriores. No segundo semestre de 2024, as tropas russas mantiveram avanços contínuos e expressivos, culminando em novembro desse ano com a conquista de cerca de 750 quilómetros quadrados num único mês. Em 2025, embora sem atingir esse pico, o esforço ofensivo do Kremlin permaneceu constante e dilatado, com ganhos mensais a oscilar entre 398 e 538 quilómetros quadrados entre maio e novembro.
Parte do sucesso ucraniano em setembro resulta de operações conduzidas ao longo de todo o verão sob sigilo operacional rigoroso. A chamada "Operação Vivaldi" foi executada pelas tropas ucranianas durante meses, mas os detalhes e evidências públicas só começaram a emergir no início do outono devido a um esforço deliberado de camuflagem. Os analistas advertem, porém, que a natureza do conflito impõe limites à análise em tempo real. A recolha e verificação independente de provas visuais sobre o controlo do terreno pode demorar semanas a ser validada. Além disso, as forças ucranianas frequentemente negam o controlo de uma área às tropas russas através de fogos de interdição, sem necessariamente ocuparem o terreno. Por essas razões, parte das perdas territoriais russas formalmente contabilizadas em setembro terá ocorrido de forma gradual ao longo dos meses anteriores.
O padrão histórico mostra que novembro é o mês em que o exército russo consegue os seus maiores ganhos territoriais, aproveitando a degradação das condições meteorológicas de outono. Nevoeiro cerrado, chuvas persistentes e nuvens mais baixas permitem às forças russas explorar brechas na estratégia defensiva ucraniana. Este ano, a campanha de outono-inverno russa já arrancou. No dia 4 de outubro, o ministério da Defesa russo anunciou que intensificaria os ataques contra infraestruturas em Kiev e na Ucrânia como resposta a alegados ataques ucranianos contra civis em junho, embora os primeiros bombardeamentos maciços tenham ocorrido já no início de setembro.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) identifica nesta mudança uma reorientação estratégica fundamental. "Os sucessos da Ucrânia no campo de batalha em 2026 parecem estar a obrigar o presidente russo, Vladimir Putin, a reavaliar a sua teoria inicial de vitória na Ucrânia e a mudar o foco para obrigar a Ucrânia a render-se através da campanha de ataques de longo alcance do inverno de 2026-2027, em vez de avanços no campo de batalha", escreve o think tank de defesa no seu briefing diário. O objetivo destes ataques contra as infraestruturas críticas ucranianas passa por tornar o custo da guerra demasiado alto para a Ucrânia. Trata-se de uma estratégia com precedentes nesta guerra: a Rússia conduz bombardeamentos sistemáticos contra a rede energética ucraniana em todas as épocas de inverno desde 2022-2023.
Mentretanto, as forças ucranianas, com um número mais reduzido de militares e menos capacidades materiais, passaram a depender da inovação tecnológica e tática para equilibrar o campo de batalha. Dependem agora da utilização de drones de vigilância para detetar ataques e de drones FPV e bombardeiros para eliminar ameaças no terreno. Ambos os lados conduzem agora operações ofensivas de ritmo deliberadamente lento, altamente condicionadas pela vigilância e pelo fogo constante de drones. O que estava em jogo — a narrativa de vitória de Moscovo — colapsou. O que vem a seguir é uma guerra de atrito contra as cidades e a população ucraniana.
Bemerkenswerte Zitate
Os sucessos da Ucrânia no campo de batalha em 2026 parecem estar a obrigar o presidente russo, Vladimir Putin, a reavaliar a sua teoria inicial de vitória na Ucrânia e a mudar o foco para obrigar a Ucrânia a render-se através da campanha de ataques de longo alcance do inverno de 2026-2027, em vez de avanços no campo de batalha.— Instituto para o Estudo da Guerra (ISW)