A mãe vive em situação de extrema vulnerabilidade
Uma criança de dois anos desaparecida em Santa Catarina foi encontrada viva em São Paulo, dentro de um carro com placas adulteradas, após mais de uma semana de buscas. Dois adultos foram presos por suspeita de tráfico de pessoas, revelando um arranjo de adoção ilegal que expõe, ao fundo, a fragilidade de uma mãe em situação de extrema vulnerabilidade. O caso lembra que por trás de cada criança desaparecida há uma teia de circunstâncias humanas que o alívio do reencontro não apaga.
- Uma criança de 2 anos sumiu de Santa Catarina no dia 30 de abril, e a família só acionou a polícia cinco dias depois — tempo precioso perdido enquanto o menino cruzava estados.
- O tio da criança, o humorista Juliano Gaspar, recorreu às redes sociais para pressionar por respostas, transformando um caso familiar em mobilização pública.
- Policiais militares de São Paulo interceptaram um Hyundai Creta com placas adulteradas no Tatuapé, encontrando o menino no banco traseiro e dois suspeitos que alegavam estar a caminho do fórum para regularizar a adoção.
- Investigações revelaram que os suspeitos vinham aliciando a mãe desde o nascimento da criança, pressionando-a a entregar o filho fora dos canais legais de adoção.
- O menino está sob cuidados do Conselho Tutelar de São Paulo e deve retornar a Santa Catarina, mas a situação da mãe — descrita como de extrema vulnerabilidade — permanece sem resposta clara.
Na segunda-feira, dia 8 de maio, policiais militares encontraram um menino de dois anos dentro de um carro estacionado no Tatuapé, zona leste de São Paulo. A criança havia desaparecido de Santa Catarina no dia 30 de abril, quando sua mãe a entregou a uma mulher chamada Roberta Porfírio de Souza Santos em um acordo informal de adoção. A avó e o tio perceberam o sumiço naquele mesmo dia, mas esperaram cinco dias para comunicar à polícia.
Foi o tio da criança, o humorista Juliano Gaspar, quem levou o caso às redes sociais, pedindo ajuda para encontrar o sobrinho. A repercussão ajudou a pressionar as investigações. A polícia de Santa Catarina rastreou o veículo suspeito e solicitou a abordagem à Polícia Militar paulista. O carro, um Hyundai Creta, estava com as placas adulteradas. Dentro dele estavam Roberta Santos, de 41 anos, e Marcelo Valverde Valeze, de 52 anos, que alegaram ser apenas conhecidos e afirmaram estar a caminho do fórum para regularizar a situação da criança.
As investigações contaram outra história. Segundo inquérito aberto em Santa Catarina, Valeze e sua esposa vinham aliciando a mãe do menino desde o nascimento da criança, pressionando-a a entregar o filho sem recorrer ao processo legal de adoção. Ambos foram presos por suspeita de tráfico de pessoas. A delegada responsável pelo caso destacou que a mãe vive em situação de extrema vulnerabilidade — o que torna as circunstâncias da entrega ainda mais delicadas.
Desde o resgate, o menino está sob os cuidados do Conselho Tutelar de São Paulo, com previsão de retorno a Santa Catarina. A família preferiu não fazer declarações públicas, dizendo estar concentrada na recuperação da mãe. O alívio de encontrar a criança viva não fecha as perguntas que o caso deixa abertas sobre proteção, vulnerabilidade e os limites do que a lei alcança.
Uma semana inteira se passou. Um menino de dois anos havia desaparecido de Santa Catarina, e ninguém sabia onde ele estava. Então, na segunda-feira, dia 8 de maio, policiais militares o encontraram dentro de um carro estacionado no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. Dentro do veículo estavam duas pessoas: Roberta Porfírio de Souza Santos, de 41 anos, e Marcelo Valverde Valeze, de 52 anos. Ambos foram presos sob suspeita de tráfico de pessoas.
O que levou a criança até lá começou semanas antes, em Santa Catarina. A mãe do menino havia entregado o filho para Roberta Santos em um arranjo de adoção que nunca foi formalizado legalmente. A avó e o tio da criança perceberam o desaparecimento no dia 30 de abril, mas só comunicaram à polícia cinco dias depois, em 5 de maio. Foi então que o tio do menino, o humorista Juliano Gaspar, começou a divulgar a situação nas redes sociais, pedindo ajuda para encontrar o sobrinho.
A polícia de Santa Catarina rastreou o veículo suspeito e pediu que a Polícia Militar de São Paulo fizesse a abordagem. O carro, um Hyundai Creta, tinha as placas adulteradas — um sinal claro de que algo não estava certo. Quando foram interceptados, Marcelo Valeze e Roberta Santos disseram que não eram um casal, apenas conhecidos, e alegaram estar a caminho do fórum para legalizar a situação da criança. Mas as investigações revelaram algo diferente.
Segundo um inquérito policial aberto em Santa Catarina, Valeze e sua esposa Juliana haviam estado aliciando a mãe do menino desde o nascimento da criança, pressionando-a para que entregasse o filho sem passar pelo processo legal de adoção. A mãe, conforme depoimento que deu na noite de segunda-feira, confirmou que havia entregado o filho para adoção. Mas a delegada Sandra Mara Pereira, da Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de São José, deixou claro que a mãe vive em situação de extrema vulnerabilidade — o que torna a questão ainda mais complexa e preocupante.
Desde que foi encontrado, o menino está sob os cuidados do Conselho Tutelar de São Paulo. Seus familiares não fizeram declarações públicas sobre o caso, dizendo estar focados na recuperação da saúde da mãe. A polícia de Santa Catarina informou que a criança seria levada de volta para o estado na terça-feira, para estar com sua família. O que acontecerá com a mãe, com sua vulnerabilidade e com as circunstâncias que a levaram a entregar o filho, permanece uma questão em aberto — uma que vai além do alívio de ter encontrado a criança viva.
Notable Quotes
Rastreamos e pedimos que a PM de São Paulo fizesse a abordagem do veículo— Coronel Aurélio José Pelozato da Rosa, Polícia Militar de Santa Catarina
A mãe da criança vive em um quadro de extrema vulnerabilidade— Delegada Sandra Mara Pereira, DPCAMI de São José (SC)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como a polícia conseguiu rastrear o carro até São Paulo tão rapidamente?
Não foi tão rápido assim — levou oito dias desde o desaparecimento. Mas a Polícia Militar de Santa Catarina tinha um programa específico para casos de pessoas desaparecidas que conseguiu rastrear o veículo. Depois pediram ajuda à polícia de São Paulo para fazer a abordagem.
E quanto à mãe? Por que ela entregou o filho dessa forma?
Ela vive em extrema vulnerabilidade, segundo a delegada. Parece que foi aliciada durante toda a gravidez e depois do nascimento. Não é uma situação simples de culpa ou inocência.
Os dois presos disseram que estavam indo ao fórum legalizar a adoção. Isso muda algo?
Muda a narrativa deles, mas não o que a polícia encontrou. O carro tinha placas falsas. Se realmente estivessem indo legalizar, por que esconder a identidade do veículo?
O menino está bem?
Fisicamente, foi encontrado vivo. Agora está sob cuidados do Conselho Tutelar. Mas uma criança de dois anos desaparecida por uma semana... há muitas coisas que não sabemos ainda.
E o tio, o humorista que fez a campanha nas redes?
Ele e a avó foram quem notaram o desaparecimento e acionaram a polícia. Sua campanha nas redes sociais ajudou a manter o caso visível enquanto as buscas aconteciam.