Num estudo observacional da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, 17.221 adultos tiveram o cérebro examinado e os pesquisadores encontraram um padrão que a medicina vinha suspeitando: quanto maior o índice de massa corporal, menor a atividade e o fluxo de sangue em regiões do órgão. Esse fluxo tem sido apontado como sinal da chance de desenvolver Alzheimer no futuro, mas a associação não prova causa, e a história ainda não sabe se a perda é permanente ou se leva a perdas de memória e de pensamento. Trata-se, por ora, de um alerta que convida a olhar mais fundo para o corpo inteiro, e não d
Obesidade pode reduzir o fluxo sanguíneo cerebral e elevar o risco de Alzheimer, aponta estudo
O IMC é prático, mas não separa músculo de gordura
O que o estudo da Johns Hopkins encontrou, afinal?
Que, em 17.221 adultos, quanto maior o IMC, menor o fluxo de sangue e a atividade no cérebro, medidos em 35.442 exames.
Mas é um estudo observacional. Ele mostra associação, não que o peso cause a queda do fluxo.
E o que isso tem a ver com Alzheimer?
O fluxo cerebral é tratado como indicador da chance de desenvolver a doença no futuro.
Indicador, não diagnóstico. A própria reportagem diz que não se sabe se a redução é permanente nem se leva a perdas cognitivas.
O IMC é uma boa régua para isso?
É prática e barata, mas não separa músculo de gordura. Um atleta pode parecer obeso e uma pessoa de peso normal pode ter muita gordura abdominal.
Ou seja, a classificação do estudo carrega essa imprecisão, e o texto não diz como ela afetou os resultados.
E pessoas magras estão protegidas?
Não. Hipertensão, diabetes e colesterol alto também aparecem nelas, e em idosos a magreza pode sinalizar fragilidade.
Le Pouls
- Um exame de 35.442 varreduras cerebrais revela que o peso corporal anda de mãos dadas com um cérebro que recebe menos sangue.
- A ligação com o Alzheimer deixa a comunidade médica em alerta, mas sem a certeza de que um provoque o outro.
- Pesquisadores buscam agora as causas diretas das demências, testando se a perfusão reduzida antecede perdas cognitivas.
- Enquanto a ciência não responde, a orientação dos especialistas se concentra em controlar pressão, diabetes, colesterol e tabagismo.
Num estudo observacional da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, 17.221 adultos tiveram o cérebro examinado e os pesquisadores encontraram um padrão que a medicina vinha suspeitando: quanto maior o índice de massa corporal, menor a atividade e o fluxo de sangue em regiões do órgão. Esse fluxo tem sido apontado como sinal da chance de desenvolver Alzheimer no futuro, mas a associação não prova causa, e a história ainda não sabe se a perda é permanente ou se leva a perdas de memória e de pensamento. Trata-se, por ora, de um alerta que convida a olhar mais fundo para o corpo inteiro, e não de um veredito sobre a vida de ninguém.
Foram 35.442 varreduras cerebrais feitas em 17.221 adultos, com idades entre 18 e 94 anos. O estudo observacional da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, procurou padrões de perfusão anormal no cérebro conforme o IMC de cada pessoa, dividido em cinco faixas, do baixo peso à obesidade mórbida. A conclusão é que, quanto maior o peso, menor a atividade e o fluxo de sangue no cérebro, e esse fluxo é apontado como indicador da chance de Alzheimer no futuro.
Os próprios autores reconhecem o limite do trabalho. Não se sabe se a queda do fluxo é permanente nem se ela leva a perdas cognitivas no longo prazo. Por isso, o estudo funciona como alerta para investigações mais profundas sobre as causas diretas das demências.
O IMC é prático e barato, mas não distingue massa muscular de gordura e pode subestimar o excesso de gordura abdominal em pessoas de peso normal. Peso normal, aliás, não garante saúde: hipertensão, colesterol alto e diabetes aparecem também em magros, muitas vezes ligados a má alimentação, sedentarismo, tabagismo e álcool. Entre idosos, a magreza exige atenção, pois pode indicar a síndrome da fragilidade.
No cuidado com o cérebro, o foco está no controle do risco cardiovascular: tratar hipertensão e diabetes, manter alimentação equilibrada e um peso que permita a atividade física. Drogas, álcool e tabaco entram na mesma conta. Resta saber, em novas pesquisas, se a menor perfusão ligada ao IMC alto antecede de fato as perdas cognitivas.
Foram 35.442 varreduras cerebrais, feitas em 17.221 adultos entre 18 e 94 anos. É esse o material de um estudo observacional da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, que procurou padrões de perfusão anormal no cérebro conforme o índice de massa corporal (IMC) de cada pessoa. A conclusão é que, quanto maior o peso, menor a atividade e o fluxo de sangue no cérebro, e esse fluxo é apontado como indicador da chance de desenvolver Alzheimer no futuro.
Os exames avaliaram a quantidade de sangue e o desempenho cerebral em 128 regiões do órgão. Os participantes foram divididos em cinco faixas: baixo peso (IMC abaixo de 18,5), peso normal (18,5 a 24,9), sobrepeso (24,9 a 29,9), obesidade (30 ou mais) e obesidade mórbida (40 ou mais).
Há um limite importante no que o trabalho permite afirmar. Não se sabe se a associação entre o número do IMC e a queda do fluxo sanguíneo é permanente, nem se ela leva a perdas cognitivas no longo prazo. O estudo, portanto, funciona como alerta: obesidade e outros fatores de risco cerebrovasculares pedem investigações mais profundas, capazes de apontar causas diretas das demências e de aprimorar a prevenção.
O IMC, medida central da pesquisa, tem defensores e ressalvas entre os endocrinologistas consultados pela reportagem. É fácil de aplicar, barato e permite padronizar o diagnóstico de obesidade. Mas não distingue os componentes da composição corporal. Pode subestimar o excesso de gordura, como em quem tem peso normal para a altura e muita gordura abdominal, e superestimá-lo, como em atletas com muita massa muscular, cujo IMC sobe sem que haja excesso de gordura.
Por isso, segundo o texto, biotipo ou IMC isolados não determinam a saúde de ninguém. Ser ou não obeso tampouco se resume à força de vontade. Há também debate sobre classificar a obesidade como doença: a maior parte da classe médica defende o termo para facilitar o acesso a tratamentos e cirurgias e conscientizar pacientes, enquanto cresce o número de argumentos sobre preconceito, barreiras profissionais e problemas psicológicos ligados ao estigma do gordo doente.
O peso considerado normal tampouco garante saúde. Hipertensão, colesterol alterado e diabetes podem surgir em pessoas magras, em geral associados a má alimentação, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. Entre idosos, a magreza exige atenção redobrada por causa de distúrbios nutricionais, que podem se ligar à síndrome da fragilidade, com perda de peso descontrolada, exaustão e redução de força, quadro que requer ajuda profissional.
Sobre a saúde do cérebro, os especialistas lembram que existe o componente genético e hereditário, mas também agravantes mais comuns. Diante de um diagnóstico de Alzheimer, neurologistas orientam paciente e família a frear a progressão e a mudar hábitos para evitar novos casos na família. No centro está o controle do risco cardiovascular: tratar hipertensão e diabetes, manter alimentação balanceada e um peso que não impeça a atividade física.
O colesterol alto também é fator de risco, ligado à ingestão de alimentos gordurosos, que acelera a degeneração cerebral. Drogas ilícitas, álcool e tabaco entram na mesma conta: o tabagismo altera o fluxo sanguíneo e, com a dilatação dos vasos, aumenta a chance de AVC. Resta saber, em novas pesquisas, se a menor perfusão associada ao IMC alto de fato antecede perdas cognitivas.
Citations marquantes
Não é possível afirmar se a associação entre IMC e menor fluxo sanguíneo cerebral é permanente ou se leva a perdas cognitivas a longo prazo.— Reportagem do UOL, com base em especialistas consultados